Preços do trigo e do leite batem recorde em 2020

Os recordes de preços do trigo e do leite em janeiro para a indústria não chegaram nos mesmos índices aos produtores. Enquanto o valor pago pelos moinhos gaúchos aumentou 28% em 60 dias, alcançando R$ 900 neste mês, apenas parte dos agricultores se beneficiou da alta na remuneração.

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Os recordes de preços do trigo e do leite em janeiro para a indústria não chegaram nos mesmos índices aos produtores. Enquanto o valor pago pelos moinhos gaúchos aumentou 28% em 60 dias, alcançando R$ 900 neste mês, apenas parte dos agricultores se beneficiou da alta na remuneração.
 
Hamilton Jardim, coordenador da comissão do trigo da Federação da Agricultura do RS (Farsul), explica que o maior volume fica armazenado nas cooperativas e cerealistas. "A maioria não tem capacidade para guardar e ainda tem compromissos financeiros, o que impede que se espere pela melhor época de comercialização."
 
O leite também bateu recorde. O valor de referência do litro pago ao produtor projetado para janeiro de 2020 subiu 0,88%, chegando a R$ 1,1267, na comparação com o consolidado de dezembro de 2019 (R$ 1,1169). Porém, a alta foi puxada pelo produto em pó, que aumentou 9,4%, explica Eduardo Finamore, membro da câmara técnica do Conseleite. Já o UHT caiu 0,37% na mesma base de comparação. Por isso, o resultado ficou negativo para grande parcela de produtores, já que esse tipo de leite é o principal em volume.
 
Segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), a captação de leite recuou, em média, 1,2% de novembro para dezembro no país. O resultado está atrelado à queda de 7,3% no RS, 1,4% em Minas Gerais e 0,5% em Goiás.
 
Mesmo sem estarmos em período de entressafra, a estiagem afetou a produção de pasto para as vacas, que, consequentemente, renderam menos leite.
 
No trigo, o ano promete ser positivo. Com o resultado do ciclo anterior, a expectativa é de aumento de área plantada, que, segundo Jardim, pode chegar a 800 mil hectares, desde que tenham sementes disponíveis. "O estímulo vem da rentabilidade da safra passada e da valorização do dólar, que deve ficar nesse patamar e estimular os moinhos a comprar localmente. Além do fato de o produtor estar com problemas de safra em algumas regiões do Estado, o que deve levá-lo a aumentar a produção no ano para compensar perdas."
 
As informações são do Zero Hora.
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