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Plantas tóxicas para bovinos: principais espécies no Brasil

Existem algumas plantas tóxicas no Brasil, que são de interesse na produção de bovinos pois causa danos irreversíveis. Conheça quais são essas plantas.

Publicado por: Sérgio Henrique Andrade dos Santos

Publicado em: 21/09/2021 - 4 minutos de leitura

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É considerado uma planta tóxica todo vegetal capaz de causar morte ou danos à saúde de um animal. Naturalmente as plantas tóxicas não são palatáveis, porém, o seu consumo está ligado diretamente a condições extremas como a fome e seca.

No Brasil existem mais de 100 espécies de plantas capazes de causar danos aos bovinos, capazes de causar diferentes desafios, desde morte a aborto e carcinoma (neoplasia maligna) comprometendo a capacidade produtiva dos bovinos.

 

Palicourea marcgravii

Principal planta tóxica encontrada no Brasil, classificada como Rubiaceae, possui os nomes populares de “Erva-de-rato”, “Cafezinho” e “Café-bravo”. A principal característica dessa planta é causar uma “morte súbita” no animal, sem demonstrar nenhum sinal de intoxicação, o consumo de 0,6g/kg é capaz de causar a morte.

O princípio ativo é o Ácido Monofluoracetico, que interrompe a via metabólica do Ciclo de Krebs, causando morte por Insuficiência Cardíaca Aguda.

Figura 1
Figura 1: Palicourea marcgravii

 

Mascagnia rígida

Planta de grande interesse para região nordeste e sudeste do Brasil, onde sua concentração é maior, pertence à família Malpighiaceae, sendo conhecida como “Tingui”, “Timbó” ou “Pela-bucho”.

Seu princípio ativo é o mesmo que da Palicourea macgravii, causando uma “morte súbita”, não se tem conhecimento atualmente de tratamento específico para essa intoxicação.

Figura 2
Figura 2: Mascagnia rígida
 

Senecio spp. 

Sua maior prevalência registada é no sul do país, com nome popular de “Maria-Mole”, “Flor-das-almas” ou “Tasneirinha”, sua intoxicação está diretamente relacionada a um componente químico denominado de Alcaloide Pirrolizidinico, que sendo metabolizado pelo fígado, se transformação em um subproduto, ocorrendo a biotransformação do alcaloide em pirróis, sendo altamente tóxicos e causam lesões hepáticas.

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A concentração do alcaloide é variável conforme a espécie de Senecio, a substância tóxica esta presente em todas as fases da planta e o seu consumo por tempo prolongado é determinante para que ocorra a intoxicação.

Os sinais clínicos são inespecíficos, possibilitando a falha no diagnóstico, os animais apresentam perda de peso e diarreia.

Figura 3
Figura 3: Senecio brasiliensis

 

Tetrapterys Multiglandulosa

Pertencente à família Malpighiaceae, sendo consumida pode causar ao animal uma morte repentina ou longo tempo depois, variando conforme a quantidade de matéria verde ingerida. Pode-se encontrar Tetrapterys spp. em Minas Gerais e Espirito Santos, conhecida como “Cipo-preto” e “Cipo-vermelho”.

Leva o animal a óbito devido lesões no coração, como fibrose e insuficiência cardíaca e afetando o sistema reprodutivo da fêmea bovina, causando aborto ou bezerros fracos ao nascimento.

A ingestão de 5g/kg/dia durante 60 dias ou 10g/kg/dia durante 14 dias, podem gerar lesões cardíacas e leva-los a morte. Os sinais observados estão relacionados a insuficiência cardíaca como edema de barbela, dificuldade de respirar, fraqueza e ocasionando até mesmo a morte abrupta após serem forçados a se movimentar.

Figura 4
Figura 4: Tetrapterys Multiglandulosa
 

Cestrum axillare

Planta pertencente à família Solanaceae, considerada a planta hepatóxica mais importante do Brasil, sua prevalência está nos estados de Mato Grosso, Goiás, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco.

Conhecida como “Coerana” e “Dama da Noite”, o componente causador das lesões no fígado é o Carboxiatractilosideos, que bloqueia o aminoácido Adenina para realizar sua função, provando a morte das células do órgão.

O consumo entre 10 e 50g/kg da planta, pode causar a intoxicação no animal e leva-lo ao óbito, sendo que em casos agudos, o animal demonstra sinais clínicos 18 horas após o consumo e vir a óbito entre 6 a 48 horas depois. 

Os principais sinais que os bovinos demonstram é apatia, dorso arqueado, rúmen sem movimento, andar cambaleante e até sinais nervosos como agitação e agressividade exacerbada. A falta de tratamento específico para a intoxicação por Cestrum axillare e sua forma rápida que causa a morte, é um fator preocupante.

Figura 5
Figura 5: Cestrum axillare

 

Pteridium Aquilinum

Conhecida como “Samambaia do campo” e “samambaia-verdadeira",  Pteridium aquilinum possui três formas de causar danos aos bovinos.

Sua característica de produzir diferentes lesões no organismo, está relacionada ao agrupamento de toxinas encontradas como Tanino, Canfenol, Aquilideo A, Quercetina, ácido chiquimico e Prunasina, além de algumas substâncias com potencial de causar carcinomas.

A variação do consumo de Pteridium aquilinum e por tempos distintos, causa diferentes manifestações. Existem três formas: A síndrome Hemorrágica Aguda (SHA) onde o consumo de 10g/kg entre três e oito semanas leva ao aparecimento da doença, a Hematúria Enzoótica, quando o consumo é menor que 10g/kg por mais de um ano e Carcinoma do Sistema Digestivo, causada por doses ainda menores em relação à dose para Hematúria Enzoótica.

Na SHA o animal tem anemia severa, causando hemorragias em locais onde são aplicados os medicamentos, picadas de moscas e carrapato. É importante realizar um diagnóstico diferencial para outras doenças que podem causar anemia, por exemplo, Babesiose, Hemoglobinúria Bacilar, Leptospirose, intoxicação por Ionóforos.

A Hematúria Enzoótica a presença de sangue na urina é constante, devido à formação de um carcinoma (tumor maligno) na bexiga, podendo levar ao óbito.

O Carcinoma do Sistema Digestivo ocorre a formação de tumores na língua, esôfago e rúmen, causando rouquidão, dificuldade em respirar, timpanismo e tosse.

Figura 6
Figura 6: Pteridium Aquilinum

 

Tratamento para intoxicações por plantas tóxicas

O tratamento para intoxicações por plantas, é restrito a um pequeno grupo, sendo que para as principais causas de intoxicação não existe tratamento adequado e especifico. Queimadas e roçar os locais são formas de favorecer a rebrota e potencializar a capacidade de intoxicar os animais.

Medidas preventivas são as formas mais baratas e adequada para esse desafio. Pontos de extremo valor é evitar ao máximo que os animais passem fome, que é o principal fator que leva os bovinos a consumirem as plantas, como forma de sobrevivência. Cercar a área onde existem as plantas é uma possibilidade interessante.

E você? Já teve problemas com intoxicação no seu rebanho? Conte pra gente como cuidou da situação. 


Referências

Fonte: Tokarnia C.H. et al. Plantas Tóxicas do Brasil para Animais de Produção. 2ª ed. Helianthus, Rio de Janeiro, 2012.

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