QUIMIOPROFILAXIA: Uma estratégia para o controle da Tristeza Parasitária Bovina

Sem vacinas disponíveis no mercado, o pecuarista se depara com uma convivência difícil com a TPB e todas as já lembradas perdas econômicas: bezerros com crescimento atrasado e até comprometido, vacas com perda de peso, queda na produção de leite e alta mortalidade. Será mesmo que não há o que fazer, a não ser esperar que o mal ocorra para só então remedia-lo?

Publicado por: MilkPoint

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Sem vacinas disponíveis no mercado, o pecuarista se depara com uma convivência difícil com a TPB e todas as já lembradas perdas econômicas: bezerros com crescimento atrasado e até comprometido, vacas com perda de peso, queda na produção de leite e alta mortalidade. Será mesmo que não há o que fazer, a não ser esperar que o mal ocorra para só então remedia-lo?

Tristeza...

O produtor já conhece bem: a Tristeza Parasitária Bovina (TPB), doença causada por parasitas das hemácias (glóbulos vermelhos) dos gêneros Babesia e Anaplasma, traz com seu quadro típico de febre, anemia e apatia, grandes transtornos à rotina da fazenda e prejuízos ao seu negócio. Quanto mais jovem o animal acometido, menos severos os sintomas, mas os medicamentos, transfusões de sangue e a ocupação da mão de obra no tratamento, somados ao atraso no crescimento dos animais doentes, representa sempre perda de dinheiro. Por outro lado, em vacas adultas, a mortalidade torna-se alarmante.

Transmitida por ectoparasitas hematófagos, principalmente carrapatos, mas também por moscas, a TPB tem sua ocorrência diretamente ligada à dinâmica populacional destes agentes. O controle excessivo de carrapatos acaba por manter o gado sem contato com os agentes; condições climáticas também podem criar um quadro chamado de instabilidade enzoótica. Ao reduzir drasticamente a população de carrapatos, o criador suprime o contato do rebanho com os agentes da doença, o que leva à redução da imunidade e torna os animais mais suscetíveis. O mesmo vai ocorrer com as bezerras que deixam a estabulação individual em gaiolas, ou vacas secas retiradas do free-stall, todas levadas ao pasto e ao contato com carrapatos.

...tem fim?

Fabricar vacinas a partir destes agentes não é tarefa fácil, e se o fosse, já teríamos vacina contra a malária, de certa forma quase um equivalente humano da TPB. Alguns centros de pesquisa as têm produzido em escala experimental, mas sua viabilidade técnica e disponibilidade comercial estão longe de se tornar realidade. Sem vacinas disponíveis no mercado, o pecuarista se depara com uma convivência difícil com a TPB e todas as já lembradas perdas econômicas: bezerros com crescimento atrasado e até comprometido, vacas com perda de peso, queda na produção de leite e alta mortalidade. Será mesmo que não há o que fazer, a não ser esperar que o mal ocorra para só então remedia-lo?

Um plano estratégico de controle

Uma pecuária que se torna a cada dia mais profissional não pode trabalhar sem gestão da sanidade. Precisa buscar as ferramentas tecnológicas disponíveis para aumentar a qualidade do controle sanitário do rebanho. Isto não significa necessariamente nenhuma arma revolucionária. A tecnologia, às vezes, pode estar no uso de recursos já conhecidos de maneira mais racional. No controle estratégico da TPB, esta tecnologia se chama QUIMIOPROFILAXIA.

QUIMIOPROFILAXIA é definida como a prevenção (ou profilaxia) do desenvolvimento de uma doença através do uso de medicamento quimioterápico, originalmente destinado ao tratamento.

No caso da TPB, esta tecnologia está especialmente indicada nas circunstâncias epidemiológicas de alto risco, quando o manejo favorece a exposição de bovinos sem imunidade aos carrapatos. O medicamento indicado para os programas profiláticos é o IMIZOL, porque é o único a agir tanto contra Babesia quanto contra Anaplasma, e ter efeito por período prolongado. Na QUIMIOPROFILAXIA da TPB, associa-se o IMIZOL à exposição dos animais suscetíveis aos vetores.

IMIZOL: mais que remédio, é prevenção.

Como funciona

A imunidade aos agentes da TPB é de base celular, e assim é preciso que estes parasitas estejam presentes na circulação sanguínea, condição chamada de parasitemia, para que o sistema imune os reconheça e desenvolva resposta. O IMIZOL vai manter a parasitemia sob controle e assim evitar febre alta, anemia e outras complicações. Enquanto isso, os carrapatos transmitem infecção suficiente para que as defesas do organismo reajam e produzam imunidade. A ideia central é promover uma infecção controlada, suficiente para permitir a imunização protetora sem o surgimento de sinais clínicos mais graves e suas consequências ao bem estar e à produtividade do animal. Sem querer perturbar os conceitos acadêmicos, podemos comparar este método ao uso de vacinas atenuadas.

