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Balança comercial de lácteos sofre novo recuo no mês de outubro

POR TIAGO DA CUNHA FARIA

PANORAMA DE MERCADO

EM 09/11/2021

3 MIN DE LEITURA

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Segundo dados divulgados na sexta-feira (05/11) pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o saldo da balança comercial de lácteos foi de -86 milhões de litros em equivalente-leite no mês de outubro, uma diminuição de 13 milhões, ou aproximadamente 17% em comparação ao mês anterior.

Porém, ao se comparar ao mesmo período do ano passado (out/2020), o saldo foi menos negativo, sendo que o valor em equivalente-leite nesse período foi de -169 milhões de litros, representando um aumento de aproximadamente 49%. Confira a evolução no saldo da balança comercial láctea no gráfico 1.

No mês de outubro as exportações se mantiveram estáveis, saindo de aproximadamente 7,1 milhões de litros em setembro para 6,7 milhões em outubro. Ao se comparar ao ano de 2020, as exportações tiveram uma queda de 5,2 milhões de litros, conforme mostra o gráfico 2 a seguir:

Do lado das importações, ocorreu um leve aumento entre os meses de setembro e outubro, passando de 80,1 milhões para 92,4 milhões, um avanço de 12,3 milhões, ou aproximadamente 15%, conforme mostra o gráfico abaixo:

Essa diminuição nas exportações e aumento nas importações acarretou no recuo do saldo da balança no mês de outubro com relação a setembro. Entretanto, se compararmos ao mesmo período de 2020, observa-se uma diminuição expressiva nas importações, passando de 180,8 milhões para 92,4 milhões, uma queda de aproximadamente 49%, o que impactou na diferença entre os períodos e resultou em um cenário menos negativo no ano de 2021.

Além da demanda interna fragilizada, a competitividade das importações vem perdendo força, conforme mostra o gráfico 4, o que tende a diminuir ainda mais o volume importado pelo Brasil.

Em relação aos produtos mais importantes da pauta importadora em outubro, temos o leite em pó integral, leite em pó desnatado e os queijos, que juntos representaram 78% do volume total importado. O leite em pó desnatado, o iogurte e o doce de leite foram os produtos que apresentaram maior aumento nas importações em relação ao mês anterior – um incremento de 82%, 179% e 99% respectivamente.

Os produtos que tiveram maior participação no volume total exportado foram o leite condensado, o creme de leite, os queijos e o leite UHT, que juntos, representaram 83% da pauta exportadora.

Produtos que apresentaram forte variação com relação ao mês de setembro foram o leite em pó semi-desnatado e o leite evaporado, que tiveram aumento de 704% e 73% respectivamente, embora o volume vendido ainda não seja tão significativo. Em compensação, o leite em pó integral e o soro de leite tiveram quedas nas exportações de 70% e 57%, respectivamente.

O que podemos esperar para o próximo mês?

Conforme demonstrado no gráfico 4, a competitividade dos produtos importados está diminuindo. Os resultados das negociações do evento 295 da plataforma Global Dairy Trade (GDT) apresentaram um novo aumento nos valores dos lácteos: +4,3% em relação ao último evento, com o preço médio fechando em US$ 4.207/tonelada. Esse aumento nos valores internacionais associados a uma taxa de câmbio que tem se mantido elevada no país (R$ 5,49 em 09/11) e preços dos produtos lácteos no mercado interno perdendo força, evidencia um cenário desfavorável para importações.

Além disso, o elevado custo do petróleo, faz com que países petrolíferos tendam a importar mais produtos, dentre eles os lácteos. Dessa forma, nossos principais fornecedores do Mercosul, tendem a direcionar suas exportações para esses países, como a Argélia – gerando menor disponibilidade para o mercado brasileiro.

Se esse cenário se manter, as importações nos próximos meses tendem a ser menores, e abre-se uma oportunidade de janela de exportação para os produtos lácteos brasileiros, podendo afetar o saldo da balança comercial de lácteos, alterando o seu sentido e voltando a ter números menos negativos.

As informações são do MilkPoint Mercado

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MARLUCIO PIRES

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/11/2021

Essa notícia soa como um tapa na cara do produtor. O leite entregue em outubro, sofreu a maior queda em valores absolutos desde que produzo leite, e a no mesmo mês, o déficit da balança aumenta. Como acreditar que essa queda imensa no preço pago ao produtor brasileiro se baseia na demanda enfraquecida depois dessa notícia?
TIAGO DA CUNHA FARIA

EM 11/11/2021

Olá Marlucio, obrigado pelo comentário.
Importante observar que, entre a contratação da importação e a chegada efetiva do produto, existe um tempo que pode chegar a 2 ou 3 meses; então, é bastante provável que os volumes que chegaram agora tenham sido negociados há alguns meses. Assim, acreditamos que a queda nos preços ao produtor tenha sido, de fato, motivada pela menor demanda (em função de vários fatores, dentre eles a situação econômica do país e os preços elevados ao consumidor final).
EM RESPOSTA A TIAGO DA CUNHA FARIA
MARLUCIO PIRES

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/11/2021

Então posso crer, que diante de uma demanda fraca, preço interno muito abaixo do produto importado, nesse mês de novembro não haverá contratação de leite no exterior, e daqui a dois a três meses o saldo da balança será positivo, com o Brasil exportando o excedente barato, e importando zero, já que o mercado nacional não consegue absorver leite acima de 2 reais
EM RESPOSTA A MARLUCIO PIRES
TIAGO DA CUNHA FARIA

EM 12/11/2021

Olá Marlucio, boa colocação. Esse cenário de preços internacionais elevados, taxa de câmbio alta e oscilante; e de baixa disponibilidade de leite do Mercosul (que está negociando parte de sua produção para países petrolíferos, como a Argélia) realmente tende a gerar um menor volume de importações.
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/11/2021

Considerando uma combinação de todos os gráficos, claramente há um novo ajuste entre a oferta e a demanda em 2021 x 2020, mais baixo em 2021, demonstrado pela clara queda do volume importado.
A queda gradual das exportações em 2021 reforça a busca do equilíbrio entre oferta e demanda, mostrando que é mais interessante vender aqui do que exportar, se a demanda "pede" ajustes pontuais na oferta.
Por outro lado, o importado claramente mais caro que o produto nacional a partir de setembro e ainda assim com leve aumento nas importações, mostra que o ajuste entre demanda e oferta navega entre o $ interno, $ da exportado e $ do importado, em uma sintonia fina desses três fatores, sempre em contrapartida à uma quarta, mas não menos importante variável, que é o poder de compra do consumidor..
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