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Adiamento de feiras golpeia indústria de máquinas

O adiamento de eventos importantes do agronegócio por precaução ante a proliferação do coronavírus deverá afetar drasticamente a indústria de máquinas e implementos agrícolas do país este ano. Feiras como Tecnoshow Comigo, Agrishow, Agrobrasília e Expozebu foram suspensas. Juntas, elas movimentaram mais de R$ 7,5 bilhões em negócios em 2019 e a expectativa era que esse marca fosse ser superada em 2020.

“O impacto vai ser grande”, afirmou Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial e Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Segundo ele, a previsão de crescimento de 7% em 2020 das 410 associadas da entidade no segmento - que faturaram R$ 16,7 bilhões em 2019 -, será frustrada. “As fábricas vão parar com a quebra da cadeia de fornecimento”.

No Rio Grande do Sul, que produz 62% das máquinas do país, a esperança é a realização da Expointer, no segundo semestre. A Bahia Farm Show, prevista para maio em Luis Eduardo Magalhães, também ainda não anunciou mudança de data.

“Venda é emoção, e as feiras são um instrumento de vendas muito forte do nosso segmento. Os adiamentos vão prejudicar muito as vendas”, afirmou Cláudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers). Na indústria de Bier, 70% dos funcionários já receberam férias coletivas e o mesmo deve ocorrer com o resto do pessoal em 15 dias. O dirigente lembrou que as grandes montadoras têm “fôlego maior”, e que as pequenas terão mais dificuldades.

A Abimaq enviou ofício à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, pedindo a antecipação do Plano Safra 2020/21 de julho para abril. Mas a medida foi descartada pelo diretor de Financiamento e Informação do Pasta, Wilson Vaz Araújo. “Nos resta aguardar. Cada um terá que arcar com um pouco do prejuízo”, disse Francisco Matturro, presidente da Agrishow - maior feira agropecuária do país, realizada todos os anos em Ribeirão Preto (SP).

O adiamento das feiras também pesa na programação de desembolsos do crédito rural, e o cenário econômico impede melhorias nas linhas de bancos privados. “A gente vinha trazendo produtos com recursos próprios e conseguia ofertar nas mesmas condições das linhas do BNDES. Na última semana, a incerteza praticamente inviabilizou esse tipo de operação”, afirmou Roberto França, diretor de Agronegócios do Bradesco. A atual carteira de crédito rural do banco supera R$ 30 bilhões, dos quais R$ 7 bilhões são direcionados para a compra de máquinas e implementos.

França já identifica outros problemas. “Alguns decretos municipais estão fechando cartórios. Isso é um problema sério. Sem eles, operações de financiamentos não podem ser formalizadas”, alertou.

O Banco do Brasil, líder em crédito rural no país, reforçou as linhas para o agronegócio com mais R$ 20 bilhões, com foco em comercialização e estocagem da produção. O vice-presidente de Agronegócios e Governo do BB, João Rabelo Júnior, disse que a instituição vai facilitar operações com concessionárias, indústrias e revendas cadastradas em uma espécie de “feira virtual”, para os clientes que quiserem concretizar as compras de máquinas, equipamentos de irrigação, pequenas estruturas de armazenagem e produção de energia fotovoltaica.

Mas os estímulos podem não ser suficientes. Como houve forte investimentos em máquinas na última década, os agricultores podem decidir esperar para fazer novas aquisições. “A maioria vai se retrair. Logo haverá falta de liquidez na economia e aí a retração será maior. Para a indústria, será um ano destrutivo”, disse Enio Fernandes, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

As informações são do Valor Econômico.

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