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"Vácuo" de oferta de leite em Minas e Goiás pode conter queda de preços

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E ALINE BARROZO FERRO

PANORAMA DE MERCADO

EM 15/10/2007

5 MIN DE LEITURA

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Com a queda do preço do leite UHT no atacado e varejo, além de um aumento de produção , o setor espera um recuo dos valores pagos aos produtores. Mas, do outro lado da balança, há fatores como a estiagem nas principais bacias leiteiras e aumento de custos com alimentação, que tendem a segurar os preços. Afinal, qual será o comportamento do mercado de leite?

Os valores pagos pela produção de agosto, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram uma desaceleração. Enquanto em julho houve aumento nos preços de R$ 0,06/l ao produtor (referente à produção do mês anterior), e em agosto de R$ 0,08/l, o mês de setembro registrou acréscimo de R$ 0,035/l.

Um dos motivos para a "reviravolta" do mercado foi a elevação acentuada no preço do leite longa vida. Esse fator causou uma redução do consumo, o que fez com que o varejo, para pressionar uma queda de preços na indústria, retivesse as compras durante o mês de julho, em que há férias escolares e, portanto, menor consumo. A diminuição das compras do varejo provocou uma redução de preços da indústria. Com o vínculo que há entre o preço do leite longa vida e outros produtos no mercado (como queijos, leite em pó etc.), estabeleceu-se uma tendência de queda no setor.

Gráfico 1. Evolução dos preços do leite pago ao produtor e do leite UHT (longa vida) vendido no atacado de São Paulo, em reais por litro.


Juntamente à pressão do varejo para reduzir o valor do leite longa vida, houve uma maior produção de leite em virtude do uso mais intenso de ração e alimentação conservada pelos produtores, impulsionados pelos elevados preços do leite no mercado.

Além disso, a safra do Sul do país, que já chegou ao pico, aliada ao aumento de produção no Sudeste e Centro-Oeste, proporcionou algum excedente de oferta de leite nos últimos meses, principalmente no leite longa vida. A região enviou aos outros estados elevada quantidade desse produto, entre outros lácteos, a valores mais baixos, contribuindo também para uma redução dos preços no mercado. No primeiro semestre do ano, a região Sul foi a principal responsável pelo aumento da captação em relação ao mesmo período de 2006, segundo dados da Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE. Os números apontam um acréscimo de 212,7 milhões de litros.

Por esses motivos, os estoques principalmente das indústrias de leite longa vida começaram a aumentar. De acordo com agente do setor, muitas empresas que destinariam o leite a esse mercado, atualmente, preferem vender no mercado spot (comercialização entre as empresas), visto que as indústrias de queijos e de leite em pó estão cheias e a produção de leite longa vida poderia pressionar ainda mais os preços do produto.

E nesse mercado, os valores também vêm sendo reduzidos. Segundo agentes, em Goiás, o leite spot está na faixa de R$ 0,76/l sem ICMS. No Sul, os valores são ainda menores - o leite chega a ser ofertado por R$ 0,55/l com frete incluso.

Desse modo, o cenário aponta para um momento de queda de preços também aos produtores, mas a proporção disso ainda é incerta. Os laticínios sinalizam diferentes reduções de preços para o pagamento em outubro.

De acordo com agentes do setor, há uma tendência de queda de preços, mas que deve ocorrer proporcionalmente ao que o produtor vinha recebendo. Por exemplo, se um grande fornecedor estava recebendo um valor acima de R$ 1,00/l, provavelmente a redução será maior. No caso de pagamentos mais baixos, pode ocorrer uma redução menor nos preços. Fala-se em redução desde R$ 0,05/l até quase R$ 0,20/l para o pagamento feito em outubro (referente à produção de setembro).

De janeiro a agosto, o preço médio do leite aumentou 0,31/l ao produtor, segundo dados do Cepea.

Gráfico 2. Aumento de preços pagos aos produtores por estado entre janeiro e agosto, em reais por litro.


