Gado leiteiro é destaque na Expozebu 2002
Publicado por: MilkPoint
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As raças zebuínas não são, tradicionalmente, boas produtoras de leite, principalmente em comparação às raças européias, muitas delas desenvolvidas especificamente para essa atividade, mas como o gado com sangue zebuíno corresponde a cerca de 80% do rebanho do Brasil, a utilização desses animais para a produção de leite se torna importante, diz o chefe adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Gado de Leite, Mário Luiz Martinez.
A Embrapa é um dos órgãos oficiais que tem programas para o melhoramento das raças zebuínas para a produção de leite. O principal, chefiado por Martinez, começou em 1984. Durante o programa, os técnicos da Embrapa selecionam, por comparação, os animais com melhor potencial genético para a produção de leite.
Em 84, antes do início do programa, poucas vacas zebuínas no País produziam mais de seis mil kg por lactação. Hoje, após o melhoramento genético, alguns animais já produzem mais de 10 mil kg por lactação. Isso ainda não é tão bom quanto o gado de raça holandesa (uma das melhores produtoras de leite) que, em média, produz nove mil kg por lactação por animal.
"O problema é que o gado europeu, como o holandês, não é adaptado às condições brasileiras e, por isso, é preciso ter cuidados maiores e mais custosos com eles", diz Martinez. "Melhorando a produtividade do gado zebu, mais rústico, poderemos não apenas obter ganho na produção dos zebuínos leiteiros puros, mas também nos cruzamentos com gado europeu".
Hoje, no Brasil, a raça girolando, mistura do zebuíno gir e do europeu holandês, é a que vem ganhando mais mercado, apesar de sua participação ainda ser pequena, segundo os pecuaristas. Com a mistura, o gado passa a ter mais rusticidade (característica dos zebuínos puros), apesar de perder um pouco em produtividade de leite. O projeto da Embrapa fez com que o aumento de volume de leite obtido pelos zebuínos não tornasse tão grande a perda de produtividade do híbrido.
"Mesmo que a melhora nas raças puras seja pouco significativa economicamente, já que a participação delas é restrita, é importante por causa do potencial das raças híbridas", diz Martinez. "A melhora no gado puro acaba, de uma forma ou de outra, chegando aos híbridos e melhorando a produtividade desses animais mais resistentes".
Fonte: Folha de São Paulo - Agrofolha (por José Sergio Osse), adaptado por Equipe MilkPoint
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