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Consumo de colostro bovino por humanos: saúde respiratória e Covid-19

VÁRIOS AUTORES

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/03/2021

3 MIN DE LEITURA

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O colostro bovino é a primeira secreção pós-parto da glândula mamária, com duração de 2 a 4 dias, sendo rico em nutrientes bioativos e imunomoduladores que auxiliam no desenvolvimento e fortalecem o sistema imunológico dos bezerros.

Dentre as principais proteínas imunomoduladoras, têm-se a lactoferrina, as imunoglobulinas e o Fator de Crescimento Transformador beta (TGF-β), os quais se apresentam em maiores níveis no colostro quando comparado ao leite.

A lactoferrina possui capacidade antibacteriana, antiviral, antifúngica, antiparasitária e anti-inflamatória; multifuncionalidades que despertam o interesse do seu uso como suplemento alimentar para os humanos.

Com relação às imunoglobulinas, aquela encontrada em maiores concentrações no colostro bovino é a IgG, que permanece intacta e funcionalmente ativa quando ingerida, podendo exercer no intestino a sua função imunomoduladora.

As imunoglobulinas podem se ligar diretamente ao vírus, alérgenos alimentares e bactérias patogênicas, atuando na barreira intestinal e na eliminação de patógenos. O TGF-β também atua na barreira epitelial do intestino, possuindo função imunomoduladora e anti-inflamatória, além de poder controlar ou inibir inflamações nas vias aéreas.

Com isso, variados estudos investigaram os benefícios da ingestão do colostro bovino e, consequentemente, das suas proteínas imunomoduladoras, poderia proporcionar ao sistema respiratório humano.

Foi observado que o consumo de colostro bovino foi benéfico na melhora de sintomas nasais em crianças com asma e alergias respiratórias; na proteção do sistema respiratório de adultos e crianças contra infecções do trato respiratório superior (infecções que afetam boca, nariz, garganta, laringe e traqueia), reduzindo o número de dias com sintomas; e na prevenção e no tratamento de infecções causadas pelo vírus da influenza. A suplementação em atletas também resultou em benefícios para esse grupo, aumentando a imunidade e reduzindo a incidência de infecções respiratórias.

As evidências de que o colostro bovino e seus componentes imunomoduladores podem fortalecer o sistema imunológico e atuar efetivamente na saúde respiratória de humanos, levantam a possibilidade da sua utilização como auxiliador na prevenção e no tratamento da Covid-19, infecção respiratória causada pelo vírus SARS-CoV-2 que tem assolado toda a população mundial nos últimos tempos.

Resultados preliminares de estudos recentes têm demonstrado que a lactoferrina foi eficaz no combate ao vírus SARS-CoV-2 em experimentos laboratoriais, e o seu uso como suplemento alimentar em pacientes acometidos com a infecção resultou em melhora dos sintomas de falta de ar, dores musculares e cansaço, bem como reduziu a ocorrência de tosse seca, dor de cabeça e diarreia.

Nesse mesmo estudo, foi visto que a suplementação com lactoferrina exerceu papel protetivo contra a infecção em pessoas próximas aos infectados. Considerando que no colostro bovino há de 1,5 a 5,0 mg/ml de lactoferrina, esse poderia ser uma importante fonte alimentar natural dessa proteína para o organismo.

O colostro hiperimune também pode ser uma alternativa para a obtenção de anticorpos contra o vírus da Covid-19. Para a produção desse tipo de colostro, primeiramente, ocorre a sensibilização dos animais com a cepa do vírus/bactéria de interesse e, posteriormente, a coleta do colostro rico em anticorpos específicos para aquele determinado organismo.

Estudos demonstraram a eficácia do colostro hiperimune na prevenção e no tratamento de infecções causadas pelo vírus da Influenza A e pelas bactérias Escherichia coli, Clostridium difficile e Helicobacter pylori.

Contudo, para confirmar a efetividade da ingestão ou suplementação de colostro bovino na prevenção e no tratamento da Covid-19, é importante que estudos cuidadosamente planejados sejam realizados, preferencialmente, ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebos, bem como estudos longitudinais.

É válido ressaltar ainda que, embora a comercialização e o consumo de colostro bovino sejam permitidos em diversos países do mundo, no Brasil, tais práticas ainda enfrentam barreiras éticas e regulatórias.

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Referências

GALDINO, A. B. da S.; RANGEL, A. H. do N.; BUTTAR, H. S.; NASCIMENTO, M. S. L.; GAVIOLI, E. C.; OLIVEIRA, R. de P.; SALES, D. C.; URBANO, S. A.; ANAYA, K. Bovine colostrum: benefits for the human respiratory system and potential contributions for clinical management of covid-19. Food And Agricultural Immunology, v. 32, n. 1, p. 143-162, 2021. Http://dx.doi.org/10.1080/09540105.2021.1892594.

*Foto do artigo: By Marguerita Briana Cattell - APSBioGroup, CC BY-SA 4.0, 

ALYNE BATISTA DA SILVA GALDINO

Programa de Pós-Gradução em Produção Animal, Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias - UAECA, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.

ADRIANO HENRIQUE DO N. RANGEL

Professor Dr. - Programa de Pós-Gradução em Produção Animal, Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias - UAECA, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

KATYA ANAYA

Professora Dra. - Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi - FACISA, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.

EMERSON GABRIEL DOS SANTOS OLIVEIRA SILVA

Mestre - Programa de Pós-Gradução em Produção Animal, Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias - UAECA, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

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VERA LUCIA LOPES

BORDA DA MATA - MINAS GERAIS

EM 31/05/2021

Boa tarde
Onde comprar no colostro
Pode me indicar algum
...Vera
MAVI ROCHA

EM 25/03/2021

PODE FERVER O COLOSTRO E TOMAR ELE DEPOIS DE FERVIDO?
ALYNE BATISTA

EM 26/03/2021

Olá Mavi Rocha. Se você tentar ferver o colostro da mesma maneira que ferve o leite, por exemplo, é provável que ele se torne uma massa muito viscosa, parecido com doce de leite. Além disso, altas temperaturas podem destruir compostos bioativos importantes. O ideal seria respeitar a temperatura entre 63°C por 30 minutos ou 60°C por 45 minutos que são parâmetros capazes de destruir diversas espécies de bactérias, conservando boa parte dos compostos bioativos.
LAUDIR

EM 17/03/2021

Criador
ADILSON F. BARROS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/03/2021

A pasteurização mantem a atividade protetiva destas proteinas. Qual a mellhor forma de higienização do colostro?
Adilson Barros
adilsonbarros@dr.com
KATYA ANAYA

NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - PESQUISA/ENSINO

EM 17/03/2021

Olá Adilson!

O tratamento térmico do colostro é essencial para a destruição de microrganismos causadores de doenças, no entanto, algumas dessas proteínas imunomoduladoras são sensíveis ao calor, sobretudo as imunoglobulinas. Por essa razão, a temperatura de pasteurização do colostro bovino não deve exceder 60 °C. A literatura científica sugere o tempo de 30 a 60 minutos, por meio do qual é possível atingir qualidade microbiológica satisfatória, com perdas não significativas das proteínas bioativas.

Katya Anaya
MARIA MIRTES PEREIRA MAGALHAES

EM 17/03/2021

OK
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