No entanto, mesmo com a tendência baixista, há um fator que vem alarmando o setor e pode segurar a queda de preços do leite nos próximos meses: a estiagem do Sudeste e Centro-Oeste. A falta de chuvas nessas regiões está prejudicando a produção de pastagens. Aliado a isso, o maior fornecimento de alimento para o gado (normalmente utilizado nas épocas mais secas do ano) está acabando em muitas propriedades.

Tendo em vista que mesmo com a chegada das chuvas nessas regiões a produção de pastagens começa a ser satisfatória depois de aproximadamente 30 dias, espera-se que haja um "vácuo", até o início da safra, e neste período haja ainda uma redução de oferta de leite.

Há indício inclusive de alguma recuperação nos preços do longa vida, o que sinalizaria uma possível recuperação nas cotações, ainda incerta.

Também, não se pode ignorar que os preços mais altos de milho e soja encarecem os custos com alimentação e, em situação de queda de preço de leite, tendem a ser diminuídos nas dietas, reduzindo a produção. De acordo com dados do Cepea, o preço do milho no atacado de Campinas (SP) ficou, em média, a R$ 26,91/sc de 60kg no início de outubro (até o dia 5), valor 57,3% superior à média do mesmo mês do ano passado.

No caso da soja, no início de outubro a média do Cepea foi de R$ 39,35/sc de 60kg no atacado do Paraná, o que representa um aumento de 29% frente à média de outubro de 2006.

O volume de leite produzido no Sul, segundo agentes de mercado, não deve aumentar, mas a oferta pode seguir relativamente elevada na região em função das chuvas em diversas regiões produtoras, principalmente no estado do Rio Grande do Sul.

Para novembro, agentes do setor não acreditam em quedas acentuadas de preços, tendo em vista o cenário que pode ponderar essa tendência de redução. O mercado ainda dependerá dos fatores climáticos, que definirão a oferta de leite nacional.

O fato é que mesmo que o cenário não seja tão bom para outubro, os valores do leite ainda têm chances de serem sustentados pela estiagem nas principais bacias leiteiras, além do custo de produção mais altos. É comum ouvir falar que os preços do leite, mesmo mais baixos que os observados nos últimos 2 meses, fiquem acima dos obtidos no ano passado. Há quem aponte que chegaremos a dezembro com os preços de julho.

No mercado internacional, os preços do leite em pó recuaram levemente na primeira quinzena de outubro na Europa. Em contrapartida, tiveram pequeno aumento na Oceania. O leite em pó integral ficou em média a US$ 5.525/t na Europa e US$ 4.850/t na Oceania no período. No entanto, alguns agentes aqui no Brasil reportaram dificuldade em manter os valores anteriores nos novos contratos.

De acordo com dados da LTO Nederland, o leite pago ao produtor na Nova Zelândia e Nos Estados Unidos houve um leve recuo de preços entre julho e agosto, enquanto na Europa teve novo aumento.

Gráfico 3. Evolução dos preços do leite pagos ao produtor, em dólares por quilo.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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JOSÉ ANTÓNIO PIMENTA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/11/2007

Temos ainda um caminho a percorrer, a falta de cooperativismo entre os produtores faz com que as indústrias brinquem com nosso suor; suor este que por vezes é bem árduo.

Não sei se alguma vez conseguiremos ter voz ativa no preço, é bem certo que estamos a atravessae uma fase boa, mas resta saber até quando vai durar, qual será a escala da matéria-prima para a pridução.
ANTONIO SERGIO VAGULA

SIDROLÂNDIA - MATO GROSSO DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 04/11/2007

Marcelo e Aline, parabéns pela bela reportagem, precisamos mesmo destas informações, para podermos levar aos produtores. Para terem um incentivo a mais em aumentarem a produção de leite.

O estado está caminhando ainda meio que lentamente nesta atividade, mas confiamos que seremos um grande produtor de leite. Estamos ao lado do produtor, procurando incentivá-lo e ainda mais levando informações, orientações a eles, que na verdade estão bastante desamparados.

