FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Emater/MG: programa de gestão de propriedades leiteiras melhora rentabilidade de produtores

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 26/06/2020

7 MIN DE LEITURA

0
0

Produtores de leite e de queijo Minas Artesanal da agricultura familiar de Medeiros, no Centro-Oeste mineiro, estão cada vez mais satisfeitos com os resultados das ações do Programa de Gestão e Administração de Fazendas Leiteiras e de Produção do Queijo Minas Artesanal. Entre eles, o clima é de motivação e agradecimento pela oportunidade e benefícios da empreitada. O trabalho consiste principalmente no acompanhamento e controle dos custos na produção do leite, usado na fabricação da iguaria da região produtora da Canastra.

Mas não para por aí. O programa vai além da gestão financeira propriamente dita. O produtor ainda recebe orientações na gestão reprodutiva e produtiva do rebanho, no manejo de pastagens, manejo alimentar e sanitário das vacas leiteiras, além dos cuidados com as questões social e do meio ambiente, entre outros elementos que estão diretamente relacionados com a boa saúde financeira do empreendimento. O que permeia o trabalho é a certeza de que, se todos estes itens estiverem com seus índices dentro dos padrões recomendados ou próximos deles, a gestão financeira no final será positiva.

A iniciativa é da Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). São usadas ferramentas de gestão para munir o produtor de argumentos, no momento de negociar o preço da venda do queijo com os compradores. A meta é obter mais rentabilidade nos negócios. No momento, 13 propriedades rurais do município, fabricantes de queijo, são acompanhadas pelo programa.

Segundo o zootecnista do escritório local da Emater-MG, Alberto Schwaiger Paciulli, que idealizou o projeto, em parceria com os próprios produtores, os participantes recebem uma caderneta de campo para anotar mensalmente todas as despesas. Alguns, que dominam melhor a informática, utilizam diretamente as planilhas particulares, mas todos são monitorados pela empresa de extensão rural.

Nada escapa nas anotações dos itens que entram e saem da propriedade. São considerados gastos com ordenha, inseminação artificial, mão de obra, alimentação, vacinas e medicamentos do gado e impostos, entre outros. As receitas provenientes da atividade leiteira como a venda de queijo, leite, bezerros, novilhas e esterco também são contabilizadas.

“Uma vez a cada dois meses, ou até mesmo uma vez por mês, dependendo do caso, o técnico da Emater vai nas propriedades e se reúne com os produtores e seus familiares para conferir os dados da caderneta de campo ou planilhas e ajudar os produtores a anotar outros que, eventualmente ficaram de fora”, explica o zootecnista. De acordo Adalberto, em alguns casos, os dados são digitalizados no computador do técnico, onde um programa de cálculo de custos já dá o resultado de quanto ficou a produção do leite e do queijo no mês, trimestre, semestre ou no ano.

O extensionista chama a atenção para o fato de que muitos produtores gastam para produzir, mas nem sempre conseguem agregar um valor rentável que possa cobrir os seus custos e ter um lucro em cima do produto. Então, segundo Schwaiger, o objetivo da planilha do programa é mostrar ao produtor quanto fica produzir o leite ou o queijo e por quanto terá de vender seu produto para ter lucro. “Na maioria das vezes, ele desconhece estes custos e acha que está tendo lucro, mas na verdade está tendo é prejuízo. E não sabe porque não faz o controle deles”, constata.

Produtores comemoram experiência

O produtor Cleniudo Alves Teixeira, um dos primeiros a aderir ao programa há cerca de dez anos, é só elogios à iniciativa da empresa pública mineira de extensão rural e não tem do que se queixar. “Antes a gente não tinha muita noção dos gastos e lucro, com a prática de anotar num caderninho tudo foi ficando mais visível, mas o uso da planilha deu outra dinâmica à nossa produção. Melhorou muito, pois agora dá pra mostrar ao comprador: meu custo é este e preciso vender nesse valor. Dá para poder barganhar”, afirma.

Dono de uma queijaria em sua propriedade, na comunidade rural Fazenda Prata e Cravo, Cleniudo diz anotar tudo que entra na fazenda, desde vacinas, medicamentos e silagem, até outras despesas. Mas destaca o controle leiteiro como uma das mais importantes medidas do programa para dimensionar a alimentação das vacas e evitar desperdício da ração. “É um dos principais cuidados, pois é onde acontece o maior gasto. A gente pesa o leite produzido por cada vaca e usamos uma tabela de alimentos para dar só a quantidade de silagem necessária. Muitas vezes a pessoa pode estar oferecendo mais ração e não está aumentando a produção de leite”, argumenta.

