O que mais assombra quem vive a produção de leite? Neste Halloween, o MilkPoint foi ouvir quem enfrenta os desafios da atividade no dia a dia para descobrir quais são os problemas que mais tiram o sono de quem está no campo e o que os produtores gostariam de espantar de uma vez por todas.
Ao longo de outubro, o MilkPoint publicará uma série de notas especiais para mostrar diferentes perspectivas atuais sobre os desafios da produção leiteira. A proposta é dar voz a quem vive a atividade na prática, reunindo experiências, preocupações e estratégias para enfrentar os obstáculos da rotina.
Nesta primeira edição, Luísa e Guilherme Fenelon, da Fazenda Tartana, em Azurita/MG, compartilham suas percepções sobre a imprevisibilidade econômica, a dificuldade de encontrar mão de obra e a importância de ampliar o reconhecimento da atividade leiteira pela sociedade. Além disso, citaram que um dos fantasmas atuais da fazenda o controle de ectoparasitas e o atendimento aos períodos de carência que estão na bula dos produtos.
O que mais tira o sono de quem produz leite?
Para Luísa e Guilherme, a oscilação dos preços dos insumos está entre os principais desafios da atividade, pois dificulta a projeção dos resultados financeiros no médio e longo prazo. A incerteza em relação ao valor pago pelo litro de leite pelos laticínios torna o planejamento ainda mais complexo.
A combinação desses fatores dificulta a previsibilidade da operação e exige atenção constante à gestão da propriedade, em um cenário no qual os custos e a remuneração pelo leite influenciam diretamente a rentabilidade.
O desafio que pouca gente de fora da atividade compreende
Na avaliação dos entrevistados, um dos aspectos menos compreendidos por quem não vive a produção leiteira é justamente sua complexidade. São inúmeros os fatores que afetam direta e indiretamente a atividade, exigindo conhecimento técnico, planejamento e trabalho diário.
Luísa e Guilherme também consideram que o agronegócio ainda é alvo de avaliações negativas por parte de quem desconhece sua realidade. Para eles, a valorização do setor passa pela ampliação do conhecimento da população sobre a cadeia produtiva.
Por ser um alimento básico e essencial à nutrição humana, o leite merece, segundo os entrevistados, maior espaço em iniciativas de disseminação de informações sobre a importância da atividade. Na visão deles, o reconhecimento da produção leiteira depende de uma compreensão mais ampla de seus desafios e de sua contribuição para a sociedade.
Se pudessem espantar um problema de uma vez por todas...
A resposta dos dois aponta para uma questão central: a valorização justa dos produtos lácteos, especialmente para os pequenos produtores.
Segundo Luísa e Guilherme, propriedades de menor porte enfrentam dificuldades adicionais por terem menos acesso à mecanização e dependerem de uma oferta de mão de obra cada vez mais escassa. A dificuldade de atrair trabalhadores também está relacionada à percepção sobre o trabalho rural, que, na avaliação dos entrevistados, perdeu atratividade para parte dos jovens.
Eles destacam que as funções técnicas e operacionais são fundamentais para o funcionamento das propriedades, embora nem sempre recebam o reconhecimento necessário. Uma equipe qualificada e uma operação eficiente podem contribuir para reduzir custos e melhorar os resultados da produção. Além disso, os entrevistados defendem políticas públicas efetivas que considerem as diferentes realidades do setor e ajudem a reduzir as desigualdades entre produtores de diferentes portes.
Qual é a estratégia para enfrentar esses fantasmas?
Diante dos desafios, Luísa e Guilherme destacam o conhecimento das atividades da propriedade e o envolvimento direto na operação como parte importante da estratégia de gestão. “Sabemos fazer todo o serviço e não dependemos exclusivamente de mão de obra para girarmos a fazenda”, explicam.
Para resumir essa postura, os dois recorrem a um ditado tradicional no campo: “o olho do dono engorda o gado”. A experiência prática e o acompanhamento próximo das atividades são, assim, recursos que ajudam a Fazenda Tartana a lidar com as dificuldades da rotina e a manter a operação em funcionamento. O que mais assombra a produção de leite? Os desafios da atividade variam conforme a realidade de cada propriedade, mas as experiências de quem está no campo ajudam a ampliar a compreensão sobre a cadeia leiteira.
Confira o vídeo abaixo com o depoimento de Luisa e Guilherme da Fazenda Tartana:
Ao longo de outubro, o MilkPoint trará novas notas do especial de Halloween do leite, com outros produtores e profissionais compartilhando os problemas que mais os preocupam e as estratégias que adotam para enfrentá-los.
Os desafios da atividade variam conforme a realidade de cada propriedade, mas as experiências de quem está no campo ajudam a ampliar a compreensão sobre a cadeia leiteira.
Ao longo de outubro, o MilkPoint trará novas notas do especial de Halloween do leite, com outros produtores e profissionais compartilhando os problemas que mais os preocupam e as estratégias que adotam para enfrentá-los.
Quer participar do especial? O MilkPoint convida produtores e profissionais do setor a compartilhar suas experiências e contar o que mais assombra a produção de leite. Para participar das próximas publicações, entre em contato pelo e-mail contato@milkpoint.com.br.