Mas com certeza com muita força de vontade, dedicação, união entre muitas entidades, além do MilkPoint, chegaremos lá.

Abraços,

A.Sergio Vagula
Técnico e Revenda
DELAVAL
GUSTAVO HENRIQUE BARROS NERIS

PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/10/2007

Parabéns pela reportagem, acho que em poucos artigos se falou tão claro sobre o mercado do leite e seus derivados, acho que ficou só devendo por uma análise dos preços da minha região (Pernambuco).

É engraçado e ao mesmo tempo revoltante, vendo o meu leite a duas empresas, uma delas é uma empresa grande, que vem reduzindo o preço do leite desde a primeira quinzena de setembro, até esta segunda quinzena de outubro houve uma redução de R$ 0,25 por litro. Estou recebendo R$ 0,52/l. A outra empresa é um laticínio menor, que no mesmo periodo reduziu somente R$ 0,10 centavos; ela me paga R$ 0,68 por litro. Simplesmente não entendo como isso pode acontecer, preços tão diferentes na mesma região, me parece que quanto maior a empresa, mais ela se aproveita do produtor.
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/10/2007

Caros Marcello e Aline,

Parabéns pela análise. A seca está realmente brava, e há previsões que se prolongue pelo mês de novembro. Na minha região, o final de 2006 e início de 2007 foi um período crítico em termos de chuva e principalmente de distribuição de chuvas, agravado por problemas de temperatura (frentes frias) e iluminação (tempo encoberto), prejudicando o crescimento dos pastos, o que levou a consumir silagem durante o período "das águas" para não prejudicar o manejo dos pastos.

Estou com os pastos fechados para manter uma massa foliar mínima para poder contar com uma recuperação de pastagem em 20/25 dias a partir do momento que efetivamente puder contar com chuva. Para sustentar o gado confinado tive que comprar feno e bagaço de cana de açucar e ajustar os concentrados, o que naturalmente elevou meus custos de produção. Pelas informações que tenho, muitos produtores enfrentam a mesma situação. Me parece que os fatores climáticos induzem realmente a pensar num "vácuo na oferta de leite".

Mas será que realmente chegou a haver excesso de oferta no mercado que justificassem a baixa dos preços ao produtor? As condições climáticas não favoreceram a oferta. Os preços no mercado internacional de lácteos sinalizam que demanda de lácteos está aquecida, que poderia absorver eventual excesso de demanda no mercado interno. Na mídia nacional vemos até mesmo o consumidor de baixa renda optando por produtos mais caros, como geladeiras "froost free" com água gelada na porta.

Há indícios que a baixa nos preços foi orquestradas por supermercados, utilizando-se do seu grande poder econômico, visando baixar o preço do leite UHT, que é o leite mais vendido por esses estabelecimentos que dominam o comércio de generos alimentícios.

Creio que de forma geral os produtores deveveriam se preocupar com a resposta a essa pergunta, e pensar no seu relacionamento, com suas organizações representativas e com indústrias e cooperativas, no sentido de verificar se existe efetivamente parceria possível para enfrentar pressões do grande varejo no sentido de manipular o mercado de leite.

Em função dessa dúvida, pergunto se seria possível que vocês apresentassem matéria analisando os dados gerais das exportações e consumo de leite e lácteos no mercado interno comparativamente à produção nesse período recente para que pudessemos ter uma visão geral da demanda e oferta de leite e lácteos. Seria muito bom que nessa análise explicasse a origem e a confiabilidade dos dados de demanda e oferta utilizados na análise.

Um abraço

Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da Leite São Paulo
TIAGO MORAES FERREIRA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/10/2007

Marcelo e Aline;

Acredito que o ano de 2007 será um marco para pecuária leiteira.

O produtor mais do que nunca deve se unir e buscar a qualidade de leite, assim terá poder de eliminar as empresas não idôneas do mercado.

Abraços,

Tiago Moraes Ferreira
Veterinário
AROLDO AUGUSTO MARTINS

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/10/2007

Tudo mostra tendência favoravel para o produtor , mas só esqueceram de avisar o cartel do leite do Brasil foi escrito minusculo proposital pois é assim que os produtores são tratados.

