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Mercado: ladeira abaixo

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PANORAMA DE MERCADO

EM 03/10/2008

7 MIN DE LEITURA

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A paulada está vindo forte: em sucessão às quedas de preços de julho (-2,20%), agosto (-4,66%), o pagamento de setembro chegou com queda de 7,63% sobre os valores em agosto, acumulando uma redução de 13,88% em quatro meses. O valor recebido pelo produtor em setembro está 17,8% abaixo do mesmo mês de 2007 (gráfico 1). Considerando os preços corrigidos pela inflação, já são inferiores aos valores de 2004. E nada indica que no leite de setembro a situação vai melhorar: em algumas praças o leite a ser pago em outubro já assinala quedas de R$ 0,05 a até R$ 0,13. Se isso realmente se configurar, teremos tido uma retração bastante significativa em um espaço de quatro meses. E talvez venha alguma coisa a mais ainda.

2008, afinal vai tendo um comportamento parecido com 2005: preços começando o ano mais fortes, boas perspectivas, produção em alta e, em meados do ano, justamente na entressafra do Centro-Oeste e Sudeste, os preços perdem força e seguem ladeira abaixo.

Gráfico 1. Preços ao produtor, em R$/litro (fonte: Cepea).



Para explicar essa situação, é válido começar pela oferta. Os dados do IBGE indicam aumento de nada menos do que 13,9% sobre o mesmo período do ano passado. Isso dá cerca de 1,178 bilhão de litros a mais, coletados pelo Sistema de Inspeção Federal. No ano passado todo, em que a produção inspecionada cresceu 7,3%, foi colocado no mercado 1,22 bilhão de litros a mais. O gráfico 2 mostra a magnitude do aumento desse primeiro semestre.

Nota-se que tivemos 3 anos com aumentos substanciais: 2001 sobre 2000; 2005 sobre 2004 e 2008 sobre 2007, este último justamente o de maior aumento. Nestes três períodos, na seqüência do aumento da produção, houve forte queda de preços. Em 2001, apagão, crise na Argentina e 11 de setembro contribuíram para a retração do mercado. Hoje, nossa economia cresce mais e temos as exportações, mas 1 bilhão de litros a mais em 6 meses continuam sendo 1 bilhão de litros a mais em 6 meses... mesmo com o crescimento nas exportações, ficou muito leite no mercado interno.

A tabela 1 mostra o consumo aparente de leite nos últimos anos e no primeiro semestre deste ano. Nota-se que, de 2001 em diante, aumentamos significantemente a quantidade de leite formal consumida no mercado interno, passando de 79,15 kg/pessoa/ano em 2001 para 92,68 kg em 2007, um aumento de 17% no período. Só no primeiro semestre desse ano, disponibilizamos quase 50 kg por pessoa que, se extrapolados para o ano, dariam quase 99 kg/pessoa/ano, ou mais 6 kg para cada pessoa nesse ano.

Isso não vai acontecer, porque o acréscimo da produção no segundo semestre será bem menor do que no primeiro, quando a base de comparação (início de 2007) era muito baixa. De qualquer forma, esse leite a mais no primeiro semestre existiu e explica em grande parte o movimento verificado de junho em diante.



Tabela 1. Consumo per capita aparente de 2001 a 2007 e no primeiro semestre de 2008.



Mesmo com essa oferta mais alta, no decorrer do primeiro semestre, o leite pago ao produtor subiu mais do que os produtos no atacado. Como exemplo, o gráfico 3 traz a variação do leite UHT no atacado, que em junho de 2008 estava em um patamar 11% abaixo do mesmo período do ano passado, ao passo que o produtor recebia 22% a mais. Embora não tenhamos os dados de julho em diante, certamente o produtor perdeu essa valorização sobre 2007, mas muito provavelmente o leite UHT também foi ladeira abaixo, com negócios hoje na faixa de R$ 1,05 a R$ 1,40, dependendo da praça, contra valores médios de R$ 1,51/kg em junho.

As razões para essa discrepância já foram comentadas em outras ocasiões: disputa pelo leite pelos laticínios, visando ganhar faturamento e captação para valorização em uma futura venda (o mercado estava bastante aquecido); expectativa de 2008 repetir 2007 em relação à escalada de preços; preços internacionais em patamares bem superiores, com Venezuela mantendo compras a preços inclusive superiores à média do mercado internacional; aumento dos custos de produção, em especial a ração concentrada, que diga-se de passagem, subiu mais do que o leite ao produtor (ver novamente o gráfico 3).