Os benefícios

Ao investir num programa estratégico de controle, o pecuarista terá reduzidos os gastos decorrentes do tratamento, como medicamentos e mão de obra. Os principais benefícios observados são:
- redução do impacto negativo da TPB sobre os índices zootécnicos de produtividade, como taxa de crescimento das bezerras, produção de leite, ganho de peso, abortos e taxa de mortalidade.
- redução dos gastos com medicamentos e transfusão de sangue
- redução da idade à primeira cobertura das fêmeas jovens, devido ao aumento em sua taxa de crescimento.

Como fazer

São considerados suscetíveis todos os animais que permanecem confinados por períodos prolongados, como os animais jovens nos bezerreiros e os adultos no free-stall. Também as vacas adquiridas de fazendas ou regiões com presença muito baixa ou nula de carrapatos estão em situação de risco, assim como os rebanhos que tiveram baixo parasitismo devido a condições climáticas desfavoráveis para os carrapatos, ou animais criados em áreas de integração lavoura-pecuária. Estes animais devem receber a primeira dose de IMIZOL até 5 dias depois de expostos aos vetores. Uma segunda dose 21 a 25 dias depois da primeira é necessária para agir contra Anaplasma, que terá sua fase de parasitemia entre 21 e 30 dias depois da Babesia.

Veja nas figuras a seguir os protocolos indicados conforme a situação epidemiológica do seu rebanho.
 





 
Para o sucesso de um programa de QUIMIOPROFILAXIA da TPB, é fundamental expor os animais ao contato com carrapatos infectados depois da aplicação de IMIZOL. Assim ocorrerá parasitemia e o consequente desenvolvimento de imunidade. A infestação por carrapatos deve então ser controlada, mas nunca erradicada. Considera-se a presença de 10 a 15 fêmeas adultas de carrapato, chamadas de teleóginas, sobre um bovino adulto, como adequada à manutenção da imunidade contra a TPB sem comprometimento sanitário pela atividade sugadora dos carrapatos.

A QUIMIOPROFILAXIA da TPB com IMIZOL tem sido usada com sucesso na rotina de manejo em diferentes regiões do Brasil, o que demonstra a irreversível evolução da nossa pecuária em direção a uma gestão profissional.

Para saber mais entre em contato pelo box abaixo:
 
 
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MARCUS REZENDE
MARCUS REZENDE

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 06/12/2022

Tenho feito aos 8 dias de vida e repito 28 dias depois. Assim padronizo os dias de aplicações e facilita para a turma do bezerreiro. Também adoto a prática de fazer 1mL/40Kg no dia que trocar de bezerreiro. Como esse é o dia da pesagem, já aproveito e faço a dose de proteção. Quando há necessidade de tratamento eu prefiro usar outros ativos e preservar o imidocarb (IMIZOL) para a prevenção.
Belo artigo.. obrigado!
Joao Luis Veiga
JOAO LUIS VEIGA

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 09/08/2021

Posso tratar uma novilha prenha com esse medicamento?
Jackson Baia Lopes
JACKSON BAIA LOPES

RIO NEGRINHO - SANTA CATARINA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 09/12/2020

Como fica a questão da carência para o leite?
Porque não está estabelecida na bula.
J. Américo G. Dornelles
J. AMÉRICO G. DORNELLES

SÃO CARLOS - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 06/09/2019

Um artigo prático mas que não pode ser considerado RECEITA de BOLO.

Se a parasitemia estiver muito alta e fora de controle o tratamento não permitirá uma resposta imunológica adequada.

Sobre a questão da carência: o princípio ativo NÃO deve ser administrado para vacas lactantes.
Altino Antônio Lemos
ALTINO ANTÔNIO LEMOS

CAÇADOR - SANTA CATARINA

EM 20/06/2019

Boa tarde apos a segunda aplicação quanto tempo depois deve ser feito nova aplicação?
João Leonardo Pires Carvalho Faria
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 29/11/2018

Excelente!
Thuisi Aparecida Vanderlinde
THUISI APARECIDA VANDERLINDE

LAURENTINO - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2018

Gostaria de saber como fica a questão da carência do leite, com a aplicação do Imizol?!
Qual a sua dúvida hoje?