Uma cooperativa de Morrinhos - Goiás, baixou o preço do leite em $ 0,14 centavos, isso porque aqui em Goiás não está chovendo, o trato já acabou e a ração está um absurdo.

Coperativa de produtores só serve para ter benifícios fiscais, pois está claro que fazem parte do cartel do leite. Não vejo a hora de sair dessa atividade em que o produtor rala, e os laticinios e mercados ganham o dinheiro.

Desculpa pelo desabafo, mas é duro ordenhar 3 vezes ao dia de segunda a segunda, das 4h às 20h e ser humilhado, ou ser confundido por babaca, já que o estoque mundial está baixo e o consumo interno aquecido. Qual será a desculpa agora?
GIOVANI ANTONIO FERRONATO

CASCAVEL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/10/2007

Sem dúvida é muito triste ver o preço do leite cair. Afinal quem não gosta de estar perto de gente alegre e satisfeita com aquilo que faz na profissão que ama.

Como tudo o que sobe desce, o leite subiu e agora está descendo. Mas a maior tristeza é saber que todos falavam em ótimos preços por 2, 3 e até 4 anos, talvez até ocorra, analisando uma média anual dos preços, mas que a queda seria tão próxima e tão grande ninguém imaginou.

Aqui na minha região os laticínios falam em queda de R$ 0,10/l para o leite que está sendo entregue em outubro com pagamento em novembro. A chuva voltou e logo teremos o bom verde das pastagens de volta.

Sempre tive medo desta alta de preços meio repentina, e, sinceramente, nunca acreditei que isto seria por muito tempo. Lembro sempre os meus clientes do que aconteceu com a soja há alguns anos, usando como uma exemplo para que eles não caíssem na impolgação e fizessem grandes dívidas. Ainda acredito que o leite é um grande négocio e sempre será mas sem atitudes loucas.

Giovani A. Ferronato
Representante Comercial - Produtos p/ inseminação artificial
Cascavel - PR
ROBERTO TRIGO PIRES DE MESQUITA

ITUPEVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 19/10/2007

Amigos,

Enquanto os produtores continuarem negociando baseados no sistema de remessa para comercialização sem preço definido, pouco do valor agregado na época de demanda maior do que a oferta vai ser creditado na sua conta corrente pela usina compradora, enquanto 100% (as vezes até 120%) da queda dos preços durante a safra será inexoravelmente repassado em seu prejuizo.

Para sair disso só uma solução, ou seja, negociar contratos firmes no mínimo por um ano, durante a escassez.

Por que será o produtor prefere ter o seu produto comprado, ao invés de vendê-lo? Por comodismo ou por burrice?

JOSÉ GERALDO

PEDRO LEOPOLDO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/10/2007

Muito bom o artigo!

Parece brincadeira, o produtor sempre paga a conta dos aos altos e baixos do leite. Quando mercado fica aquecido as fabricas ganham dinheiro, porque já compraram o leite barato do produtor; o leite nem caiu de preço, já pagam menos o produtor, sem nem pestanejar, não olham os preços dos insumos e materiais para alimentação dos animais adquiridos pelos produtores, eles que se lasquem.

Na minha opinião todos os produtores de leite principalmente os pequenos que são pequenos apenas no nome, porque juntando tudo se tornam grande, deveriam abandonar a produção de leite e deixar o mercado se virar com a falta do produto no mercado.

Estou pensando seriamente em parar de produzir leite e migrar para criação de ovelhas. Porque se o preço da ovelha cair, abato-as e coloco no freezer para o meu consumo própio e dos vizinhos. Não aguento mais sofrer, pagando para trabalhar.
FABIO LAFETA REBELLO FILHO

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/10/2007

Bela reportagem, gostei muito. Também concordo com os senhores, o preço do leite pago ao produtor não subiu nas mesmas proporções que os produtos lacteos.