Clique na imagem para ampliá-la.

Nada disso se materializou. Os preços no mercado internacional derreteram em um espaço de quatro meses, saindo de US$ 4.500/tonelada para menos de US$ 3.000/tonelada; o dinheiro secou, com o agravamento da crise financeira mundial; o consumidor brasileiro se viu frente a um aumento generalizado de preços, tendo seu poder de compra diminuído. Resultado: os preços não se sustentaram, nem no varejo (o IPCA da última semana mostra queda de 7,31% do leite longa vida no varejo), nem no atacado e, por fim e de forma mais dolorosa, nem ao produtor.

O que teremos nos próximos meses? É difícil fazer qualquer previsão nesse momento, pois o mundo passa por uma forte crise de confiança no sistema financeiro, afetando a economia mundial, cujos desdobramentos ainda não se conhecem totalmente. No cenário interno, há também divergências. Enquanto há quem considere que o pior já passou, outros acham que as quedas vão se prolongar à medida que a safra do Centro-Oeste e Sudeste aumente.

De qualquer forma, temos algumas pistas:
- a Fonterra realizou novo leilão ontem, com valor ao redor de US$ 2.830-2.900/tonelada, acima do preço de reserva de US$ 2.680/tonelada. Isso pode indicar que os preços lá fora deixaram de cair, embora logicamente estejam em um piso nada confortável (a valorização do dólar, porém, nos ajuda). Hoje, supondo mercado externo a US$ 3.100 e câmbio de 1,90, o preço de equivalência será por volta de R$ 0,60/litro. Se o dólar subir, fixando-se acima de R$ 2,00, a situação logicamente melhora.

- no mercado interno, é possível que os preços no atacado estejam atingindo os limites mínimos. O leite longa vida, conforme mencionado, é negociado entre R$ 1,05 e R$ 1,40/kg, dependendo do local, volume e marca (alguns apontam já leve reajuste); o preço dos queijos está estável, entre R$ 7,00 e R$ 8,50/kg (a greve em Rondônia talvez tenha ajudado, uma vez que o estado é forte produtor de mussarela), o leite em pó é vendido entre R$ 6,00 e R$ 9,00, mas há produtores menores vendendo ainda a preços mais baixos.

- como reflexo desse cenário, o leite spot, que parece estar difícil de comprar, talvez consiga manter os preços nessa primeira quinzena de outubro, apesar de estar em valores muito baixos, entre R$ 0,50 e R$ 0,60/kg, ou até menos, se falarmos do sul do país.

- a queda dos lácteos no varejo (principalmente longa vida), ocorrida em agosto e principalmente setembro, pode ajudar a escoar os estoques, que ainda são bastante grandes para leite em pó.

O que pode mudar essa análise? A entrada precoce das chuvas no Sudeste e Centro-Oeste pode elevar a oferta de leite e novamente desestabilizar oferta e demanda. Porém, a julgar pelos dados de captação de leite do Cepea (gráfico 4), o aumento previsto para o segundo semestre de 2008 será bem mais modesto do verificado no primeiro semestre. Em julho, o aumento sobre julho de 2007 já estava em 10%, contra mais de 25% apenas quatro meses atrás. Em agosto, somente 4,2% de aumento. E aposto em nova desaceleração: com o balde de água fria representado pela forte queda nos preços, a venda de ração já caiu e muita gente vai sair da atividade ou reduzir a produção, em especial o produtor que pegou carona no bom momento. O Sul, também, perde força a partir de agora.

De qualquer forma, seria muito importante que o setor tivesse formas de escoar a produção no mercado internacional (via PROP) ou aumento dos recursos para estocagem (via EGF), o que não parece fácil considerando o aperto na disponibilidade de recursos.


Clique na imagem para ampliá-la.

