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A pecuária leiteira depois da tempestade Parmalat

PANORAMA DE MERCADO

EM 20/07/2004

12 MIN DE LEITURA

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Por Maurício Palma Nogueira, Alcides de Moura Torres Júnior e Fabiano Ribeiro Tito Rosa 1

Passados mais de seis meses depois de que vieram à tona os problemas financeiros da Parmalat, segunda maior compradora de leite no Brasil, é possível estabelecer uma análise do impacto que a crise da multinacional deixará como herança no mercado de lácteos no país.

Apenas para relembrar, a notícia da crise da Parmalat no mundo, começou a ser veiculada em dezembro de 2003. De lá para cá a empresa foi protagonista de uma série de acontecimentos envolvendo a prisão de seus principais dirigentes italianos, o afastamento da diretoria em diversas unidades, intervenções administrativas, processos, atraso e falta de pagamento, demissão de funcionários, perda de participação no mercado de diversos produtos, perda de credibilidade junto a fornecedores e clientes, enfim, foram seis meses de fazer inveja a qualquer roteiro dramático de história cinematográfica.

Atualmente, estima-se que os passivos totais da Parmalat sejam da ordem de US$17 bilhões; uma crise difícil de ser administrada, experiência que está sendo vivida pela nova diretoria, que tem a difícil missão de saldar as dívidas a partir dos ativos.

No cenário nacional, a Parmalat deixou um espaço no mercado que lentamente vai sendo ocupado pelos concorrentes, tanto na compra do leite como nas vendas dos produtos industrializados.

Na captação de leite, segundo estimativas otimistas, a Parmalat reduziu o volume coletado em cerca de 67,5%. Em junho, com a reabertura na unidade de Santa Helena de Goiás, a Parmalat passou a captar 48% do volume médio que era coletado antes da crise.

Nas vendas, os produtos Parmalat vêm gradualmente perdendo espaço.

As fatias do mercado de leite em pó, leite condensado e leite longa vida reduziram-se significativamente. No final de 2003, a Parmalat, que chegou a representar 28% do mercado, detinha 18% das vendas de leite UHT (Ultra High Temperature). Operando aquém da capacidade operacional, a empresa vem deixando brechas para que concorrentes ocupem espaço que antes eram da multinacional italiana. Faltam produtos Parmalat em pontos de vendas no varejo. Apenas em janeiro de 2004, a queda de faturamento foi da ordem de 70%.

Mesmo assim, é interessante frisar que os preços de varejo do longa vida da Parmalat têm se mantido em torno de 13,5% acima dos preços médios dos leites longa vida, segundo acompanhamento de mercado da Scot Consultoria.

Esse comportamento confirma a pesquisa feita pela consultoria Gouvêa de Souza & MD, em abril, sobre o leite longa vida. A pesquisa revela que a grande massa consumidora não tem plena consciência do que aconteceu com a Parmalat.

A crise e os preços do leite

Logo após a veiculação dos problemas da Parmalat, os preços do leite ao produtor caíram significativamente em todo país. Vale lembrar que a ocorrência deu-se em dezembro, período em que os preços do leite já estavam em baixa.

Porém, com a crise da Parmalat, a queda nos valores pagos no campo acentuou-se. Na figura 1, o comportamento dos preços pagos aos produtores, média ponderada no país, e os preços negociados no mercado "spot". Os valores estão em reais nominais por litro de leite.

 


No decorrer de dezembro de 2003, os preços negociados no mercado "spot" caíram 37,3%. Os principais motivos para essa queda foram a sobra de leite no mercado e as inevitáveis especulações. Além da Parmalat reduzir as compras, os fornecedores, tentando fugir do risco de não receber, evitaram vender para a empresa.

Os maiores prejudicados foram as cooperativas, que há tempos têm se posicionado nas negociações do mercado "spot". Segundo recente censo divulgado pela Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL), em 2002 as cooperativas negociaram 40,6% do volume captado no mercado "spot".

Aos produtores, a queda nos preços superou o que era esperado para o final de 2003, um ano marcado pela retração da economia e queda no consumo. O consumidor perdeu cerca de 12,9% da renda em 2003, quando comparado a 2002 (Folha de São Paulo/Latin Panel).

O recuo de 16,25% nos preços do leite aos produtores, em relação aos preços de julho de 2003, superou as estimativas mais pessimistas, que giravam em torno de 10% de queda.

A dificuldade do período foi grande:

- Houve perda de receita em toda a cadeia leiteira, mesmo para produtores sem vínculo com a Parmalat.

- Os mais prejudicados foram os produtores da Parmalat - individuais, associados ou cooperativados - que além de não receberem por determinado período, prejudicando o fluxo de caixa, acabaram recebendo em produtos, como leite em pó e leite condensado, valorizados acima dos preços de mercado. Em 2003 a Parmalat contava com o fornecimento direto de 10.350 produtores.

