Os cinco passos para a rentabilidade na produção leiteira - 2º passo

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2º passo: Sanidade de úbere e fertilidade

São dois os principais caminhos que podem aumentar o resultado econômico da atividade leiteira: redução dos custos de produção e/ou incremento das receitas. Neste sentido, o inédito sistema de seleção da HG partiu da identificação das duas características que têm o maior impacto no desempenho técnico e econômico das matrizes leiteiras, ou seja, a melhoria da sanidade de úbere e da fertilidade.

A HG vem trabalhando, há 60 anos, com o intuito de desenvolver indivíduos geneticamente superiores para estas duas importantes características. Sendo assim, busca-se selecionar animais que vão produzir leite com um menor índice de Contagem de Células Somáticas (CCS), redução na incidência de mastites e com desempenho reprodutivo superior.

Desta forma, haverá contribuição para uma redução significativa nos custos de produção de leite e, conseqüente, incremento das receitas, melhorando assim os resultados técnicos e econômicos da exploração leiteira.

Do ponto de vista prático, sabe-se que desordens na sanidade de úbere e na reprodução são as principais razões que levam ao descarte involuntário das matrizes, gerando aumento expressivo nos seus custos de produção de leite.

Ciente destas informações, a HG criou uma série de parâmetros técnicos que avaliam o mérito genético de todos os seus touros e a performance para Sanidade de Úbere e Fertilidade das suas filhas, incluindo estas informações nas provas destes animais. Com isso, a HG introduziu dois conceitos novos no mercado mundial de inseminação artificial de bovinos leiteiros:

1) avaliação genética prévia do mérito genético dos touros para sanidade de úbere e fertilidade das suas filhas;

2) divulgação destes parâmetros nas provas de todos os seus touros, informando previamente aos produtores dos respectivos méritos genéticos para estas referidas características.

Portanto, ao analisar os resultados das provas, sabe-se previamente qual será o comportamento genético esperado das filhas de um determinado touro para Sanidade de Úbere (Contagem de Células Somáticas e Mastite Clínica), por exemplo, e também para Fertilidade.

Sanidade de úbere

O controle da sanidade de úbere deve ser um dos principais objetivos das empresas produtoras de leite, uma vez que a mastite é uma das mais prejudiciais enfermidades das vacas leiteiras, de enorme importância econômica e com grande interferência na qualidade do leite produzido.

Quando se analisam os custos envolvidos com a mastite, por exemplo, observa-se que a mesma leva a uma perda no potencial de produção de leite daquela lactação, descarte do leite e aumento dos gastos com tratamentos, especialmente medicamentos, vacinas, mão-de-obra e serviços veterinários.

Os touros da HG exibem nas suas provas os parâmetros da avaliação do mérito genético para Contagem de Células Somáticas (CCS) e Sanidade de Úbere. Já na primeira prova, ou seja, quando se têm as informações do primeiro grupo de filhas (120 filhas em 100 rebanhos), já se atinge uma confiabilidade entre 75 e 80% para CCS.

Os parâmetros genéticos de CCS são incluídos no índice de Sanidade de Úbere, mas a CCS não é o único fator determinante para o aparecimento de mastites. Desta forma, a confiabilidade máxima alcançada para Sanidade de Úbere gira ao redor de 56%.

São utilizadas na HG cinco características para o cálculo do mérito genético para sanidade de úbere:

- profundidade de úbere;
- inserção de úbere posterior;
- comprimento de tetos;
- velocidade de ordenha e
- CCS

Do ponto de vista prático, a média para sanidade de úbere é 100 e para cada ponto acima disso, espera-se uma redução de 3% na incidência de casos clínicos de mastites das filhas destes touros, quando comparadas às filhas de um touro com índice 100 para sanidade de úbere.

A tabela 1 abaixo mostra os ganhos econômicos que podem ser alcançados pela sanidade de úbere, considerando-se um rebanho de 100 vacas, produzindo em média 8.200 kg de leite/lactação de 305 dias.

