Indústrias de laticínios de Rondônia suspendem atividades

Publicado por: MilkPoint

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As 59 indústrias de laticínios do Estado de Rondônia suspenderam suas atividades por falta de leite. Como o setor não atendeu à reivindicação dos 35 mil produtores de leite para reajustar o preço do produto em pelo menos 42,8% - a indústria está pagando cerca de R$ 0,14 por quilo de leite, em época de entressafra, quando o preço do produto costuma aumentar – os laticínios acabaram ficando desabastecidos. Se a crise se prolongar, pode causar uma queda mensal de R$ 15 milhões na arrecadação estadual.

Desde quarta-feira, estão sendo discutidas saídas que contemplem produtores e indústria, em uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado, com a participação do governo, solicitada pelo deputado Daniel Pereira (PT). Os representantes de laticínios alegam que não têm como pagar o valor solicitado pelos produtores de leite – R$ 0,20 por quilo de leite.

Segundo o representante do setor de laticínios, Pedro Bertelli, a indústria não tem como pagar “um centavo” acima dos R$ 0,14 em função das “regras de mercado” ditadas por São Paulo, principal centro consumidor dos cerca de 1,5 milhões de litros de leite que são transformados diariamente em vários tipos de queijo.

Segundo Bertelli, há um excedente de leite no mercado, em função das medidas de contenção do consumo de energia. Essas medidas estariam fazendo com que as indústrias não estoquem leite nas câmaras de resfriamento, o que teria ocasionado a queda do preço. Segundo ele, por enquanto não há risco de desabastecimento do leite em Rondônia.

A produção mensal do Estado é de 45 milhões de quilos de leite. Deste volume, 15% são processados para a produção de leite fluido, sendo que, deste percentual, apenas 65% são comercializados em Rondônia e os 35% restantes são vendidos para o Acre e o Amazonas. Os 85%, ou 38,25 milhões de quilos de leite, são transformados em queijos. O Estado consome apenas 10% dessa produção e São Paulo compra o restante. O preço médio atual é R$ 3,00 contra R$ 4,20 quando não havia excedente da matéria-prima no mercado.

Estes números foram apresentados pela indústria para justificar o preço de R$ 0,14 pago aos produtores. O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagro), Anselmo de Jesus Abreu, garante que, se persistir esse valor, os produtores não entregarão o leite à indústria e a atividade vai ter que ser abandonada no Estado.

O secretário estadual de Agricultura, Produção e Desenvolvimento Econômico e Social (Seapes), Miguel de Souza, reconhece que as duas torres de produção centradas no café e no leite foram “derrubadas”, e que a saída seria investir na diversificação de culturas, como cacau e pupunha, que tem bons preços no mercado de Rondônia. Segundo ele, o leite pronto para ser consumido é isento de ICMS e, mesmo que o governo concedesse a isenção para o queijo vendido para outros estados - que tem alíquota de 8,75% - representaria apenas um centavo a menos nos custos de produção.

Caso o impasse não seja resolvido nesta semana, Souza disse que cobrará a abertura das planilhas de custos da indústria. Segundo ele, além da crise energética, a importação do leite argentino feita por São Paulo também tem contribuído para a queda de preço do produto.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Yodon Guedes), adaptado por Equipe MilkPoint
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