GDT 386: estabilidade de preços e novo interesse do Mercosul

GDT registra preço médio de US$ 4.291/t com leve alta no LPI e queda no LPD. Entenda os efeitos no Brasil e no fluxo de importações do Mercosul.

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No 386º leilão da Global Dairy Trade, realizado em 19 de agosto, o preço médio dos produtos foi de US$ 4.291 por tonelada, com o leite em pó integral (LPI) estável a US$ 4.036 e o leite em pó desnatado (LPD) caindo para US$ 2.756. O volume negociado foi de 36,5 mil toneladas, uma redução de 1,3%. Contratos futuros de leite em pó na NZX apresentaram queda, refletindo aumento da oferta mundial. O cenário internacional sugere estabilidade nos preços de importação para o Brasil.

No 386º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado nesta terça-feira, 19 de agosto, o preço médio dos produtos negociados foi de US$ 4.291 por tonelada, em um mercado que segue relativamente estável em preços e volumes.

Gráfico 1. Preço médio leilão GDT

 

O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado e referência de preços no GDT, apresentou estabilidade neste evento, com leve variação + 0,3%, ficando preço médio de US$ 4.036 por tonelada. Já o leite em pó desnatado (LPD) seguiu em direção oposta, com queda de 1,8% e fechando a US$ 2.756 por tonelada.

Gráfico 2. Preço médio LPI

 

A gordura anidra do leite (AMF) acompanhou a tendência do LPI e ficou praticamente estável - ligeiro avanço de 0,1%. O cheddar também oscilou pouco, com recuo de 0,5%.

Por outro lado, tanto a muçarela quanto a manteiga registraram quedas mais expressivas, de 2,7% e 1,0%, respectivamente.

Já o leitelho em pó e a lactose não foram negociados neste leilão.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 19/08/2025.

Produto

Preço (tonelada)

Variação

Leite em pó integral

US$ 4.036

+ 0,3 %

Leite em pó desnatado

US$ 2.756

- 1,8%

Cheddar

US$ 4.548

- 0,5%

Manteiga

US$ 7.144

- 1,0%

Mozzarela

US$ 4.447

- 2,7%

Índice GDT

US$ 4.291

- 0,3%

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.

 

Volume negociado mostra certo padrão

O volume negociado neste leilão somou 36,5 mil toneladas, uma pequena redução de 1,3% em relação ao evento anterior. O volume segue dentro da normalidade para esta época do ano, quando historicamente se observa estabilidade. Se o padrão dos anos anteriores se repetir, a tendência é de redução mais significativa apenas a partir de novembro.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.

 

Impacto nos contratos futuros

Os contratos futuros de leite em pó na NZX apresentaram retração nos preços para os próximos meses, estendendo-se até dezembro de 2025, invertendo o cenário visto nos leilões de certa valorização. Esse movimento reflete principalmente o aumento da oferta mundial de leite, que pressiona as expectativas de preço no mercado internacional.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2025.

 

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O cenário internacional mantém a tendência de estabilidade observada nos últimos três leilões do GDT. Nesse contexto, os preços de importação para o Brasil também devem permanecer estáveis, o que tende a diminuir a pressão sobre o mercado interno.

Além disso, na última semana, as atenções do Mercosul se voltaram ao leilão promovido pela ONIL (Escritório Nacional Interprofissional do Leite e dos Produtos Lácteos), organização argelina responsável pela gestão do mercado de laticínios do país. O órgão realizou leilões que chamaram a atenção pelo forte volume demandado: as especulações giraram em cerca de 35 mil toneladas de leites em pó negociadas somente do Mercosul, já que apresentam menos custos que a produção europeia, por exemplo. Esse movimento pode alterar a dinâmica das importações brasileiras de lácteos, redirecionando parte da oferta regional para atender à Argélia, diminuindo o volume exportado da Argentina e Uruguai ao Brasil.

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Material escrito por:

Vivian Batista Padilla

Vivian Batista Padilla

Zootecnista pela FZEA USP e Analista Jr. de Inteligência de Mercado no MilkPoint Mercado.

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