Lula lança Fome Zero e diz que programa é muito mais que doação de alimentos

Publicado por: MilkPoint

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O programa social prioritário no governo Lula foi lançado nesta quinta-feira. Em solenidade no Palácio do Planalto, que reuniu 17 governadores, dezenas de prefeitos, empresários, sindicalistas, representantes de entidades e organizações, entre outros, a erradicação da fome no Brasil saiu do papel para, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrar na prática diária de cada estado, cada cidade, cada bairro do país que é a oitava economia mundial do mundo, mas tem, ainda, mais de 50 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

Em seu discurso de apresentação, Lula ressaltou mais de uma vez a necessidade de organização e mobilização dos governos estaduais e municipais para o sucesso do programa. Lula fez questão também de frisar que o Fome Zero não é uma campanha, mas um programa social para mudar hábitos e condições de vida:

"A luta contra a fome é um passo fundamental para a superação da miséria e da pobreza, da falta de oportunidade e desigualdade social."

Ele acrescentou que o programa não deve se limitar apenas à doação de alimentos emergenciais, "necessárias, mas que não acabam com o problema".

"O Fome Zero é muito mais que doação de alimentos. É preciso não só neutralizar os efeitos da fome, mas, sobretudo, atacar as suas causas. Dar o peixe e ensinar a pescar. É criar emprego nas regiões onde existem desemprego e miséria. Vamos criar as comissões para que todas pessoas no nosso país possam comer decentemente três vezes ao dia, todos os dias, sem precisar de doação de ninguém.E quando digo comer não estou falando apenas em encher a barriga. Isso, as famílias do semi-árido nordestino já fazem precariamente há séculos, dando a seus filhos os poucos alimentos que possuem, mas sem o mínimo conteúdo nutricional. Fome é falta de comida, mas é também não ter uma alimentação adequada".

A primeira medida prática do Fome Zero prevê a distribuição, a partir da próxima semana, de um Cartão Alimentação a 1.000 famílias das cidades de Guaribas e Acauã, no estado do Piauí. O formato do Fome Zero, no entanto, só estará totalmente concluído em 31 de agosto. Esse foi o prazo que Lula deu para finalizar o detalhamento do programa, que recebeu uma série de críticas de dentro e fora do governo.

Famílias não serão obrigadas a apresentar nota fiscal

O ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, esclareceu, em entrevista à NBr - TV a cabo da Radiobrás, que as famílias beneficiadas pelo Cartão Alimentação do Fome Zero não serão obrigadas a apresentar notas fiscais para comprovar a compra de alimentos. Segundo o ministro, o governo reconhece as dificuldades em se exigir notas fiscais em pequenos municípios. A mudança na exigência, no entanto, não significa que as mães de família beneficiadas não precisarão comprovar os gastos com alimentos. "A comprovação vai ser feita de acordo com o determinado por cada comitê gestor. Vale a nota fiscal, a conta do açougue, do verdureiro. Nas cidades pequenas, por exemplo, ainda se usam as cadernetas, o que pode inclusive evitar que as mães de família sejam exploradas", disse.

Graziano ainda garantiu que, ao contrário do que foi noticiado, não existe nenhuma proibição para compra de alimentos, à exceção de bebidas alcoólicas e cigarros. Ele explicou, no entanto, que em alguns locais, os comitês já organizados elaboraram uma espécie de lista com indicações de locais e alimentos a serem comprados. Este é o caso de Guaribas, município do Piauí que será o primeiro a receber os cartões do projeto piloto do Fome Zero.

Fonte: Época Online, adaptado por Equipe MilkPoint
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