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Será o Pico dos Preços?

POR MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

PANORAMA DE MERCADO

EM 31/08/2004

2 MIN DE LEITURA

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Agosto chega ao fim trazendo o que, provavelmente, será o último reajuste nos valores do ano. Em média, os preços aos produtores aumentaram 1,7%.

As perspectivas são de preços estáveis para o pagamento de setembro, quando o produtor recebe pela produção de agosto.

Observe, na tabela 1, as variações nos valores pagos pela produção de julho (pagamento de agosto) e os preços brutos atuais do leite .

Tabela 1: Variação nos preços e valores médios pagos pelo litro de leite no mês de agosto, produção de julho.
 


Os atuais reajustes levam os preços médios de 2004 para valores nominais cerca de 2,8% acima dos preços praticados em 2003 no mesmo período - janeiro a julho. Em valores reais, considerando a inflação medida pelo índice IGP-DI, o produtor está recebendo 4,6% a menos em 2004, quando comparado a 2003.

Um indício de que a rentabilidade média do produtor de leite pode se reduzir ainda mais no decorrer deste ano em relação à de 2003.

No atacado, os preços do longa vida reduziram-se 4,8%, enquanto no varejo a redução foi de apenas 1%. Com isso, a margem de diferença entre os preços do varejo e preços do atacado foi para 21,5% em agosto, a maior diferença observada nos últimos 2 anos. Observe os preços do longa vida no atacado e no varejo nos últimos 13 meses.

 


Portanto, preços que caem para as indústrias, mas que se mantém para os consumidores. A estratégia do varejo é a mesma de sempre. Pressiona a indústria, que derruba os preços do longa vida, e traz o mercado para baixo. As redes varejistas aumentam as margens e usam o leite, em queda, para atrair consumidores.

A conta acaba nas mãos do setor produtivo, especialmente nas dos produtores.
O preço médio no mercado "spot", em Goiás, Minas Gerais e São Paulo, recuou 2,4%, refletindo a tendência esperada para o mercado dos próximos meses.

Para a produção de agosto, que será paga em setembro, cerca de 62% dos entrevistados acreditam em estabilidade nos preços, enquanto 23% acreditam na possibilidade de novos reajustes. E pela primeira vez nos últimos 5 meses os entrevistados começaram a falar em queda nos preços. Do total dos entrevistados, 15% acredita em recuo nos valores que serão pagos.

O produtor pode esperar, para o pagamento de setembro, ajuste nos preços de acordo com as características regionais. A indústria está pressionada pela dificuldade de compra e competição pela matéria prima, de um lado, e pela dificuldade de vendas do outro. Portanto, embora o cenário seja de estabilidade e tendência de queda a partir da produção de setembro, produtores em regiões com maior número de compradores poderão ser beneficiados com alguns reajustes. Por isso parte dos entrevistados ainda acreditam em alta.

Embora pareça redundância mencionar a competição regional, o mercado tem se comportado desta maneira nos últimos anos, especialmente nos meses seguintes à crise da Parmalat.

Considerando os ajustes de preços diferentes entre as indústrias, o valor médio da produção de agosto tende à estabilidade.

Desde outubro de 2003, este é o quarto mês em que é possível desenhar claramente o cenário de mercado para o próximo pagamento.

A tendência de redução nos preços fica para a produção de setembro, pagamento de outubro. A produção de leite ainda não estará no período de safra.

Se assim ocorrer, o comportamento dos preços em 2004 será o mesmo observado em 2003. Resta ao produtor torcer que as quedas não sejam tão bruscas.

MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

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JOSÉ ALMEIDA DE OLIVEIRA

MAJOR ISIDORO - ALAGOAS - EMPRESÁRIO

EM 10/09/2004

Em Alagoas, os preços do litro de leite tipo C para o produtor continuam de estáveis para alta. Ainda estamos na expectativa da safra do Sudeste quando sofremos as conseqüências. Para o leite resfriado, existe bonificação chegando até R$0,10 e a variação de preço final gira em torno de R$0,52 a R$0,57, dependendo de volume, fidelidade (somente do Produtor para a Industria) e etc. Continuamos defendendo a tese de que o Produtor e o Consumidor são os perdedores eternos! Em países de cultura elevada esses elos são protegidos, pois são eles que exercem papéis importantes na vida econômica, produtiva e política. Obrigado pela atenção.
LEONARDO MOREIRA COSTA DE SOUZA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/09/2004

Artigos desta natureza são de fundamental importância para a organização e controle da produção nacional. Parabéns ao autor.

Todavia, o único aspecto que não concordo é com torcida dos produtores para que os preços não caiam muito. Entendo que não deve haver torcida, mas sim organização e luta unida contra aqueles que desequilibram a cadeia. Já que na safra ocorre um aumento natural da produção, porque não tentamos reduzí-la neste período?

<b>Resposta do autor:</b>

Obrigado pelas suas falas. É uma honra recebê-las.

Concordo com a necessidade de organização do setor produtivo, é fato imprescindível. No entanto, são ações cujos resultados se observam no longo prazo. A curto prazo, infelizmente não se tem muito o que fazer, daí resta a torcida para que o mercado não recue bruscamente.

Um grande abraço

Maurício

MilkPoint AgriPoint