Figura 1

Para melhor entendimento da tabela acima, é bom destacar algumas das principais perdas advindas da mastite clínica:

1) perda média de 5,25% no potencial total de leite da lactação/caso clínico, segundo o National Mastitis Council (NMC);

2) descarte do leite produzido por 6 dias, para a maioria dos casos, em função da sua qualidade imprópria para o consumo e/ou pelo uso eventual de antibióticos que deixam resíduos no leite;

3) custo de tratamento com medicamentos e mão-de-obra;

4) perda de tetos, descarte de animais, etc.

Pelos resultados da tabela 1 acima, pode-se concluir que haverá um ganho econômico anual de R$ 2.179 no rebanho que utilizou touros com índice de mérito genético 104 para sanidade de úbere, quando comparado ao rebanho com índice 100.

Desta forma, estamos falando numa redução média anual de R$ 21,79/vaca com os custos totais de mastite para cada filha dos touros com índice 104 para sanidade de úbere, o que significa R$ 5,44/vaca para cada ponto de sanidade de úbere acima de 100.

Fertilidade

A fertilidade é a base do processo produtivo de produção de leite, uma vez que a lactação se inicia no parto e, para que haja continuidade da secreção de leite, as vacas leiteiras precisam se reproduzir periodicamente, ou seja, apresentarem um intervalo entre partos de 12 a 13,5, em média.

Quando ocorre interrupção do processo reprodutivo das vacas, automaticamente estes animais estarão sendo descartados no futuro, uma vez que se tornarão vacas secas (sem produção de leite) e vazias.

Além disso, as desordens reprodutivas levam a uma redução na quantidade total de leite produzido na vida útil das vacas e no número total de nascimentos, gerando um aumento do índice de descarte do rebanho, dos custos da reprodução, da reposição das matrizes e dos gastos com a mão-de-obra.

Um bom caminho para se avaliar a eficiência reprodutiva das vacas é o acompanhamento do intervalo entre partos (IEP). O IEP é influenciado pelo número de dias decorrentes entre o parto e o primeiro serviço e a taxa de prenhez após este primeiro serviço. O aumento do tempo para o primeiro serviço e a redução da taxa de prenhez leva a uma elevação do IEP do rebanho.

Todos os touros da HG exibem nas suas provas o Índice de Fertilidade das suas filhas (fertilidade das filhas), que pode ser usada como ferramenta para melhorar a fertilidade do rebanho.

A média do Índice de Fertilidade das filhas é 100 e valores acima deste são considerados positivos e abaixo são negativos. Filhas de um touro com índice de fertilidade das filhas 104 (um desvio padrão significa quatro pontos) apresentam, na média, uma redução de 2,1 dias no IEP, quando comparadas com as filhas de touros com índice 100 para fertilidade das filhas.

Na tabela 2 abaixo, pode-se verificar o ganho econômico advindo da redução dos gastos com reprodução do rebanho através do uso de touros provados da HG com índice de mérito genético positivo para fertilidade das filhas.

Figura 2

Pelos resultados da tabela 2 acima, pode-se constatar que o uso de touros com índice de mérito genético 104 para fertilidade das filhas gera um ganho anual da ordem de R$ 2.720 para um rebanho de 100 vacas, advindo da melhoria na fertilidade, quando comparado a um rebanho original de vacas filhas de touros com índice 100 para fertilidade das filhas.

Com a utilização de touros com índice 104 para fertilidade das filhas haverá ainda aumento de 2,63 pontos percentuais na taxa de prenhez, o que significa um ganho econômico médio de R$ 10,34/vaca para cada ponto percentual de acréscimo na taxa.

Deve-se lembrar que a redução no IEP vai gerar, ainda, aumento no número de nascimentos e redução na taxa de descarte do rebanho, entre outros benefícios técnicos e econômicos.

Desta forma, a escolha adequada de touros com mérito genético positivo para Sanidade de Úbere e Fertilidade podem contribuir significativamente para o aumento da eficiência econômica das fazendas leiteiras.

O incremento da lucratividade está condicionado principalmente à geração de filhas mais sadias e mais férteis nos rebanhos e estes devem ser um dos principais objetivos de seleção dos produtores de leite.

Portanto, o mérito genético para Sanidade de Úbere e Fertilidade também devem ser considerados quando da escolha dos touros, uma vez que estes têm enorme peso no resultado técnico e econômico das matrizes leiteiras.
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