Pode-se argumentar que deixar de cair (ou cair só mais alguns centavos até o final do ano) não representa um cenário animador, considerando que os preços estão baixos. É verdade. Aqui, no entanto, vale uma análise: há fortes variações regionais nas cotações e entre produtores de uma mesma região, assim como na política de pagamento do leite por parte das empresas.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, há preços entre R$ 0,30 (isso, R$ 0,30!) e R$ 0,55/litro (há exceções a preços mais altos, em função da política de compra de leite das empresas); em MG, entre R$ 0,55 e R$ 0,75/litro. Todos tiveram redução de preços, mas a situação não está ruim da mesma forma para todos os produtores. Quem recebe hoje R$ 0,65 - R$ 0,75 pode não estar ganhando como antes, mas considerando que se trata de um mau momento, é possível conviver e manter a perspectiva de médio prazo, onde a situação deve melhorar. Já quem recebe R$ 0,30... Certamente, o pequeno produtor terá muitas dificuldades nesses próximos meses. Do lado positivo, expectativa de valores mais baixos para o milho, o que reduz os custos de alimentação e torna a situação um pouco menos desconfortável.

Em suma, alta oferta e baixa demanda são uma equação com resultado já conhecido: queda de preços, que acaba sendo repassada ao produtor, em função de seu menor poder de barganha, como já comentado nas dezenas de cartas recebidas nos últimos dias. Os próximos meses serão difíceis, mas o pior, espero, já veio, e de forma nada suave.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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JOÃO JACOB ALVES SOBRINHO

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/12/2008

Senhores,boa tarde
Só acredito em alguma ajuda do governo se fizermos pressão, ou seja, fazer uma barricada em frente ao congresso ou ao palacio da Alvorada, mostrando ao Brasil como estamos sendo roubados pelos donos dos laticinios e suas tropas e muito das vezes com ajuda do governo, onde liberam verbas para eles estocarem o leite, para depois pagarem ao produtor o preço que melhor convier, pois seus estoques estão cheios.

Infelizmente para os nossos politicos as coisas só funcionam se tiverem algum retorno na midia, nunca trabalham pelo proposito de ajudar a quem trabalha e sim se tiverem seus nomes pronunciados como salvadores da patria. Tenho vergonha de ser responsavel direto pelos politicos que temos, pois nunca deixei de votar e acreditar que um dia teríamos pelo menos um politico honesto, sério e que respeitasse quem trabalha.

Desculpe pelo desabafo e desculpe-me se existir um politico serio. Que o grande arquiteto do universo os ilumine. Ainda quero acreditar que existem e existirão politicos sérios.
SIDNEY LACERDA MARCELINO DO CARMO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 30/10/2008

Prezado Bernie Woodcock,

Gostaria de saber como é feita a coleta de leite na Nova Zelândia. Porque aqui no Brasil pelo menos o que tenho presenciado é que produtores que fazem o processo como manda o figurino têm recebido o mesmo preço de leite dos que ainda tiram leite mesmo sem curral (tiram leite na terra e não processam pós e nem pré dipping) diferenciando apenas pelo volume. Outro ponto que questiono é que o leite nas fazendas consideradas de boa a ótima qualidade são misturados aos leites de fazendas com qualidades inferiores quando coletados pelos caminhões de coletas, isto porque os caminhões não apresentam repartições individualizadas para separar o leite de boa a ótima do que ruim qualidade (Hoje no Brasil). Como se procede na Nova Zelândia a coleta dos leite e como as análises são feitas?

Ficarei muito grato por responder estas dúvidas.

Grato
Sidney
TATIANA ARAÚJO

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 30/10/2008

Marcelo,
Parabéns pelo artigo!
Cada vez mais percebo que se precisamos investir no marketing do leite. Precisamos juntar forças para trabalhar nesse sentido. Vejo pessoas ao meu redor reduzindo o consumo de lácteos, devido a informações erradas passadas por médicos.
Pode contar comigo nesse sentido.
Abraços
Tatiana
MARIA DE FATIMA

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/10/2008

triste! muitos triste a nossa situação!
CLARI PIEREZAN PEREIRA

VICTOR GRAEFF - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/10/2008

Caro Marcelo:

Uma análise com embasamento e com a propriedade de sempre, em termos de comunicabilidade.
Eu gostaria de chamar a atenção para o comentário do Christian Lima Severo, da Faz. Palmital. Creio que o Christian abordou um aspecto extremamente importante e crucial na problemática. Não se pode negar que existem inúmeros aspectos que lavam o produtor à uma condição desfavorável. No entanto, não se pode negar que existe uma boa parcela da classe produtora que tem uma visão de "ave de rapina" e discriminatória em relação aos vizinhos produtores. Já passei por situação semelhante. Por alguns centavos a mais, os produtores "desviavam" a produção, inviabilizando o pagamento de infra-estrutura de recebimento do produto. Não vamos ser ingênuos em pensar que não se deve ganhar mais e aumentar o lucro. No entanto, "torcer" para que o vizinho ganhe menos é o extremo do individualismo.

