Depois das alianças com a General Mills na área de cereais e com a Coca-Cola em bebidas, a multinacional suíça acaba de formar uma joint-venture para as américas no setor lácteo, com a neozelandesa Fonterra, maior exportadora de lácteos do mundo.
A escolha do continente americano foi feita pelo potencial de crescimento do consumo de lácteos, pela tradição da Nestlé nesse segmento na América Latina e pelo interesse da Fonterra em uma boa base de captação nessa parte do planeta.
A DPA começa a atuar no Brasil, Argentina e Venezuela em 1º de janeiro de 2003. No segundo semestre, a meta é incluir Chile, Equador, Colômbia e países do Caribe e, em 2004, é a vez do maior desafio: Estados Unidos, México e Canadá, mercados que necessitam de muito capital para investir e onde a Nestlé tem encontrado fortes resistências.
Legalmente, foram criadas duas joint ventures: uma cuida de captação de leite fresco e produção de leite em pó e a outra da produção, marketing, vendas e distribuição de produtos refrigerados e líquidos envasados em UHT (creme de leite e achocolatados). A comercialização de leite em pó nos mercados internos continua com a Nestlé e a exportação de leite em pó industrial nas mãos da Fonterra.
Com 50% de participação de cada sócia, a DPA nasce com uma fábrica na Venezuela (vinda da Fonterra), uma na Argentina e sete no Brasil (todas da Nestlé). Isso significa um capital investido de US$ 400 milhões. A previsão de faturamento para refrigerados e UHT nos três países é de US$ 420 milhões em 2003.
Um dos principais ganhos da Nestlé no negócio será a melhor utilização das fábricas de leite em pó. Na DPA, as unidades irão operar com 100%, pois a intenção é ampliar a exportação.
Ao produzir leite em pó, a DPA terá como cliente preferencial a própria Nestlé. O excedente será vendido à Fonterra. A DPA terá, também, prioridade nas exportações da Fonterra para o continente americano. Apenas para os Estados Unidos, por exemplo, a Fonterra exporta US$ 500 milhões por ano.
Em um primeiro momento, a Argentina aparece como uma plataforma de exportação natural, mas a DPA irá investir no aumento da captação também no Brasil. Por enquanto, nada muda na relação com os produtores, mas existem executivos da joint venture que irão estudar formas de melhorar a produtividade e a DPA poderá importar leite em pó da Argentina quando faltar leite no mercado brasileiro.
O segundo grande foco é o setor de refrigerados, caracterizado por forte concorrência e baixas margens de lucro. O executivo Hugo Lanthemann acredita que a formação da DPA ajudará na disputa de mercado com a Danone no Brasil. "Iremos baixar os custos corporativos, pois iremos utilizar a um preço fixo as estruturas da Nestlé de recursos humanos, contabilidade, entre outras".
A DPA também terá como missão trazer mais competitividade no mercado de UHT. Os ganhos futuros serão transformados em preços mais competitivos e melhores margens para a companhia.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por equipe MilkPoint
As Américas são o alvo da Fonterra e Nestlé
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