Nós produtores tivemos altas de preços gradativos, e não tivemos preços de leite a R$ 1,30, mas as indústrias, e principalmente os supermercados, aumentaram em muito os seus lucros. Comprei leite longa vida a R$ 3,10 o litro, cadê os meus R$ 1,50?

Então a indústria e o supermercado devem adequar as suas margens, porque o produtor não abocanhou essa grande fatia. Preço de leite a R$ 0,70 tende a permanecer, é apenas balizamento de margens que havíamos perdido. Todos estamos diminuindo concentrado e não esperem uma grande safra. Janeiro preços voltam a subir.
JOSE RONALDO BORGES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/10/2007

Eu calculo a minha produção de leite para gastar no máximo 30% do leite com ração. Se o preço do leite diminuir e o da ração aumentar, o que está acontencendo, a produção irá diminuir e ajusto o custo fixo para "caber" no restante dos 70%.

Se for o contrário, preço de leite aumentando e a ração ficar constante ou reduzir, a produção de leite irá aumentar. Simples, mas eu não fico estressado para pagar as contas. Os latícinios é que tem de ficar estressados se vão ter ou não leite para as suas indústrias.
AGROPECUARIA TIO BILI LTDA

SANTO ÂNGELO - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 18/10/2007

Até quando o produtor vai entregar leite, vão depositar na conta dele, e depois de todo esse processo ele vai saber o preço que foi pago por litro de leite.

Isto não existe, voce produzir, entregar, e depois de quinze dias saber quanto vai receber pelo litro de leite.

Qual é atividade rural em que acontece isto?
SEBASTIÃO ABÍLIO CURVÊLO

BOM CONSELHO - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/10/2007

O produtor de leite do agreste meridional do estado de Pernambuco está nas últimas condições financeiras de sobrevivência. Eu, por exemplo, vendia leite ao preço de R$ 0,77 no mês de setembro e agora chegou ao patamar de R$ 0,52 (leite ordenha mecânica-canalizada e resfriado). Sem falar no aumento de soja, milho, caroço algodão, etc.

Dizem que nossa esperança vai ser a Perdigão, que está implandando um centro de distribuição e melhoramento de leite para o nordeste em nossa cidade.

Vamos tenter sobreviver para ver em que vai dar. Mais um desabafo de produtor de leite, grato.

Sebastião A. Curvelo
(Produtor leite Bom Conselho-PE)
ANDRÉ LUIZ DALA PAULA RAMOS

TEÓFILO OTONI - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 17/10/2007

Houve uma euforia dos produtores sobre o valor pago pelo litro do leite aqui na região (agropastoril de Itapetinga e Vitória da Conquista), inclusive com o aumento de solicitações de financiamentos de projetos beneficiando a bovinocultura de leite. Claro que analisamos os projetos detalhadamente, diferenciando os aventureiros e os empresários rurais.

Enfim, hoje, há déficit de leite na região, devido à estiagem e à falta de planejamento estratégico dos produtores (alimentação). Assim, acredito que até o final do ano não haverá grande queda do valor pago aos produtores, visto que até lá as pastagens ainda não estão totalmente recuperadas e a produção do produto ainda estará baixa.

Sds,

André Dala Paula
Méd. Veterinário - Banco do Nordeste do Brasil
Vitória da Conquista - BA
NEVIO PRIMON DE SIQUEIRA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/10/2007

Marcelo e Aline, parabéns pelo artigo. Sem a intenção de ser arrogante ou dono da verdade, mas eu realmente já estava prevendo essa queda nos preços do leite e de forma mais rápida. O que colaborou para meu erro foi a seca, que de certa forma segurou um pouco a queda.

Ao meu ver, o grande problema dos valores do leite pagos ao produtor no Brasil, sempre foi e continua sendo a produção estacional. Aquela produção oportunista, que além de produzir matéria prima de baixa qualidade, derruba os preços pagos àqueles que se dedicam à produção leiteira de forma mais profissional.