Competitividade e recuperação nos preços

Assentada a "poeira" levantada por todos os acontecimentos, o mercado começou a se regularizar lentamente. No entanto, alguns fatos poderão ser negativos aos produtores de leite.

Especialmente depois da segunda metade da década de 90, as maiores empresas de leite do país passaram a investir na redução de custos operacionais, como transporte e coleta de leite. Foi nesse período que se intensificou a granelização e a premiação pela eficiência de produção. Em outras palavras, quem teve condições buscou atrair os maiores produtores de leite, com condições de reduzir os custos da indústria pela maior eficiência no ponto de coleta.

Em 1997, as três maiores compradoras de leite no mercado brasileiro (DPA/Nestlé, Parmalat e Itambé) operavam com um volume médio em torno de 110 litros por produtor. A média das 12 maiores empresas de leite era de 87 litros por dia por fornecedor.

Depois de 6 anos, em 2003, a média das 12 maiores empresas passou para 178 litros por produtor, um aumento de 104% no período. No entanto, o desempenho das três maiores foi mais significativo. A Itambé, com a terceira maior captação, melhorou o desempenho individual por fornecedor em 212%. Atualmente a média diária de produção por fornecedor da Itambé é de 343 litros. A Parmalat melhorou o índice em 99%, com o volume médio passando a 222 litros. A DPA/Nestlé apresentou o melhor desempenho. Com um aumento de 420% em seis anos, cada um de seus fornecedores produz, em média, 574 litros de leite por dia. Observe a figura 2.

 


Para entender como essa condição pode influenciar nos preços do leite ao produtor, em curto e longo prazo, é preciso analisar o cenário atual e a competitividade das empresas que atuam no mercado.

Em 2003, com a Confepar, a lista das quinze maiores empresas de leite do mercado passou a incluir 6 Cooperativas, ante 5 observadas em 2002. A Central Leite Nilza e a Centroleite também avançaram no ranking em 2003. Para 2004, a Itambé estará ocupando a segunda posição, ultrapassando a Parmalat. Com isso, os números confirmam a tendência de recuperação do cooperativismo observado nos últimos anos.

Mesmo assim, o censo organizado pela Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL) aponta para uma produção média de 95 litros por dia dentre os fornecedores das cooperativas. Entre as 6 cooperativas que integram a classificação das 15 maiores empresas do setor leiteiro, a média diária de produção dos fornecedores é de 155 litros.

Com exceção da Itambé, que goza de boa saúde para competir, as cooperativas são menos competitivas para enfrentar a agressividade das indústrias não cooperativas, especialmente da DPA/Nestlé, que disputa o espaço perdido pela Parmalat.

Com menores custos, melhor saúde financeira e mais capital disponível, as empresas não cooperativas oferecem melhores condições e preços para atrair os maiores produtores. Esses produtores geralmente migram de pequenas indústrias e cooperativas, reduzindo ainda mais a competitividade das mesmas e melhorando a saúde das maiores.

Em longo prazo, a competitividade facilitará a concentração das compras por poucas indústrias.

Atualmente, a maior compradora de leite detém cerca de 11% do volume negociado no mercado formal. Porém, é provável que ganhe espaço nos próximos anos, exercendo mais influência nos preços do leite.

Caso esse cenário se confirme, o resultado será a redução de concorrentes do mercado, com as mazelas característica de mercados oligopsonizados ou monopsonizados. A concorrência é importante e é por isso que a participação de cooperativas no provável fatiamento dos ativos da Parmalat seria interessante para o setor.

Em curto prazo, no decorrer deste ano, esse processo implica em preços melhores para os produtores de leite em regiões de competição entre as grandes empresas, especialmente em áreas de atuação da Parmalat onde exista interesse das maiores indústrias.

Isso já está ocorrendo. Há casos de produtores de 1,5 mil litros diários recebendo preços perto de R$0,70/litro, enquanto o valor médio no Brasil gira em torno de R$0,52/litro. Os preços pagos no mercado "spot" e ao produtor, os reajustes observados nos últimos meses especialmente no mercado "spot", confirmam o fato, veja na figura 1.

Em 2004, é provável que a pecuária leiteira possibilite excelentes resultados para alguns e péssimos para outros. Tudo dependerá do nível de competição na região em que o produtor está inserido.

Além da concorrência por espaço, o resultado das exportações e as perspectivas de mercado para 2004 também pressionam para alta nos preços do leite. Apesar da difícil previsibilidade, espera-se que os preços médios do leite de 2004 fiquem próximos dos valores de 2003. Resultados nas exportações e no mercado interno podem alterar esse quadro positiva ou negativamente.

No quadro 1, os atuais preços recebidos pelos produtores de leite nas principais praças do país.

