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Uma viagem pelo leite

Por Antônio Carlos de Souza Lima Jr.
postado em 08/11/2017

5 comentários
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Provavelmente alguns dos leitores irão se lembrar dos 10 artigos que fizemos analisando o leite no Brasil e que acabaram sendo compilados pela equipe do MilkPoint. Confira no e-book Brasil Leiteiro de Sul a Norte.

Curiosamente, fizemos quatro trabalhos recentes e consecutivos que nos levaram a percorrer quatro estados da federação iniciando pelo Norte (Rio Maria-PA) passando pelo Sul (Castro-PR) e concluindo no Nordeste, em Aracaju-SE e Oeste da Bahia. Apesar de se tratar de realidades muito distintas gostaria de compartilhar com os leitores esta experiência.

No Pará a agenda foi de treinamentos durante uma semana sobre a qualidade do leite para técnicos, transportadores, colaboradores da indústria e palestras para produtores e fornecedores de tanques coletivos de uma grande empresa de lácteos do estado, o laticínio Gvinah.
Uma viagem pelo leite
Treinamentos para técnicos da indústria e produtores de leite de comunidades do Pará

No Paraná a agenda foi de treinamento de gestão durante 8 dias para técnicos da Castrolanda e do SENAR que irão atuar com a metodologia de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), culminando com uma visita a uma propriedade de 17,2 ha com uma produção próxima de 1.000 litros diários.

Uma viagem pelo leite
Visita à propriedade da D. Neide e Sr. Benedito em Castro-PR

No NE, uma semana foi em Aracaju, onde atualizamos 12 técnicos do SENAR que atuam na ATeG, 8 dos quais já assistem 136 produtores há um ano com monitoramento técnico e econômico do processo produtivo. E outra semana foi um trabalho de consultoria master a convite do SENAR da Bahia para técnicos que assistem 116 propriedades usando a metodologia de ATeG do SENAR.

Uma viagem pelo leite
Todos os trabalhos foram muito interessantes porque o foco foi sempre o desenvolvimento do produtor, na respectiva região. Todavia, cada uma delas tem as suas peculiaridades, abaixo descritas.

Em condições normais, a região Sul do Pará é muito rica em pastagens tropicais com bons índices pluviométricos ao longo do ano. A densidade da coleta do leite por km rodado é, provavelmente, uma das mais baixas do mundo, conferido um custo logístico muito elevado para a sua captação.

Ao contrário, no Paraná, na região das Gerais, a produção de leite é muito concentrada em uma pequena região, onde temos uma das melhores densidades de coleta de leite do Brasil. A região é muito tecnificada e a cooperativa Castrolanda contribui muito para isso. Ela dispõe de um serviço técnico muito forte dedicado aos produtores nas diferentes cadeias de produção trabalhadas.

Na Chácara Nossa Senhora Aparecida, da D. Neide, que visitamos, são quatro os técnicos que periodicamente a visitam. Um técnico é especialista na qualidade do leite e faz o acompanhamento das Boas Práticas Agropecuárias (BPA), outro cuida da produção de forrageiras, outro levanta os dados para fazer gestão dos fornecedores além do técnico que faz o acompanhamento econômico. A assistência veterinária é realizada por veterinários conveniados com a cooperativa.

Em Sergipe, com pouca expressão na atividade leiteira nacional, a região reúne boas condições para a produção e tem uma localização estratégica tendo em vista o mercado nordestino.

Durante o treinamento realizamos uma mesa redonda com a presença de um profissional da Sabe Alimentos, Merinaldo Alves Bezerra, que fez uma apresentação sobre o mercado de meite regional e da Dra. Elizabeth Fernandes, do Núcleo Avançado da Embrapa Gado de Leite, na Unidade dos Tabuleiros Costeiros, que falou sobre a Embrapa e seus projetos e tecnologias para o setor de gado de leite para o NE.

A região Oeste da Bahia apresenta baixa média histórica de chuvas, ao redor de 600 mm anuais. A topografia da região e particularmente das propriedades visitadas é plana, favorecendo a mecanização. Os solos, baseado nas amostras vistas, têm elevada fertilidade. A presença de alumínio é zero, a saturação de bases elevada e os teores de fósforo e potássio, bons. O tamanho das propriedades é mais que suficiente para a atividade leiteira, tendo em vista a possibilidade de sua intensificação. Algumas propriedades são demasiadamente grandes.

O grande problema regional é a restrição de água. Mas de uma maneira geral, há disponibilidade de água subterrânea. Os poços existentes nas fazendas apresentam vazão que varia de 5 a 40 mil litros por hora. Cabe ao técnico focar em projetos de perfuração de poços, irrigação de áreas intensificadas de produção de pasto e reserva de forragens. Podemos considerar que é quase uma regra plantar palma já que se trata de uma forrageira com excelente adaptação regional e que cresce mesmo com restrição de umidade.