Foi o que aconteceu no inicio de 2006 (se não me falha a memória), quando os preços do leite se mantiveram na safra (janeiro de 2006), sem pagamento de "leite extra-cota" pelas usinas. Somente isso bastou para que a produção de leite se elevasse e teve forte queda nos valores pagos em julho (em plena entre-safra), jogando um balde de água fria em quem estava achando que ia recuperar parte do prejuízo anterior, ou para os mais profissionalizados, ficar com uma margem mais folgada.

Na verdade o que se vê, é que infelizmente os esforços para proteção do produtor e do produto de boa qualidade não tem surtido os efeitos desejados. A IN 51 ainda não decolou, permitindo a colocação de leite de baixa qualidade no mercado, geralmente de produtores não especializados, sem controle sanitário dos animais, sem controle algum das instalações e higiene para ordenha e manuseio do leite, acabam por inundar o mercado, prejudicando assim o equilibrio de produção e demanda.

Com certeza, se a seca não estivesse tão intensa, os preços do leite ja teriam recuado mais, pois teríamos mais vaquinhas curraleiras sendo ordenhadas, produzindo de um a três litros cada uma delas, com seus bezerrinhos passando fome, com o leite conduzido a alguma pequena (ou média) usina em latão, por caminhões que não mais deveriam existir, sem cobertura, no meio do dia (pois a distancia geralmente é grande).

Na minha opinião, a única forma de equilibrar os preços do leite, seria realmente a criação de barreiras sanitárias e logísticas para produtores de leite, dificultando assim a entrada de produto de origem duvidosa. Ainda vemos no estado de São Paulo caminhões de leite "à moda antiga", e na época de bons preços eles se multiplicam. Se a fiscalização é ineficiente, sejamos nós, os produtores profissionais os fiscais, denunciando os comerciantes que se aproveitam do mercado para captar e colocar no varejo produtos de qualidade duvidosa.

Somente assim estaremos defendendo os nosso interesses, pois reclamações ao vento não produzem resultados. Não seria nada além da famosa choradeira dos produtores de leite, que de tão velha, não tem mais credibilidade.

Abraços,

Névio Primon de Siqueira
Qualipec Gestão de Rebanhos
Medico Veterinário e produtor
ESDRHAS SESTAK RODRIGUES

SÃO JOSÉ DAS PALMEIRAS - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/10/2007

Que coisa de louco este mercado de leite. No começo do inverno foi aquela euforia. Leite vai ter preço bom para os próximos dois anos. Neste pagamento referente ao mês de setembro veio uma baixa de R$ 0,07/l.

Fui questionar o técnico da minha cooperativa e ele disse que as vendas perderam forças, e que as mercadorias estavam paradas nas prateleiras dos mercados, e foi precisso abaixar o preço pago ao produtor.

Conversando com ele cheguei a uma conclusão! Que os varejistas estão colocando uma margem muito grade, chegando uns com até 100%. Aí fica difícil.

Na minha região, a seca prejudicou bastante, fala-se em uma quebra na produção en torno de 30%, em dezembro já poderiamos ter silagem, mas agora só em fevereiro.
AFONSO CAMILO DE MAGALHAES

OUTRO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/10/2007

Caros Marcelo e Aline,

Parabenizo vocês pelo exelente artigo. Em nossa região, Campo das Vertentes, não acreditamos em uma queda brusca, tendo em vista a falta de chuva.

Diante dessa situação, estamos enfrentando uma certa dificuldade com o fornecimento de volumosos, devido aos nossos estoques de silagem estarem no fim.

O fornecimento de leite de nossa cooperativa teve uma queda de 5%.

Abraços.

Afonso Camilo Magalhães, Diretor Presidente. coapro-rc (Cooperativa Agropecuaria de Resende Costa e Região).
FRANCISCO ALVES RODRIGUES

JURUENA - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/10/2007

Parabéns pela matéria. No meu ponto de vista, para conter esse efeito sanfona nos preços pagos ao produtor, nos resta nos unir e nos organizar, para podermos ganhar mais poder de barganha com maior volume de produção e aquisição de insumos. Sem união não tem solução.
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 16/10/2007

Marcelo e Aline, parabéns por mais essa panorâmica de mercado que vocês apresentaram, embasada em conhecimento muito profundo.