Estas atitudes de produtores rurais, citadas pelo Christian, servem para reflexão: a culpa por algumas situações que ocorrem, nem sempre está nos outros (até porque é cômodo jogar responsabilidade em terceiros), mas muitas vezes está na prática predatória que muitos produtores fazem com relação ao seu colega de profissão.
SERGIO BRAZ

MATEUS LEME - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/10/2008

Estou me preparando para entrar na cadeia produtiva e fico intrigado com tanto lamento, tanto choro, e me pergunto porque não mudar de atividade quando não estamos tendo lucro durante tanto tempo. Vou entrar porque gosto da fazenda, do gado e vou ganhar dinheiro na atividade, e caso não ganhe em poucos anos vou estar fora, não vou ficar chorando minha incapacidade e culpando os outros. Essa conversa de que só sei fazer isso não me convence.

Ou nos tornamos empresários, administradores capazes de tocar nossa indústria familiar de leite, bem administrada, enxuta, com parcerias com a EMBRAPA e outras entidades de pesquisa, tanto na área de campo como na área administrativa, ou vamos continuar chorando, lamentando. Visitei algumas fazendas em três anos de pesquisa, e vi de tudo, percebi por ex. que quase ninguém conhece a EMBRAPA em Coronel Pacheco, um dos maiores centros de pesquisa de gado de leite do mundo, tudo gratuito e a disposição.

Um fazendeiro me disse que não precisa da EMBRAPA, não valia a pena perder tempo com isso, mas já estava no terceiro sistema que ele mesmo tentou montar copiando os vizinhos e cheio de problemas.
Desculpem-me, mas vejo um negocio sempre como um negocio, tem que dar lucro, ninguém acorda as cinco da manha e vai dormir a meia noite cuidando de vaca ou qualquer outra coisa se não ganhar dinheiro. E se fazem isso por ai já e uma boa resposta para o vai e vem e fragilidade do leite.

Não podemos sonhar com resultados diferentes se fizermos as coisas sempre da mesma maneira, temos que ser criativos, ousados, eficientes, competentes se quisermos ganhar dinheiro com leite ou com qualquer outra coisa. Penso que nem todos estão preparados para crescer e ganhar dinheiro gerenciando. Infelizmente a realidade é essa. Como podemos pensar em mercado mundial, se ainda existem fazendeiros tirando leite no meio da lama sem nem mesmo lavar as mãos? É isso mesmo.

Na minha ignorância, vejo grandes possibilidades, sistemas silvipastoris, rebanhos menores com mais produtividade, diminuição de custos, multiplicar a qualidade atual, precisamos de genética, de técnica, mas os fazendeiros nem mesmo conseguem entrar em contato com EMBRAPA aqui pertinho. Não lêem, não se informam. Simplesmente copiam o vizinho e assim as coisas andam lentamente. Mais uma vez peço desculpas por minha opinião, dura e pode ate parecer desrespeitosa, mas e o que eu penso. Mercado é assim, quem quer ganhar dinheiro com qualquer coisa tem que ser bom.
FABIO GOMES DE SOUZA

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 23/10/2008

Bom dia a todos,

Acho que ainda é muito cedo para fazer qualquer previsão de mercado futuro, devido a esta crise mundial que estamos vivendo. Todos nós achávamos que leite este ano de 2008 estaria em patamares bem maiores do que estão, devido aos acontecimentos de 2007, e não aconteceu. Precisamos ser mais cautelosos e menos otimistas, deixar os fatos acontecerem. Os laticinios hoje estão que nem os fornecedores, aguardando melhoras.

