A EDA e a EMB e os desafios do leite na União Européia

Comenta o posicionamento das entidades que representam a indústria e os produtores com relação ao pacote da política de lácteos da União Européia.

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A EDA e a EMB e os desafios do leite na União Européia

A preparação da EDA para os desafios de 2011 parece ser atacar vários pontos do pacote da política de lácteos da União Européia, consubstanciada no Milk Package ( Pacote do Leite ), que introduz as reformas proposta como resposta a crise de preços ao produtor de 2009.

As criticas da EDA são as seguintes:

"A EDA está muito desapontada que as propostas no pacote mirem exclusivamente nas relações dentro do setor e não trabalhem nas recomendações de fortalecer a posição dos produtos lácteos no mercado". O presidente da EDA, Werne Buck disse que a preocupação maior é com as medidas relacionadas com organização de produtores e contratos obrigatórios entre o produtor e a indústria ( que como no Brasil atual, não existiam na Europa ). Alegam com as grandes organizações de produtores e os contratos poderá não haver leite livre para ser movimentado, prejudicando processadores menores, dando aos produtores, que não tem responsabilidade da distribuição do leite um grande poder sobre o mercado.

As declarações de Buck soam como tentativa de manter o status quo, ou seja a indústria tem um poder político, econômico e comercial desproporcional com relação ao dos produtores, e não querem ceder nenhum espaço para para discussão da divisão, entre indústria e produtores de leite, da margem que o mercado permite para lácteos.

É preciso ficar claro que a EDA - European Dairy Association é uma organização que representa os interesses da indústria de lacticínios européia, com representantes em 22 países, atuando junto a Comissão Européia, Parlamento, Conselho de Ministros, Comitês Econômicos e Sociais, Codex Alimentarius, etc.

O contraponto dessa entidade é a EMB - European Milk Board, representando 14 países e 100.000 produtores.

Parece que a EMB está preocupada com o poder que as grandes indústrias e sua entidade de classe exerce sobre o mercado, inclusive sobre as indústrias menores e a possibilidade de formação de cartel, que é necessário contratos regulando as relações comerciais entre produtores e indústria para equilíbrio de força na cadeia produtiva. E com certeza defende que não haja mudanças no Pacote do Leite europeu que possam preservar o desequilíbrio de forças atualmente existente na cadeia produtiva do leite na Europa.

Existe na EMB um consenso que é preciso alterar o formato pelo qual os preços do leite são calculados e pagos, e que é preciso cria uma Agência para supervisionar e regulamentar o mercado de lácteos da União Européia, com poder para supervisionar os custos de produção, bem como a oferta e a demanda, visando estabelecer faixas de preço para ajustar os volumes a serem produzidos. Considerando a desigualdade de poder nos elos da cadeia do leite ( produtores, indústria, varejo e consumidores), a criação dessa agência seria vital e a participação de representantes dos consumidores nessa agência importante para assegurar a sustentabilidade da produção de lácteos na Europa.

A EMB também está preocupada com as grandes cooperativas que operam em mercados internacionais, transferem áreas de negócio e onde os membros dessas cooperativas não tem praticamente nenhuma influência na estratégia de negócios, o que deveria desqualificar essas cooperativas como grupo de produtores.

Vamos aguardar para ver o que acontece na implementação do Pacote do Leite Europeu.

Será que um dia aqui no Brasil questões como essas serão abertamente colocadas na mesa e discutidas,  e teremos um Pacote do Leite proposto pelas autoridades brasileiras como resposta ao preços que o produtor recebe e visando uma justa distribuição da margem, que o nosso agronegócio do leite permite, entre varejo, indústria e produtores de leite? Será que a discussão franca e aberta dos problemas pelo Governo e a cadeia produtiva visando a elaboração de um "pacote do leite brasileiro" não é condição necessáriapara que o País deixe de ser importador de leite, atenda seu grande mercado interno e ainda possa ser um exportador significativo para o mercado mundial?

Marcello de Moura Campos Filho
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