Quadro 1: Preços do leite em R$/litro nas principais praças e na média ponderada do país. Média de 2004 e maio de 2004

 


Em valores nominais, os preços médios do primeiro quadrimestre de 2004 estão 2,2% menores que os preços do mesmo período de 2003.

Custos de produção

Para avaliar o impacto do cenário atual nas fazendas produtoras de leite, é preciso avaliar os custos de produção da pecuária leiteira.

A análise de custos da pecuária leiteira sempre traz alguns problemas conceituais, tendo em vista a enorme diversidade de sistemas de produção. Portanto, para se chegar a um número aceitável dos custos de produção, foi realizada uma estimativa com base em índices técnicos reais encontrados em diversas empresas de produção leiteira.

Os valores foram atualizados com os preços de mercado e extrapolados para as condições de uma empresa com produção diária de 5,5 mil litros e produtividade anual em torno de 17 mil litros de leite por hectare útil. A propriedade possui 120 hectares destinados à produção leiteira a partir de um rebanho estabilizado de 480 cabeças, das quais 235 são vacas em lactação.

Pelas características atuais de mercado, essa empresa estaria recebendo em torno de R$0,53/litro. Os valores mais elevados são obtidos para produtores com maior escala de produção.

No quadro 2, os custos anuais de produção estimados para essa empresa.

Quadro 2: Custos de produção, receita e resultados estimados para a empresa no período de um ano.

 


Fonte: Scot Consultoria
*1 Aplicação da taxa de 6% ao ano sobre o total dos bens depreciáveis imobilizados na atividade (máquinas, tratores, edificações, vacas, forragens, equipamentos, benfeitorias, etc).
*2 Aplicação da taxa de 6% ao ano sobre o valor total da terra.
*3 Custo operacional é a soma dos custos variáveis totais e dos custos fixos totais.
*4 Custo de oportunidade de uso do capital é a soma das remunerações do capital fixo e do valor da terra
*5 Custo econômico ou custo total é a soma do custo operacional e do custo de oportunidade do uso do capital.
*6 Diferença entre a receita total e os custos variáveis totais. Objetiva mensurar a entrada e saída de caixa.
*7 Diferença entre a receita total e os custos operacionais. Considera os custos variáveis e as depreciações, ou seja, a capacidade da empresa repor, substituir e atualizar o seu capital imobilizado.
*8 Rentabilidade é a relação porcentual entre o lucro operacional e o total imobilizado na atividade, incluindo o valor da terra.
*9 Lucro econômico é a diferença entre a receita total e o custo econômico ou total. Mensura os resultados incluindo os custos de oportunidade de uso de capital.

Como tem sido observado os últimos meses, a produção empresarial, com índices de produtividade em torno de 15 mil litros de leite por hectare por ano, fica no limite dos bons resultados. Para produzir leite com resultados, é preciso alta produção por área.

Mesmo assim, os resultados econômicos negativos indicam que a pecuária leiteira, nestes níveis de produção, ainda perde quando comparada com outras oportunidades de negócio. A comparação foi feita com a remuneração do capital a 6% ao ano. Essa remuneração normalmente é obtida com arrendamentos de terra.

A rentabilidade abaixo dos 6% confirma essa observação.

No quadro 3, os custos médios de produção por litro de leite. Na figura 3 são apresentadas as participações dos componentes dos custos operacionais de produção.

Quadro 3: Custos médios de produção por litro de leite.

 

 


Nas condições apresentadas, os custos econômicos de produção de leite continuam acima dos R$0,53/litro, o que corresponde a US$0,17/litro no câmbio atual. Um valor baixo, dadas as condições de produção do país.

O custo operacional, que cobre todos os custeios e as depreciações, é de R$0,47/litro nesse nível de produtividade.

Muitos analistas não aceitam que se use os custos de oportunidade do uso de capital para avaliar a pecuária leiteira. No entanto, é um custo que ocorre na prática. Quando o produtor se vê em condição financeira ruim em relação a outras oportunidades de produção, ele migra de atividade ou arrenda as terras.

Pesquisa e estimativa da Scot Consultoria apontam para perda de 4,9 milhões de hectares da pecuária para a agricultura nesses últimos anos. Só o Paraná teve sua área de pecuária reduzida em 17% frente às boas perspectivas de resultados com a agricultura.

Considerações finais

A recuperação do mercado e a concorrência para ocupar o espaço da Parmalat favorecerão o produtor tecnificado ao longo da entressafra.

Se as vendas externas não sustentarem o mercado, os preços recuarão significativamente no final do ano.

Para que os pequenos produtores e os menos tecnificados sobrevivam, o fortalecimento do cooperativismo é fundamental. Nesse contexto entram medidas que podem ser tomadas pelo governo brasileiro visando melhorar as condições de competitividade das cooperativas.

