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Eficiência produtiva: agora e sempre

POR SEBASTIÃO TEIXEIRA GOMES

ESPAÇO ABERTO

EM 26/09/2007

1 MIN DE LEITURA

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O elevado preço do leite recebido pelo produtor, atualmente, tem contribuído para encobrir ineficiências em alguns sistemas de produção. Modelos que não seriam viáveis numa situação de preços históricos, atualmente estão operando a todo vapor.

Para fazer "brotar" leite e aproveitar os preços favoráveis, alguns produtores têm exagerado no uso de concentrado e até de hormônios que estimulam a produção. Em alguns casos, a tecnologia adotada não tem sustentação no longo prazo.

É evidente que o produtor deve aproveitar os bons ventos que sopram, neste ano, na atividade leiteira, para compensar os maus momentos vividos no ano passado. Isto ninguém tem dúvida. A questão é que tanto no preço alto como no baixo, obtém maior rentabilidade quem for mais eficiente. Rentabilidade e eficiência são indicadores valiosos em qualquer época.

A rentabilidade, medida em porcentagem, é calculada pela divisão da renda bruta pelo custo de produção, subtraindo 1 e multiplicando-se por 100.

Exemplo:

Se a renda bruta fosse R$ 90,00 e o custo de produção, R$ 80,00, a rentabilidade seria 12,5%.

Diz-se que o produtor "A" será mais eficiente que o "B" quando, com a mesma quantidade de insumos utilizada por ambos, "A" produzir mais que "B", ou então, "A" conseguir a mesma produção de "B", com menor quantidade de insumos.

Na análise dos determinantes do aumento no preço do leite, neste ano, o mercado internacional tem posição de destaque. O maior crescimento da demanda externa, em relação à oferta, puxou para cima os preços de lácteos, em especial, do leite em pó. Tudo indica que a influência do mercado externo será crescente e continuada. Por isto, é importante o produtor considerar as tendências daquele mercado no planejamento de sua atividade.

No mercado internacional, especialistas projetam nos próximos anos aumentos nas demandas de milho e soja, para atender à produção de combustível. Tal projeção implicará aumentos nos preços destes grãos e, por conseqüência, aumentos no custo de produção de leite. Diante dessas tendências, é recomendável que o produtor invista, agora, na produção de volumosos, em quantidade e qualidade, como estratégia para reduzir a utilização de concentrados e, por conseqüência, o custo de produção. Quem adotar tal procedimento será mais eficiente e terá maior rentabilidade.

SEBASTIÃO TEIXEIRA GOMES

Professor Titular da Universidade Federal de Viçosa

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VILSON MARCOS TESTA

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 02/11/2007

Parabéns pela matéria, que vou comentar partindo do seu título e do link "Para fazer ´brotar´ leite e aproveitar os preços favoráveis, alguns produtores têm exagerado no uso de concentrado e até de hormônios que estimulam a produção. Em alguns casos, a tecnologia adotada não tem sustentação no longo prazo".

Além da dimensão tecnológica, a ineficiência é mascarada ou alimentada também por, pelo menos, mais dois importantes fatores mercadológicos: (i) o pagamento do leite por volume e (ii) o pagamento de preços diferentes para diferentes regiões;

O pagamento do leite por volume, impondo diferenças de até 35% (15 a 25 centavos/litro) ampara tecnologias e estabelecimentos ineficientes, permitindo que a ampla maioria destes sobreviva às custas da transferência de renda que recebem dos produtores que vendem volumes menores (abaixo da mediana). Competitividade espúria.

De forma semelhante, observa-se que o preço do leite varia muito entre regiões do país, independentemente se o comprador é ou não o mesmo, por razões que vão do poder de barganha dos produtores aos impostos, entre outros.

E isto está longe de representar tão somente diferenças de qualidade. Basta ver na matéria do Cepea, em que o preço médio é, respectivamente 0,8125 e 0,6527 para as regiões Centro Oriental Paranaense e Oeste Paranaense, em que os primeiros ganham 24,5% (e 25% no preço líquido) mais que os primeiros. Ceteris paribus para qualidade e demais aspectos, essa diferença vai propiciar que se mantenham viabilizados produtores com graus muito distintos de eficiência e competitividade.

Produção a base de volumosos, com material genético e níveis de produtividade competitivos, mão-de-obra familiar e um ambiente institucional adequado, tende a produzir leite de boa qualidade e competitivo em custos e, com isso, alargar o consumo e propiciar maior competitividade da produção brasileira no mercado internacional.
ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/10/2007

Caro prof. Sebastião,

O seu artigo vai direto ao ponto. O produtor precisa gerenciar seu negócio para ter resultados nos momentos mais difíceis no que se refere aos preços de seus produtos e pensar o longo prazo.

O grande diferencial do sistema neozelandês de produção de leite é exatamente a filosofia de produção embasada na máxima eficiência dos fatores de produção, trabalhando principalmente com elevada produtividade da terra e da mão de obra.

A. Carlos de Souza Lima Jr.
Gerente de qualidade da Leitbom, professor da UEG, membro do Comitê Assessor Externo da Embrapa Gado de Leite e conselheiro externo da Fundação da UFG.
COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE LEITE DE ESMERALDAS LTDA

ESMERALDAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/10/2007

Prof. Sebastião, é importantíssimo este comentário, queria eu que muitos técnicos da extensão e outros que atendem a produtores de leite trabalhem para mostrar isto aos seus assistidos.

André Costa.
LUIZ FERNANDO BONIN FREITAS

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/09/2007

Parabens pelo artigo, professor Sebastião, sempre que posso procuro dar minha opinião sobre determinados assuntos e, atualmente estamos vendo o preço do leite baixar um pouco devido à atuação de tiradores de leite oportunistas que inundaram o mercado com um leite de má qualidade, utilizando-se de artifícios que não são demonstrativo de eficiência e rentabilidade.

A idéia é para que os verdadeiros produtores se planejem, aproveitando a situação mundial que não deve ter alteração nos próximos meses e, mesmo com o aumento dos insumos, temos condições de nos tornar-mos uma das grandes potências do setor, pois temos genética de ponta, excelentes técnicos, alimentos alternativos como a cana de açúcar, apesar de estarem querendo transformar alimento em combustíveis.

Reafirmo ser o leite segurança nacional, alimento para crianças e, consequentemente, futuro de qualquer país, que os nossos dirigentes tenham um pouco de decência e seriedade, que nós produtores planejaremos, investiremos em volumosos, alimentaremos, gerenciaremos este magnífico setor...
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