Brasil e Argentina restringem comércio dentro do Mercosul
Publicado por: MilkPoint
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Os demais parceiros do bloco ainda serão comunicados. O objetivo da decisão é compensar a Argentina pela desvalorização do real, causada pela crise econômica mundial.
A decisão fere a regra básica do bloco - de não criar barreiras para o livre comércio - e a norma da Organização Mundial do Comércio (OMC), que não permite adoção de salvaguardas em uniões aduaneiras. A medida deverá acabar com as disputas comerciais entre os dois países, que serão resolvidas com a aplicação das salvaguardas.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, disse que as mudanças serão feitas inspiradas na OMC, mas considerando a realidade do bloco. Segundo ele, as restrições vão valer para os dois países. No entanto o Brasil possui uma reclamação contra a Argentina no Tribunal do Mercosul, sobre o comércio de leite. E a Argentina possui 15 queixas registradas contra produtos brasileiros, como frango, laminados a frio, perfis de ferros laminados a quente, por exemplo.
A decisão foi anunciada ontem no encontro do Fórum de Líderes do Mercosul, que reúne empresários dos dois países. Os ministros brasileiros da Fazenda, Pedro Malan, das Relações Exteriores, Celso Lafer, e do Desenvolvimento, Sergio Amaral, reuniram-se ontem com os ministros argentinos da Economia, Domingo Cavallo, e das Relações Exteriores, Adalberto Rodriguez Giavarini, durante três horas. Ao final da reunião, eles disseram que a decisão foi tomada para salvar o bloco da desaceleração da economia mundial, agravada pelos ataques terroristas do dia 11.
Com isso, apesar de paradoxalmente passar a ser uma união comercial sem livre comércio, o bloco vai manter o status de união aduaneira, conservando a Tarifa Externa Comum (TEC). Isso vai garantir que o Mercosul prossiga as negociações comerciais com a União Européia (UE) e os EUA.
Os ministros também disseram que vão continuar trabalhando na coordenação macroeconômica do bloco, com o objetivo de criar uma moeda comum no médio prazo, embora não tenham explicado qual o mecanismo que vão utilizar para chegar a uma moeda única, nem o prazo.
Apesar da desvalorização do real, o saldo comercial da Argentina com o Brasil ainda é positivo e soma US$ 700 milhões neste ano. Mas os argentinos alegam que a desvalorização do real cria uma situação desigual de preços e desvia investimentos.
Fonte: Folha de São Paulo (por Cláudia Dianni), adaptado por Equipe MilkPoint
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