Ate mais,

Fabio Gomes de Souza
PEDRO MARCOS TORRES

SANTOS DUMONT - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/10/2008

Marcelo,

Mais uma vez estamos nessa lenga lenga. Temos leis que não são executadas pelos nossos "Ministérios" (IN51-Código de Defesa Do Consumidor, etc). Temos leite mascarados (com soda, H2O2...). Temos leite Longa Vida que deveriam ser chamados de soro com leite, envasados em Industrias inspecionadas pelo SIF. Temos queijos ditos artesanais, produzidos com leite sem pasteurizar e com rótulos contendo etiquetas de inspecionado. Temos quejeiras clandestinas por todo Brasil, sem nenhuma inspeção e vendendo seus produtos nas principais Capitais.

É triste para um produtor de leite que levanta às 05:00 horas da manhã para sua labuta diária, 365 dias do ano ver o seu patrimônio ruir dia a dia e mesmo assim ter que continuar, pois é só isso que ele sabe fazer.
Pelo arquivo do MilkPoint, podemos recordar este ciclo de vai e vem dos preços do leite e que quando está em baixa é esta choradeira (falam até em CPI - que não se resolve nada), e quando está em alta, esquecem, até a nova queda. Será que não tem alguem ou alguma entidade que terá pena (sim pena) do produtor de leite.
ANTONIO LUIZ PAIVA VIANA

FORTALEZA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2008

A situação no Ceará é cada vez mais dramatica, senão vejamos, o grande produtor, para o nosso "pequeno desempenho", (em torno de 5.000 a 15.000 Litros) está conseguindo vender aos laticinios em torno de R$ 0,75 a R$ 0,78 o litro, enquanto que o PRONAFIANO, pequeno produtor, la nos recantos do nosso sertão, são obrigados a vender a R$ 0,57. É a inversão dos valores, o Governo Federal mantem por mais de 04 anos o mesmo preço do programa do Leite. É preciso uma mobilização ugente dos Produtores Rurais.
ALBERTO ADHEMAR DO VALLE JUNIOR

OUTRO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 22/10/2008

Marcelo,
Parabéns pelo seu artigo que analisa, como sempre, de maneira isenta, o que acontece neste conturbado mercado do leite e seus derivados. O aumento da produção verificado nos ultimos meses foi fruto do quanto o setor de laticínios ficou bom para todos, desde o produtor até a indústria e o varejo. Os bons preços fizeram com que até especuladores entrassem no negócio de laticínios.

Porém o entusiasmo de grandes aquisições e incorporações e a esperança do produtor que os preços continuariam tão bons quanto aos do segundo semestre do ano passado, fizeram com que o produtor investisse em melhor alimentação do seu rebanho acarretando um aumento de produção, desproporcional ao crescimento da demanda que, para alguns produtos, teve até diminuição da procura.

Com isso, o setor ficou superofertado de leite sem ter para quem vender. Como o que dita preço é oferta e procura, não existe mágica que faça termos preços altos para produtos com crescimento de oferta maior que o crescimento da demanda. O mercado internacional, que poderia ser uma forma de escoarmos os excedentes gerados, também entrou em colapso, com quedas de preços sucessivas organizadas pelos grandes players internacionais. Somos ainda bebês neste mercado, onde o Brasil passou a exportador tem pouco tempo.

E, pra piorar a situação, vem essa crise do sistema financeiro, limitando recursos e abrindo uma vala que não sei aonde vai chegar. O momento é de que sejamos ajuizados e torçamos para que a crise seja passageira e tenhamos melhores dias o mais breve possível. Acredito que, quem tiver juízo e administrar estes tempos difíceis, voltará a ter resultado na atividade leiteira, pois este setor sempre foi marcado por fases de abundância e escassez de esperança.

Queria também aproveitar para sugerir aos produtores de leite que se organizem melhor como classe que, às vezes, é penalizada por sua falta de organização. Nos ditos países do primeiro mundo a classe produtora de produtos agropecuários encontra-se bem mais organizada do que aqui no Brasil. No setor de lácteos, a grande maioria (de 90 a 100%) dos produtores de leite estão organizados em torno de cooperativas. Aqui no Brasil, infelizmente, menos de 40% dos produtores encontram-se organizados em torno de cooperativas. Isso faz com que o setor sofra com a concorrência que possui uma porcentagem maior sob seu domínio.
Porém, existem cooperativas bem administradas que, com todas as dificuldades da concorrência, conseguem gerar benefícios para os seus cooperados. Essas cooperativas possuem credibilidade e produtores fiéis ao objetivo para o qual a cooperativa foi criada.