Embora ainda seja muito cedo, é provável que a Parmalat do Brasil prepare a recuperação dos ativos para depois vendê-los, tendo em vista a importância do mercado brasileiro. Duas razões parecem embasar essa hipótese.

Primeiro, a ausência do Brasil como país estratégico para a as ações futuras da Parmalat internacional.

Segundo, pelo próprio potencial de produção e de mercado no Brasil, dentro do agronegócio internacional. Não é mais lógico que os ativos com maiores possibilidades de valorização estejam por aqui? Sendo assim, para salvar a organização, a recuperação do valor e a liquidação da filial brasileira seriam estrategicamente interessantes.

Por isso que mesmo com a Parmalat recuperando as atividades no país, o que está ocorrendo gradualmente, a liquidação de seus ativos ainda parece ser uma tendência.

Para a pecuária nacional, seria interessante que os ativos, sejam plantas industriais ou mesmo marcas de produtos, passassem para as mãos de cooperativas administrativamente capazes ou, ao menos, que fossem pulverizados entre várias indústrias concorrentes. Uma maior concentração no mercado lácteo traria resultados negativos para o produtor no longo prazo.

________________________________________________________________
1Diretores da Scot Consultoria

Nota: Artigo publicado em julho na Revista Agroanalysis

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FERNANDO ENRIQUE MADALENA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 26/07/2004

Como sempre, uma contribuição da maior importância. Disso é que precisamos, de simulações do desempenho econômico baseadas em dados reais e não tirados da cabeça dos articulistas. Se possível agradeceria esclarecimentos sobre a composição do rebanho de 480 animais simulado no Quadro 2. Quantas vacas, 235 em lactação + quantas secas (45?) e quantas novilhas entram ao rebanho anualmente (100?). Também não entendi a razão da depreciação do rebanho. Se estiver estabilizado não depreciaria, ou estou equivocado?

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado professor Fernando Madalena

Inicialmente agradeço o elogio sobre os critérios que utilizei. Realmente, todos os índices e demandas (insumos e serviços) foram dimensionados a partir de dados reais encontrados a campo.

Quantos às suas dúvidas, as vacas secas quantificam 59 animais nesta simulação. Considerando um rebanho estabilizado, o que considerei na simulação, estariam entrando 45 novilhas, anualmente, em produção.

No entanto, na prática, a maior parte das fazendas continua aumentando o rebanho através das novilhas, buscando ampliar escala ou aumentar a taxa de ganho genético do rebanho. Um dos poucos índices que é forçado, e não pesquisado em fazendas reais, é a taxa de descarte. Procedemos desta maneira de modo a evitar que o investimento em aumento de animais em produção superestimasse os custos de produção.

Com relação à depreciação dos animais trata-se de uma opção metodológica. Lembro que esse item é sempre polêmico entre os técnicos do setor.

O critério que adotamos é o de depreciar apenas a diferença entre o valor de uma vaca de primeira ou segunda cria e o de uma vaca indo para a oitava cria. Imaginando a hipótese de que o valor de mercado seja o mesmo, a depreciação seria zero. Para administrar a criação de novilhas em uma fazenda de rebanho estabilizado, torna-se essencial a setorização dos custos de produção. Sendo assim, a produção de leite negociaria novilhas com a criação de animais jovens e assim por diante. No caso da análise, a setorização não está levada em consideração, mas sim a forma como a maioria dos empresários chegam aos custos.

Atenciosamente,

Maurício Palma Nogueira
engenheiro agrônomo



ANDRE ZANAGA ZEITLIN

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 22/07/2004

Caro Maurício,

Mais uma vez você oferece aos leitores do MilkPoint um artigo de grande valor. Tomo a liberdade de discordar apenas de sua opinião de que para melhorar a competitividade das cooperativas estejam faltando medidas a serem tomadas pelo governo. O que falta (capacidade gerencial, ganho de escala, transparência, participação) cabe essencialmente aos proprietários destas empresas: nós, produtores.

André Zeitlin

<b>Resposta do autor:</b>Prezado André

Concordo com a sua observação. Faltou um pouco de clareza de nossa parte naquela parágrafo.

Na verdade, o que caberia ao governo, neste momento, seria criar condições que facilitassem o acesso das cooperativas às possíveis liquidações de ativos da Parmalat, sejam estes ativos plantas industriais, marcas ou mercado.

Também acho o ideal seria que qualquer auxílio, ou linha de crédito, destinada à cooperativas deveria ser liberado mediante análise da capacidade gerencial dos diretores. Evidentemente que há toda a dificuldade operacional desta prática. Neste caso, o ideal está bem longe do possível.

Com certeza, a melhora do cooperativismo depende basicamente dos produtores.

Um grande abraço e obrigado pelo comentário.

Maurício



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