Células-tronco mamárias podem ajudar no tratamento de mastite

A mastite é a doença mais cara da indústria de lácteos. Cada caso clínico pode custar a um produtor de leite mais de US$ 400 e prejudica tanto a produção futura da vaca como seu conforto. A mastite bovina é tipicamente tratada com antibióticos, mas com a ameaça potencial de resistência antimicrobiana e o dano a longo prazo da doença ao animal, pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Cornell estão lançando as bases para terapias alternativas derivadas de células-tronco.

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A mastite é a doença mais cara da indústria de lácteos. Cada caso clínico pode custar a um produtor de leite mais de US$ 400 e prejudica tanto a produção futura da vaca como seu conforto. A mastite bovina é tipicamente tratada com antibióticos, mas com a ameaça potencial de resistência antimicrobiana e o dano a longo prazo da doença ao animal, pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Cornell estão lançando as bases para terapias alternativas derivadas de células-tronco.

"Os antibióticos podem matar os organismos", disse Gerlinde Van de Walle, professora assistente da universidade, "mas não ajudam na regeneração do tecido danificado". A mastite bovina danifica o tecido da glândula mamária da vaca quando as bactérias causam inflamação. As bactérias podem entrar no teto da vaca quando estão em contato com uma máquina de ordenha contaminada, uma mão ou materiais de cama. Este tecido mamário danificado contribui para as perdas na produção de leite, geram  preocupações com a qualidade e aumento dos custos de mão de obra.

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"A mastite bovina é a doença mais cara da indústria de lácteos", disse Daryl Nydam, professor de medicina da população e ciências diagnósticas. "O segundo mais caro quase nem vale a pena mencionar em comparação”. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, 96,9% das instalações de lácteos usam antibióticos para tratar casos clínicos de mastite. Embora eficaz contra bactérias, antibióticos por si só não podem restaurar o tecido mamário danificado.

Em seu artigo de 16 de março na Nature Scientific Reports, Van de Walle e Nydam exploram como as secreções de células-tronco mamárias bovinas podem estimular a cicatrização e a regeneração do tecido danificado, bem como livrar a glândula mamária de bactérias nocivas. "Mesmo depois que a bactéria é removida com tratamento antibiótico, a produção de leite normalmente não atinge os níveis mais altos anteriores devido a esse dano aos tecidos", disse Van de Walle, principal autora do estudo. "É aí que esta terapia alternativa entra”.

Van de Walle e Nydam são os primeiros a detalhar o que as células-tronco mamárias de bovinos secretam. Outros examinaram as secreções de células-tronco de outras espécies, mas não de bovinos. "É uma nova área de investigação", disse Nydam, e isso levou a uma série de descobertas.

Seu relatório conclui que os fatores secretados dessas células-tronco têm múltiplos efeitos positivos. Eles desempenham um papel na formação de novos vasos sanguíneos e promovem a migração de células, ambas integrantes da cicatrização de tecidos danificados pela mastite. Alguns fatores secretados protegem as células epiteliais de danos causados por toxinas bacterianas, e outros provaram ser peptídeos antimicrobianos que desempenham um papel na morte de bactérias. "Além da regeneração de tecidos", disse Van de Walle, "também pode ajudar os antibióticos a funcionarem melhor, já que produzem algumas dessas propriedades antibióticas".

Os pesquisadores também descobriram que os fatores secretados eram mais eficazes contra toxinas produzidas por bactérias gram-negativas, que geralmente são mais resistentes a anticorpos por causa de suas paredes celulares mais espessas. As bactérias causadoras da mastite bovina podem ser gram-positivas ou gram-negativas.

"Antimicrobianos intramamários aprovados pelo FDA (Food and Drug Administration) são mais eficazes contra bactérias gram-positivas", disse Nydam. "Então, isso seria um bom complemento. Com base nos efeitos positivos das secreções de células-tronco bovinas que observamos no laboratório, agora temos que levá-los ao próximo nível e testar se eles também funciona em vacas com mastite", disse Van de Walle.

As informações são do http://news.cornell.edu, traduzidas e resumidas pela Equipe MilkPoint.

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Paulo Célio Resende
PAULO CÉLIO RESENDE

LAGOA DOURADA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 10/05/2018

Parabéns pela pesquisa, pois será de grande valia.
João Leonardo Pires Carvalho Faria
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 10/05/2018

Até chegar à campo.....
Até chegar à campo aqui no Brasil................
joão augusto rosback
JOÃO AUGUSTO ROSBACK

PINHAL GRANDE - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/05/2018

Muito interessante a pesquisa, sendo de grande relevância para a comunidade acadêmica e para o setor produtivo, mas acha que ocorreu um equivoco no sétimo paragrafo em relação a estrutura da parede celular das bactérias gram-negativas afirmando que são espessas, acho que a intenção era de colocar gram-positivas. Apesar da troca, quero salientar a importância deste material e parabenizar os pesquisadores.
Dejani M
DEJANI M

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 09/05/2018

Na realidade João, está correto como colocado no texto. As bactérias gram-positivas possuem apenas uma camada de parede celular, por isso são consideradas mais suscetíveis e, geralmente, necessitam de uma dose menor de antimicrobiano. Por outro lado, as gram-negativas se compõe uma parede celular dupla (considerada mais espessa no texto), a qual leva a maior resistência aos antimicrobianos em relação às gram-positivas.
Realmente, uma excelente leitura, mais uma vez abordando a importância imunologia na produção animal.
Lívia Castelani
EM RESPOSTA A DEJANI M LÍVIA CASTELANI

SUMARÉ - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/05/2018

Olá, Dejani.
Gostei muito do tema, porém também identifiquei esse erro. As bactérias Gram-positivas possuem uma parede celular muito mais espessa de peptideoglicano que as Gram-negativas. As bactérias Gram-negativas, diferentes das Gram-positivas, possuem uma membrana externa de LPS, e não uma parede dupla.
Qual a sua dúvida hoje?