Esse mecanismo funciona quando a patela (rótula) se posiciona sobre uma crista óssea no final do fêmur. Com o suporte de fortes ligamentos suspensores, uma das patas traseiras sustenta a maior parte do peso do corpo, enquanto a outra descansa. Esse design anatômico permite ao cavalo, quando necessário, fugir rapidamente de uma situação de risco, muitas vezes deixando o cavaleiro tentando encontrar os "freios".
Por outro lado, as vacas não compartilham essa habilidade. A anatomia das vacas, incluindo o sistema mamário, é mais adaptada para períodos prolongados de descanso, deitadas. Histórias sobre “derrubar vacas” enquanto elas dormem em pé são mais folclóricas do que reais.
Ao visitar uma fazenda leiteira, vale a pena observar o comportamento das vacas em pé. Por que uma vaca está de pé? O que podemos aprender? Para as vacas leiteiras, não é o ditado “tempo é dinheiro” que se aplica, mas sim “tempo de descanso é dinheiro”.
Descanso e rotina: o que sabemos?
O descanso e a organização do tempo diário são cruciais para o bem-estar e a produtividade das vacas leiteiras. Pesquisas destacam o seguinte padrão em sistemas de freestall com densidade de estocagem adequada:
- Tempo de alimentação: 3 a 5 horas por dia, distribuídas em 9 a 14 refeições.
- Ruminação: 7 a 10 horas por dia.
- Hidratação: 30 minutos por dia.
- Atividades fora da baia (ordenha e manejo): 2 a 3 horas por dia.
- Descanso: 10 a 12 horas por dia.
Três considerações fundamentais devem orientar o manejo:
- Aproximadamente 70% do dia da vaca é gasto comendo ou descansando; esses dois aspectos não podem ser negligenciados.
- O dia tem apenas 24 horas.
- Consequentemente, a vaca tem, em média, 2,5 a 3,5 horas diárias para ficar fora da baia e longe de alimento, água e estábulos.
Se ultrapassarmos esse limite, ela será forçada a sacrificar tempo de alimentação ou descanso. Como bem destacou Rick Grant (2015): “Todo produtor deve saber quanto tempo suas vacas passam fora da baia.”
Sistemas de ordenha automatizada (AMS) proporcionam benefícios de saúde e produtividade: menos interrupções na rotina das vacas, maior tempo de descanso e redução no estresse.
Riscos de longos períodos em pé
Uma vaca que permanece em pé por muito tempo está mais suscetível a problemas. Vacas em pé no cocho ou descansando de pé, próximas a camas ocupadas podem estar exibindo comportamentos não ideais. Observe esses animais com mais atenção. Elas estão consumindo ativamente uma ração total misturada (TMR)? Ou estão passando o tempo ocioso selecionando partes da dieta bem formulada?
Eventos adversos de produção e saúde associados ao comportamento alimentar alterado, tamanho e velocidade das refeições são extremamente comuns. Esse comportamento afeta o grupo como um todo. Vacas com maior dominância social (como vacas multíparas em comparação com novilhas de primeira lactação), por exemplo, podem impedir que as subordinadas se alimentem adequadamente, resultando em desequilíbrios nutricionais e prejuízos à saúde. Observações por vídeo remoto revelam as interações sociais que ocorrem no ambiente das baias.
Pense por um momento na lista de doenças comuns e preocupações de produção que são fortemente influenciadas pelo ambiente da vaca e pela distribuição de tempo. A lista incluiria doenças de transição, como metrite, cetose e deslocamento de abomaso em vacas no período pós-parto. Além disso, incluiríamos claudicação, lesões, baixa fertilidade, produção reduzida de leite e menor qualidade dos componentes do leite. Consegue pensar em mais?
Dê uma olhada ao redor
O manejo do ambiente das vacas é essencial para minimizar riscos e otimizar a produtividade. Observe as vacas que estão de pé e pergunte-se: por que elas não estão descansando? Pequenas mudanças no manejo podem gerar grandes resultados. Crie sua própria lista de "tarefas a fazer" com base em observações críticas.
Soluções de baixo custo incluem:
- Manutenção regular das camas, como o uso de areia profunda.
- Ajustes simples, como a barra de pescoço.
- Redução do número de vacas por grupo de ordenha.
Soluções de maior investimento podem envolver:
- Construção de baias adicionais ou estábulos específicos para vacas em transição.
- Instalação de sistemas de ventilação ou sistemas AMS.
As informações são da Hoard’s Dairyman, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.