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Migração do food service ao varejo resultou em margens menores para empresas

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 14/09/2020

3 MIN DE LEITURA

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Empresas de algumas cadeias do agronegócio que foram forçadas a redirecionar para o varejo parte das vendas antes destinadas ao food service - canal em que a demanda caiu até 80% por causa do isolamento social imposto pela pandemia -, passaram a trabalhar com margens menores, embora seus produtos tenham ficado mais caros nas gôndolas dos supermercados.

É o caso da gaúcha Grano, líder em vegetais congelados do país, controlada pela gestora americana de fundos Arlon Group, da Continental Grain. Mesmo com investimentos de R$ 30 milhões em equipamentos e um projeto de migração definido ainda no ano passado, a empresa não escapou de ver seu retorno cair em meio a altas para o consumidor final.

Responsável por movimentar cerca de 25 mil toneladas de brócoli e couve-flor por ano no Brasil (metade do mercado desses produtos congelados) a partir de uma cadeia integrada com 200 famílias de agricultores, a Grano tem, no food service, clientes como Outback e China in Box.

No varejo, licencia a marca europeia Bonduelle e está por trás de marcas de cooperativas como Lar e Copacol. Mais recentemente, também passou a atender às linhas Veg&Tal, da BRF, e Nature, da Seara (controlada pela JBS), comercializadas nas redes Mercados BRF e Swift e em grandes supermercados.

“Olhando de fora pode parecer simples mudar de um canal para o outro, mas não é de forma alguma”, afirma Fernando Giansante, CEO da Grano. Em 2019, dos R$ 119 milhões de receita bruta da companhia, 75% vieram do atendimento a restaurantes, enquanto o varejo respondeu por 25%. Em 2020, a expectativa é que as vendas somem R$ 140 milhões e o varejo represente 40%.

As mudanças entre o atendimento de um canal e outro começam ainda na fábrica, com o tamanho das embalagens. “Enquanto para o varejo a demanda é por pacotes de 300 gramas, para o food service a regra é ser de, no mínimo, 2 quilos”, explica Giansante. No varejo, essa diferença ajuda o quilo do vegetal congelado a chegar a R$ 12, enquanto no food service o patamar gira em torno de R$ 8.

“A embalagem tem um custo, que acaba sendo repassado”, afirma o CEO, que considera o vegetal congelado mais competitivo do que o in natura porque já vem selecionado e higienizado.

Na comparação entre food e varejo, a logística para empresas como a Grano também é diferente. “Enquanto no food service os contratos costumam ser fixos e as entregas semanais, por causa do espaço limitado nos restaurantes, no varejo é mais ampla a possibilidade de definições de estratégias”, diz Giansante. A infraestrutura maior desses estabelecimentos permite isso, bem como os maiores volumes de compras e a frequência mais espaçada de entregas - que costumam ser quinzenais.

No caso da Grano, Giansante explica que o transporte é terceirizado e que seu custo varia, ainda, a depender se a distribuição é centralizada ou loja a loja, seja para restaurantes ou varejo.

Afora isso, há peculiaridades para a exposição do produto nos supermercados que são importantes na equação. Nesse caso, a redução de margem é certa. “O supermercado tem um número limitado de geladeiras, e a empresa tem que pagar se quiser estar em uma delas. Ele cobra para que seu produto fique na altura dos olhos do consumidor, na boca do caixa ou embaixo na prateleira. Afinal, é uma vitrine, o que exige trabalhar a marca”. Nada disso existe no food service.

“Tomara que o food volte a ser o que era antes - esperamos uma recuperação para 2022 - e que o varejo fique onde chegou. O varejo tem alto índice de recompra, de 40%, e isso é ótimo para nós”, diz.

Na visão do CEO, o congelado, que ganhou espaço na pandemia por sua durabilidade, tem tudo para se tornar mais comum no freezer da dona de casa depois de ter conquistado chefs pela praticidade. “Nosso produto é congelado horas depois da colheita. Economiza tempo de preparo, melhora o aproveitamento do alimento e ajuda a padronizar porções”, afirma.

As informações são do Valor Econômico.

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