Cooperativas mal administradas precisam ser fechadas, pois é o produtor que paga a conta para cobrir prejuízos. O produtor precisa entender que é ele que tem que colocar pessoas competentes para administrar o negócio que é seu. Ficar jogando pedra em cooperativas é próprio de quem não quer assumir responsabilidades ou não entende de cooperativismo.

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Junior,

Obrigado e parabéns pela carta, que sintetizou em poucas linhas o que ocorreu e alguns dos problemas recorrentes do setor.

Grande abraço,

Marcelo
JOSÉ DE JESUS SANTOS

SANTO ANASTÁCIO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2008

É uma vergonha para a classe produtora desse pais o que acontece com eles, e por culpa deles, pois nao se ve nos dias de hoje nem vendedor de pipoca na esquina que nao tenha seu preço de venda e nos produtores de leite vendemos por quanto querem pagarem, isso é pura culpa dos proprios produtores que sao desorganisados, desunidos e nao valorizam o que fazem.

Enquanto os produtores nao começarem a acreditar em sim proprios essa situaçao nao mudará de jeito nenhum, temos que ter uniao, falar uma mesma lingua, parar de entregar leite e sim vender leite pelo nosso preço e nao dos compradores, quando for para vender com prejuizo nao entregar o leite e sim deixar na propriedade, pois de qualquer maneira nao vai pagar as contas mesmo no final do mes, entao deixe estragar mas nao abasteça o mercado, para continuar como esta hoje, que é uma vergonha para nós produtores.
JAIRO JÚNIOR DA SILVA

SANTA VITÓRIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/10/2008

Acredito que quem está "pagando o pato" com esta crise é o "pequeno produtor" das "pequenas cooperativas de leite". Que são obrigadas a vender as sobras de produção aos grandes latcínios. Para igualar melhor esta diferença de preços de certa forma abusiva, "entre o menor/maior preço pago por litro" que esmaga o pequeno produtor forçando o mesmo a largar da atividade; Esta mudaça so aconteceria com a união entre as pequenas cooperativas e ate mesmo pequenos latcineos o que fortaleceria a classe. Ai sim poderiam competir de igual para igual com os grades laticinios.
JOSÉ APARECIDO DOS SANTOS

MARINGÁ - PARANÁ

EM 21/10/2008

Esta complicado, os únicos que estão levando vantagens são o supermercadistas e os consumidores, os demais, sem nenhum ganho.
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 18/10/2008

Boa Noite Marcelo e equipe;

Na última semana houve uma boa reação do leite longa vida, variando de 1,06 para 1,20 a 1,25 no mercado do Rio, algumas marcas já anunciam 1,35 para a semana que vem. Mussarela em Minas que chegou a R$ 6,70 já bate R$ 8,00 inclusive com baixa disponibilidade. Tive agora a pouco uma informação que o leite em pó ensaia uma reação para a próxima semana.
Eis a questão;
Será que o cambio alterado pela crise econômica mundial está enxugando nosso excesso que vem nos castigando desde junho?
Se isso se confirmar teremos alta de preços em novembro ou dezembro, não só pela reação do mercado mas porque nenhuma indústria vai se arriscar a perder leite em 2009, vamos aguardar.

Um abraço a todos

Sávio Santiago
FRANCISCO EUGENIO BARBOSA RAPOSO

SETE LAGOAS - MINAS GERAIS

EM 17/10/2008

Esta situação atinge o mercado de ração. Abraço. Francisco - Kiko - Representações Fábio Ltda - Sete Lagoas - MG
JOÃO ZIRALDO MAIA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/10/2008

No mundo globalizado não existem mercados isolados. Se a crise do mercado atingir a economia real, e é o que parece estar acontecendo com a já detectada desaceleração da economia mundial, não há como manter ou aumentar o consumo de leite, seja a nível nacional ou mundial. Os preços tendem a voltar para baixo dos US$ 2.000,00 (dois mil dólares americanos) a tonelada.

