Como a inovação no mercado de manteiga está mudando o consumo nos EUA e no Brasil

Com consumo recorde nos EUA e novos produtos como manteigas aromatizadas e de kefir, a indústria láctea explora diferenciação e aponta caminhos para o mercado brasileiro.

Publicado por: MilkPoint

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O consumo de manteiga nos EUA atingiu 6,8 libras per capita em 2024, o maior nível registrado, impulsionado por inovações como manteigas aromatizadas e fermentadas. Marcas buscam diferenciação em sabor e origem. No Brasil, a manteiga é vista como ingrediente cotidiano, enquanto nos EUA há foco em atributos premium. A indústria láctea global está se diversificando com novos produtos que priorizam sabor, praticidade e características funcionais.

O consumo de manteiga nos Estados Unidos atingiu 6,8 libras (cerca de 3,08 kg) per capita em 2024, o maior nível já registrado no país, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O movimento ocorre enquanto fabricantes ampliam a categoria com manteigas aromatizadas, versões fermentadas, produtos com maior teor de gordura e novas combinações de ingredientes.

A movimentação não se restringe ao volume consumido. Dados da Circana, atualizados até 12 de julho de 2026, mostram desempenhos distintos entre as principais marcas dos Estados Unidos, enquanto empresas buscam diferenciar os produtos por formulação, origem, sabor e ocasião de consumo. Entre os lançamentos recentes estão manteiga de kefir, versões com azeite de oliva e produtos aromatizados.

Consumo de manteiga abre espaço para novos produtos

A inovação na categoria tem se concentrado, entre outros caminhos, nas chamadas manteigas compostas, que incorporam ingredientes para criar diferentes perfis de sabor. Pesquisa Menu Concepts + Cravings, realizada pela Rubix Foods em 2025, aponta que cerca de um em cada cinco consumidores entrevistados gostaria de encontrar mais opções de manteigas aromatizadas nos cardápios.

No foodservice norte-americano, essas formulações são utilizadas em aplicações que incluem pães, sanduíches de café da manhã, frutos do mar e finalização de pratos. A possibilidade de trabalhar uma mesma base em diferentes preparações também amplia as aplicações do ingrediente para restaurantes e fabricantes.

A Land O’Lakes, por exemplo, recuperou uma edição limitada de sua manteiga Every Little Thing, que combina alho, cebola, sementes de papoula e sementes de cânhamo. O produto havia sido lançado originalmente em março de 2023 e retornou após a resposta dos consumidores, segundo a empresa.

Manteigas fermentadas e maior teor de gordura diversificam categoria

Outro caminho de desenvolvimento envolve características tradicionalmente associadas ao processamento de produtos lácteos. A Lifeway Foods entrou na categoria com uma manteiga de kefir, produzida a partir de creme fermentado e apresentada pela companhia como uma manteiga cultivada de estilo europeu. O portfólio inclui versões sem sal, com sal marinho e com mel. A fermentação já é utilizada pela indústria em diferentes produtos lácteos e permite trabalhar características como sabor e textura. 

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Já o Flora Food Group, conhecido por marcas de produtos de origem vegetal como Violife e Country Crock, entrou na categoria de manteiga láctea com a Red Barn Creamery. Produzida no Kansas, nos Estados Unidos, a manteiga contém 84% de gordura e é comercializada nas versões com e sem sal. A empresa destaca ainda a utilização de creme de origem norte-americana e produção em pequenos lotes.

A Organic Valley seguiu outra direção ao combinar manteiga orgânica e azeite de oliva orgânico. Segundo a fabricante, a formulação foi desenvolvida para facilitar o uso do produto diretamente após a retirada da geladeira.

Os exemplos mostram que a inovação não depende necessariamente de transformar a manteiga em um produto com longa lista de atributos funcionais. Origem da matéria-prima, teor de gordura, fermentação, praticidade e novas combinações de sabores também são utilizados como elementos de diferenciação.

Consumidor brasileiro associa manteiga à cozinha cotidiana

Os dados norte-americanos não permitem concluir que o mesmo comportamento esteja ocorrendo no Brasil. Um estudo publicado em 2026 pela Embrapa Gado de Leite, no entanto, ajuda a compreender como o produto é percebido pelos consumidores brasileiros.

A pesquisa avaliou associações espontâneas relacionadas a leite, iogurte, queijo, manteiga e leite condensado. No caso da manteiga, a percepção predominante foi a de ingrediente utilizado na culinária cotidiana. Já leite e iogurte tiveram associações mais fortes com saúde, nutrição e consumo diário.

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A diferença é relevante para a indústria. Enquanto os exemplos norte-americanos mostram fabricantes explorando atributos premium, novos sabores e diferentes ocasiões de consumo, no Brasil a associação com o preparo de alimentos pode representar um ponto de partida para desenvolvimento de produtos, posicionamento e comunicação. Os pesquisadores da Embrapa destacam que compreender as associações atribuídas aos lácteos pode ajudar a orientar estratégias de comunicação e inovação mais próximas das expectativas dos consumidores.

Lácteos incorporam novas propostas de valor

A diversificação da manteiga ocorre em um contexto mais amplo de reformulação das categorias lácteas. Proteína, fermentação, conveniência e funcionalidade têm sido exploradas em diferentes produtos. Em setembro, o BHBFood mostrou que os lançamentos globais com proteínas do leite registraram crescimento superior a 8% em 2025, segundo dados da Innova Market Insights.

A busca por novas aplicações também alcança ingredientes derivados de outras matérias-primas. Como abordamos na matéria sobre novas aplicações do colágeno em alimentos e bebidas, a proteína já aparece em categorias como sucos, cafés, massas e panificados.

No caso da manteiga, a transformação está menos relacionada à adição de proteína e mais à segmentação do produto. Fermentação, maior teor de gordura, sabores, ingredientes complementares e formatos adequados a diferentes usos permitem criar novas propostas dentro de uma categoria consolidada.

Nos Estados Unidos, os números da Circana também mostram que essa estratégia não produz resultados uniformes. No período encerrado em julho, algumas marcas registraram aumento nas vendas em dólares e unidades, enquanto outras apresentaram retração. A categoria, portanto, combina crescimento do consumo per capita com uma disputa por diferenciação entre fabricantes.

Para a indústria, o cenário indica que um produto tradicional pode comportar diferentes caminhos de desenvolvimento. E, embora Estados Unidos e Brasil tenham características próprias de consumo, entender como sabor, origem, fermentação, praticidade e aplicação culinária influenciam a percepção da manteiga ajuda a identificar possibilidades para novos produtos.

As informações são do BHB Food, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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