Interessante como as pessoas em diversas regiões do país, vêem a coisa por óticas tão diferentes, reagem também de maneiras bem singulares, uns amedrontados, outros com sentimento de frustração frente aos últimos acontecimentos em relação aos preços do leite e até alguns, que parece que estão fora deste mundo.

Eu, particularmente não creio que tenhamos uma queda muito brusca nos preços ao produtor, apesar da aproximação da estação chuvosa no Sudeste e Centro Oeste, trazendo com isso um aumento considerável na produção. A razão é simples: os custos dos insumos não acompanham os altos e baixos do leite em região nenhuma desse país.

Insumos só sobem, e por mais que o produtor minimize o uso desses, ele não poder prescindir deles, por exemplo, adubos, medicamentos, suplementos minerais, etc. Hoje, com o leite na faixa de R$ 0,75 para o produtor de leite industrial, já não deixa quase nada em seu bolso. Se voltar aos patamares do começo do ano, não é bom nem pensar no que poderá acontecer.

Quanto ao vácuo que vocês consideram que haverá ou que já está havendo em Minas e Goiás, de certa forma é até bom, para que a indústria se livre das caixinhas de UHT armazenadas para um eventual "dumpping" amanhã ou depois. Reitero aqui, mais uma vez: o produtor brasileiro e toda a cadeia produtiva terá que se aprimorar e produzir com mais qualidade e menores custos se quisermos, um dia, fazer frente aos grandes exportadores de leite do mundo e garantir nossa fatia de mercado lá fora, já que ninguém está vendo esse mecado de 180.000.000 de consumidores que temos aqui, bem debaixo de nossos narizes.

Enfatizo: o mercado exterior é controlado pela gigante Nestlé/ Fonterra e outras que nem imaginamos o tamanho, lá nos EUA, e é um engano achar que poderemos dominá-lo autonomamente. Temos sim, é que nos preocupar com o mercado interno antes que, em definitivo, sejamos controlados por ela também, apesar de ser a Nestlé, também aqui no Brasil, a maior e melhor organizada das empresas do setor e também, a que realmente tem o controle das exportações.

Abraços,
Clemente.
HELTON PERILLO FERREIRA LEITE

LORENA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/10/2007

Colegas Marcelo e Aline,

Muito boa sua análise. Foi real o aumento do preço do leite ao produtor no segundo semestre de 2007, mas quase só recuperou os preços de dois ou três anos atrás.

O preço atual corresponde a cerca de 25% da média de 1980, ou seja, passados 26 anos estamos recebendo um quarto do que recebíamos.

A recente alta dos preços do leite foi a grande notícia dos jornais, alguns chegaram a sugerir a redução do consumo ou que o leite era o responsável pela inflação.
Uma verdadeira campanha contra o produtor.

Nós produtores de leite não ditamos preços, estamos como um sanduíche aceitando os preços de antes da porteira (rações, medicamentos, máquinas, etc.) e ao mesmo tempo tomando os preços da pós-porteira (laticínios).

Vocês citam que a indústria de longa vida está estocada, a mídia já culpou a produção rural, o consumidor insiste em usar uma embalagem cara e poluente, mas prática e confortável, mesmo que o produto não seja tão bom. Os produtores somos desunidos, desconcentrados e desorganizados, mesmo dentro das cooperativas, o que podemos fazer?

Leite cru não pode ser estocado, soja e milho sim.

O preço do leite está diminuindo, vai diminuir mais, a chuva ainda não veio, os pastos estão ruins, a ração está mais cara...

Não se pode simplesmente economizar na alimentação da vaca, além de diminuir a produção afeta também a reprodução.

Se não há estabilidade de preços, como planejar? Não ditamos, apenas aceitamos preços.

Abraços
Helton P. F. Leite - Eng. Agr. - Lorena (SP)
MilkPoint AgriPoint