Não esqueçam que os efeitos da seca na Austrália e na Nova Zelândia já devem desaparecer no próximo ano, e a produção mundial vai crescer ainda mais.
O problema é o efeito manada. Quando o leite sobe, todos se aventuram em sua produção. Quando caem, os que podem (e querem) caem fora, e os que se identificam com o setor (eita cachaça danada) é que pagam a conta. Dias piores virão. Detesto ranger de dentes e arrastar de correntes, mas me parecem inevitáveis.
MARIA LUCIA ANDRADE GARCIA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/10/2008

Caro Macelo: continuam os números a resumirem as decisões dos que estão a frente da industria e do comercio de lácteos. Estatísticas captam o que já foi feito pelos agentes com poder e informação de mercado. Funcionam como registros de profecias auto-cumpridas. O produtor apenas sofre as consequências, por falta de poder de mercado e informação, e na falta deles, da nenhuma regulamentação da sua relação de fornecimento de matéria prima para a indústria.

O governo e "nossos representantes legais" têm sido muito tímidos em contrariar essa onda agora desfeita da chamada desregulamentação dos mercados. Já cansei do assunto, não cola porque infelizmente estavam todos (alguns ainda estão...) embarcados na cocaina financeira e nesse "espirito animal" sem cor nem alma do mercado "soberano". Agora com esse tsumnami financeiro é até possível que deterretidos os papeis e revelada a moeda falsa de todo esse crescimento recente ainda venhamos render homenagem às virtudes dessa fase cowboy do capitalismo, mesmo com o próprio sendo velado.

Melhor cada um cuidar da sua horta, como diria Panglós ainda bem que vivemos num pais tropical, bonito por natureza... Que beleza! Que beleza! Um abraço, Maria Lúcia.
EDSON AFONSO ALVARENGA

ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/10/2008

Minha cooperativa é meu bolso, meu bolso é que sustenta a comida da minha familia, o estudo dos meus filhos, a dignidade de pagar meus compromissos em dia. De ter a independencia de opinião e ter a coragem de exerce-la. NÃO sou bajulador e minha mercadoria que sustenta meu dia a dia é o leite, o laticinio, cooperativa ou não que me pagar melhor e ao mesmo tempo tiver uma boa qualidade de serviço, como captação de leite principalmente, pega meu leite.

Estas pseudocooperativas que se dizem reguladoras de preços, executam um preço abaixo do mercado, iludindo seus cooperados por um pseudo décimo terceiro.
EDMILSON JOSE SILVA

ARAXÁ - MINAS GERAIS - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 16/10/2008

Quando crises como esta, alias ciclicas e rotineiras, acontecem no leite, todos se perguntam e criticam o sistema, principalmente o cooperativista. Alguns com razão, pois são fieis, mantem e sustentam sua cooperativa para que os outros produtores levem vantagens individuais de acordo com o tamanho da produção ou até mesmo por serem pseudo lideranças e enfraquecerem os influênciavéis e sem conhecimento.

Sem nenhum pudor ou etica se sentem no direito de criticar apesar de só ter vantagem por existirem as reguladoras de preços lhes favorecendo. Olhem o mundo evoluido e vejam que a única saida é a cooperação!
EDGARD ANDRADE DE TOLEDO PIZA

ANDRADINA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/10/2008

Marcelo

Muito lúcida a contribuição do Sr. Edson Afonso Alvarenga . Por que fazer silagem a um custo exorbitante com os preços dos insumos na nuvens ? Se no ano que vem o preço do leite vier a pagar os custos de produção teremos dinheiro para comprar substitutos para a silagem. Para que se endividar com insumos caríssimos sem um horizonte de preço para o leite? O momento é de cortar custos e reduzir a produção para reequilibrar o mercado. Isto nós produtores estamos fazendo e é, a meu ver , a única alternativa para esta crise de superoferta . A alternativa de mandar vacas para o corte também é valida. Se o preço do leite continuar abaixo do custo de produção, engordar umas vacas para abate pode ser boa alternativa para quem lida com girolanda .

A longo prazo muitas coisas podem ser feitas. A curto prazo, a não ser que apareça um plano como este para salvar os bancos e o governo dê milhões a nós produtores, a fundo perdido, para cobrirmos nossos prejuízos, a solução é reduzir a produção.
MilkPoint AgriPoint