Os cinco passos para a rentabilidade na produção leiteira - 1º passo

Um dos aspectos mais importantes e desejáveis nas matrizes leiteiras é a Durabilidade (DU), ou seja, aumentar a vida útil das filhas de um touro, incrementando a sua produção de leite e de crias, reduzindo as taxas de descarte do rebanho.

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1º passo: Durabilidade

O melhoramento genético de bovinos leiteiros na Holanda, realizado pela HG, busca a orientação de vacas tecnicamente mais eficientes e economicamente mais rentáveis.

Para tanto, há 60 anos os holandeses trabalham no progresso genético das cinco características mais importantes que influenciam no resultado técnico e econômico das matrizes leiteiras.

A HG desenvolveu o exclusivo sistema de seleção chamado "Os cinco passos para a rentabilidade na produção leiteira", criando parâmetros técnicos que avaliam cada uma destas características e que se encontram incluídos nas provas de todos os seus touros.

Um dos aspectos mais importantes e desejáveis nas matrizes leiteiras é a Durabilidade (DU), ou seja, aumentar a vida útil das filhas de um touro, incrementando a sua produção de leite e de crias, reduzindo as taxas de descarte do rebanho.

O gráfico abaixo mostra a evolução da produção leiteira na Vida Produtiva Útil (VU) das vacas na Holanda nos últimos 16 anos.

Figura 1

Pelo gráfico acima, pode-se constatar que a produção leiteira na Vida Útil evoluiu neste período dos 19.593 kg para os 27.279 kg de leite, ou seja, cresceu 39%.

Isto vem acontecendo, basicamente, em função do aumento da Vida Útil, e com crescimento simultâneo da produtividade, como pode ser constatado no gráfico abaixo:

Figura 2

O gráfico acima demonstra o incremento alcançado na Vida Útil das vacas leiteiras na Holanda nos últimos seis anos, ou seja, partindo-se de 1083 dias, em 1999, para 1207 dias em 2004, o que significou um aumento de 11%.

O cálculo da Vida Útil das vacas (expressa em dias) é simples. Basta dividir o número 100 pela taxa anual de descarte (expressa em %) e multiplicar por 365 (dias do ano).

Desta forma, pode-se calcular qual foi a magnitude de redução ocorrida na Taxa de Descarte (TD) das matrizes leiteiras na Holanda, em função do incremento da Vida Útil (VU), de acordo com as fórmulas abaixo:

TD = Matrizes Descartadas/Matrizes do Rebanho x 100
VU = 100/TD x 365
TD = 100/VU x 365
Onde: TD = Taxa de Descarte (%) e VU = Vida Útil (em dias).

Em 1999, por exemplo, a VU das vacas na Holanda foi de 1083 dias. Desta forma, a TD foi de 33,7% ao ano (TD = 100/1083 x 365). Já em 2004, como a VU subiu para 1207 dias, a TD caiu para 30,2% (TD = 100/1207 x 365).

Portanto, houve redução de 3,5 pontos percentuais na Taxa de Descarte das matrizes leiteiras na Holanda entre 1999 e 2004. Isto significou, por exemplo, uma diminuição de 49 mil matrizes descartadas anualmente e o mesmo número de novilhas excedentes para comercialização, incrementando a renda dos produtores holandeses, visto que o País possui atualmente cerca de 1,4 milhão de matrizes leiteiras.

Na HG, o mérito genético para Durabilidade (DU) é expresso com um índice, da mesma forma como são classificados os valores para tipo. A média do parâmetro DU é 100 e para cada ponto de DU acima de 100, espera-se um incremento de 10 dias na Vida Útil das filhas deste touro no rebanho.

Touros com durabilidade 110, por exemplo, vão gerar filhas que viverão 100 dias a mais no rebanho. Por outro lado, o inverso também é verdadeiro, ou seja, touros com DU abaixo de 100 terão filhas menos longevas.

Como a média da VU na Holanda, para 2004, foi de 1207 dias, caso utilizemos um touro com DU = 110, a vida útil das suas filhas subiria para 1307 dias, ou seja, reduzindo-se a TD para 27,9%.

Do ponto de vista prático, cada cinco pontos positivos de DU vão reduzir em 1,2 ponto percentual a Taxa de Descarte. O inverso também acontece, ou seja, touros negativos para DU irão aumentar a taxa de descarte dos rebanhos.

De posse destas informações, pode-se calcular previamente os impactos técnicos e econômicos advindos da utilização de touros com diferentes características para DU e produção de leite, por exemplo.

A tabela abaixo calcula as diferenças nas progênies de filhas, utilizando touros com DU diversas, partindo de um rebanho inicial que apresenta taxa anual de descarte de 30% e produção de 9000 kg de leite por lactação.

Figura 3

Fica constatado que o uso de touros com DU acima de 100 vai diminuir a taxa anual de descarte e aumentar a quantidade total de leite produzida na vida útil das filhas deste touro. O inverso também é verdadeiro. Já se usarmos um touro com 113 de DU neste rebanho, a Taxa de Descarte anual será reduzida para 27,1%, aumentando a produção de leite em 3205 kg na vida útil de cada filha sua.

O incremento máximo da produção de leite na vida útil das filhas de um touro será alcançado utilizando touros com gradientes positivos para Leite e DU simultaneamente. Entretanto, deve-se ponderar que somente o diferencial para leite não é suficiente para elevar a produção na vida útil, caso o touro apresente DU negativa.

A tabela abaixo mostra um exercício comparativo entre dois touros. Utilizamos, neste ensaio, touros com características distintas. O primeiro, por exemplo, possui elevada DU e produção leiteira equilibrada. Já o segundo, apresenta baixa DU e elevada produção leiteira.

Figura 4

Os resultados comprovam que haverá aumento da vida útil das filhas do touro A, com conseqüente redução na taxa de descarte do rebanho, quando comparadas às filhas do B.

Embora a produção de leite por lactação seja maior para as filhas do touro B, percebe-se que as mesmas irão produzir menos leite na sua Vida Útil, em função da DU negativa.

Portanto, quando se busca aumentar a produção de leite na Vida Útil das matrizes, deve-se atentar para a combinação dos parâmetros DU e mérito genético para leite.

O máximo resultado econômico com o melhoramento genético nem sempre será alcançado quando se observa apenas os parâmetros para produção de leite e tipo das provas dos touros.

A Durabilidade também deve ser considerada, visto que é o parâmetro mais importante quando se busca aumentar a vida útil produtiva das filhas de um determinado touro.

O incremento da lucratividade está condicionado principalmente à geração de filhas mais longevas e rentáveis nos rebanhos leiteiros e este deve ser um dos principais objetivos dos produtores de leite, independentemente dos sistemas de produção que estejam utilizando nas suas explorações.
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