Outras forrageiras como a cana e o sorgo, quando irrigados, podem ser uma alternativa que contribui para a reserva estratégica de forragens. Em geral, a dependência de forragens compradas, como o feno e a silagem, não é uma boa decisão tendo em vista o seu custo elevado de aquisição. O feno - que não é de elevada qualidade - tem preços que variam de R$35,00 a R$70,00 o rolo de 200kg. A silagem de milho varia de R$160,00 a R$300,00 a tonelada.

Apenas para lembrar é nesta mesma região onde se encontra a Leitíssimo, uma das maiores fazendas de produção de leite do país, com produção de leite a pasto sob pivô. Um ponto, em comum, é que mesmo na região Sul, onde a atividade já apresenta um elevado nível de tecnificação, em todas elas as oportunidades de ganhos para toda a cadeia produtiva são grandes.

Começando pela própria produtividade da área que em quaisquer sistemas tem oportunidade de ganhos via aumento da produtividade das vacas e da intensificação da produção de pasto ou forrageiras para a sua suplementação nos períodos mais secos. A qualidade do leite, levando em conta a organização da coleta, particularmente no Norte e Nordeste, onde prevalecem os sistemas comunitários, deve merecer um trabalho focado tendo em vista a sua adequação à IN 62.

Os custos de produção, que como sempre são muito variáveis, são os indicadores que, através de uma boa assistência técnica e gerencial, representam a grande alternativa disponível para a tomada de decisão dos produtores orientados pelos técnicos. A ferramenta permite atenção especial aos investimentos que, de forma geral, traduzidos nos custos fixos (depreciação, oportunidade do capital empatado e o pró labore do produtor), “matam” aos poucos os produtores, começando por aqueles cuja escala de produção é baixa. Vale destacar que nos acompanhamentos realizados com dados resgatados os custos fixos costumam comprometer cerca de 30% dos custos totais, informação que apenas é percebida quando monitorada.

Um destaque para a metodologia do SENAR na assistência aos produtores é a realização do planejamento estratégico escrito. Baseado na metodologia do PDCA, ele permite nortear as ações planejadas com a ajuda do técnico. Dentre os 116 produtores assistidos no Oeste da Bahia 95% têm uma análise de FOFA (forças, oportunidades, fraquezas e ameaças) e dos objetivos, metas e meios definidos (no papel) a serem alcançados.

Na visita à Chácara Nossa Senhora Aparecida (Castro-PR) da D. Neide Barreto e do Sr. Benedito para fazer uma aplicação da metodologia de ATeG, o grupo conversou com os proprietários a fim de fazer um diagnóstico através de um resgate dos dados econômicos e percorreu a propriedade para realizar o inventário dos recursos. A partir daí, o trabalho consistiu em estudar a propriedade de maneira sistêmica com a obtenção de indicadores técnicos e econômicos e elaboração de um planejamento estratégico.

O lucro líquido apurado nesta propriedade, descontado depreciação, juros do capital imobilizado e a mão de obra familiar), foi de R$0,16 por litro de leite produzido, baseado nos dados de 2016. Para uma produção anual de 296.380 litros o lucro total foi considerável. Mesmo assim o diagnóstico permitiu identificar boas oportunidades de otimização das margens.

As intervenções técnicas e gerenciais nas fazendas de produção de leite precisam andar juntas para viabilizar soluções que venham impactar positivamente nos resultados da atividade e em benefício de toda a cadeia produtiva.
 

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Comentários

magno ferreira de oliveira

Rio Maria - Pará - Indústria de laticínios
postado em 08/11/2017

Foi uma enorme satisfação ter participado desse trabalho junto ao senhor e poder revelo. Como dizemos a semente foi plantada, ficamos esperançoso em colher bons frutos. Forte abraço.

Sávio Santiago

Lavras - Minas Gerais - Indústria de laticínios
postado em 09/11/2017

Não poderia haver melhor pessoa para fazer essa viagem;

Meu mestre,

Realmente estamos em um país onde as disparidades em relação a pecuária de leite são muito grandes, e começam a sangrar a cadeia como um todo;

Precisamos de mais 1.000 AntônioS CarloS para identificar, educar, orientar e propiciar sucesso aos nossos produtores

Parabém mais uma vez pela já costumeira excelência no que faz !!!!

Antônio Carlos de Souza Lima Jr.

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
postado em 09/11/2017

Obrigado Magno! "Não podemos deixar a semente morrer semente". Abraço.

Caro Savio. Gosto muito dos seus comentários e parabéns pelos artigos do seu Blog. Temos muito o que fazer para desenvolver os produtores de leite e ajudá-los a viabilizar seus negócios. Obrigado pelo comentário. Grande abraço.

Henrique Costales Junqueira

Indaiatuba - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 15/11/2017

Obrigado pelo artigo Antônio Carlos, é muito bom receber resumidamente uma visão do que acontece nesse mundão afora! Foi um prazer enorme fazer a abertura do treinamento em Castro, PR contigo.

Antônio Carlos de Souza Lima Jr.

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
postado há 8 horas e 32 minutos atrás

Caro Henrique,
Obrigado pelo comentário.
Foi uma grande satisfação ter estado com o amigo em Castro. Grande admiração pelo seu histórico profissional desde os tempos de VIçosa, quando nos conhecemos.
Até breve!
Abraço.

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