Ele produz 33 peças de queijo Minas Artesanal da Canastra por dia. O produto cadastrado no IMA, desde 2011, é vendido para Alfenas, no Sul de Minas e para um entreposto em Araxá, que tem selo federal, que permite a comercialização em todo o país, o SISBI (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produto de Origem Animal). Toda a mão de obra da propriedade é familiar, sendo dividida entre ele, a esposa e o filho Gabriel Alves Vieira, parceiro na criação do gado leiteiro e no controle das planilhas com os gastos. Sobre a Emater-MG, o produtor é enfático. “Incentiva muito a gente. Não temos formação que eles (técnicos) têm para passar pra gente. Fazemos tudo em parceria com a Emater”, garante.

Também produtor de leite e queijo Minas Artesanal da Canastra, na região da Fazenda Cravo e Prata, Marcos José de Souza está no programa há três anos e afirma que está aprendendo muito com as ações do projeto. “Antes do programa eu não tinha uma noção tão clara da minha realidade financeira. Com a ajuda da Emater, que mostrou nas planilhas os acertos e erros que a gente cometia, em relação aos custos e produção, consegui ver onde melhoramos e onde perdemos”, explica.

Como o vizinho de propriedade, Cleniudo, o produtor Marcos passou a pesar, quinzenalmente o leite de cada vaca, para ajustar a ração oferecida ao animal. Passou ainda, a contabilizar gastos com mão de obra eventual e até a doação e consumo próprio de queijo e leite. “Hoje sei quando e onde posso ou não investir”, pontua. Sua queijaria também é registrada no IMA e produz em torno de 50 queijos diariamente. Toda a produção é comercializada em Uberlândia e Sul de Minas, segundo ele.

Nesses últimos três últimos anos, quando aderiu às orientações do programa de gestão e administração da Emater, outro produtor de leite e queijo Minas Artesanal, Flávio Bernardes, passou a anotar os custos, para corrigir o rumo das atividades que, segundo ele, ainda não rende o lucro esperado, mas já começa a sinalizar uma melhora. “Teve ano que gastei R$ 16,00 para produzir um queijo, vendido a cerca de R$ 11,50, em média. Esse ano, até agora, com o controle dos custos gastei R$ 11,50 na produção e vendi a R$ 12,00. Estamos aprendendo, agora vamos pegar firme pra ter lucro”, avisa.

Flávio Bernardes revela que, “se não fosse o programa já teria parado de tirar o leite”, usado para fazer 15 queijos diários, produzidos pela esposa Josiane Bernardes, com a ajuda do filho do casal. De acordo o produtor, o erro descoberto, a partir das avaliações do projeto, estava na quantidade de ração oferecida às vacas. “A gente tirava o leite, pagava a ração e não tinha controle da alimentação dos animais, oferecendo às vezes mais ou às vezes menos. Agora passamos a pesar o leite de cada vaca, duas vezes ao mês, e seguimos uma tabela, fornecida pelo Alberto, na hora de alimentar a vaca”, informa.

De acordo Bernardes, sua queijaria já está nos padrões do IMA e está em fase de cadastramento. Segundo ele, se tivesse de falar algo útil para quem está começando na atividade, aconselharia buscar a orientação da Emater-MG. “Disse para o meu cunhado, que está começando a tirar leite, para controlar os custos e procurar a empresa. Lá tem um excelente profissional”, pontuou.

Como participar

Para o zootecnista da Emater-MG, existem duas maneiras de aumentar os lucros e rentabilidade do produtor na produção de leite e queijo. Uma seria a negociação de preços mais atrativos com os compradores, ou então oferecer algum produto diferenciado, de valor agregado, como por exemplo algum selo, certificação e assim por diante.

A outra alternativa, conforme Alberto Schwaiger, seria diminuir os custos de produção. “E isso só seria possível com uma boa gestão e administração, o que poderia acontecer com a ajuda de uma empresa de extensão para dar suporte, já que muitas vezes o produtor não tem tempo disponível para dar atenção às anotações de custo. A ideia é que o produtor enxergue sua propriedade como uma empresa, já que é dela que ele retira o sustento da família”, justifica.

Schwaiger defende ainda que, se o produtor unir as alternativas, ou seja, agregar valor, através de alguma prática diferenciada, como por exemplo, ter o registro de habilitação sanitária e acompanhar os custos de produção, os resultados serão promissores no presente e futuro. “Com certeza terá um retorno desejável da atividade leiteira, garantindo a própria permanência e as das novas gerações no campo, com qualidade de vida digna e satisfatória”, prevê.

Para mais informações, orientações e inclusão no programa, os produtores podem entrar em contato com o técnico do escritório local da Emater-MG de Medeiros, na Praça Clodovel Leite de Faria, nº 149, Centro. Ou pelo telefone (37) 3434-5299 e e-mail: medeiros@emater.mg.gov.br .

As informações são da Emater/MG.

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.