ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

O potencial oferecido às vacas leiteiras através da nutrição clínica e funcional

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 16/06/2021

6 MIN DE LEITURA

0
3

A seleção genética de animais para a produção de leite muda substancialmente seu metabolismo. A nova “configuração” das vacas favorece a glândula mamária, com mais prioridades metabólicas do que qualquer outro tecido, sendo isso tão importante quanto a reprodução ou a imunidade.

Toda a seleção, agora apoiada na genômica, priorizou, nos últimos anos a produção da maior quantidade possível de leite, gordura e proteína. A seleção genética recompensou as vacas cujo úbere possuía as células do epitélio do alvéolo mamário cada vez menos dependentes da insulina e, portanto, capazes de adquirir sem a sua "intermediação" nutrientes como glicose, aminoácidos e ácidos graxos. Esse "assédio metabólico" é atenuado quando a vaca gesta novamente, porque o útero e o tecido adiposo recuperam a prioridade imposta pelo feto. 

A necessidade urgente da indústria de possuir leite com crescentes porcentagens de gordura e proteína impôs às vacas outra profunda reorganização metabólica. Para aumentar a disponibilidade de ácidos graxos de cadeia longa e de aminoácidos à glândula mamária, foram selecionadas as aptidões de perda de peso e fácil mobilização das reservas musculares de "proteínas lábeis”. 

Portanto, o produtivo gado leiteiro moderno, cujo leite possui maior concentração de proteína (principalmente caseína; a proteína mais importante do leite) e ácidos graxos, tende a ter uma resposta mais baixa à insulina, pelo aumento do açúcar no sangue e uma menor suscetibilidade dos tecidos à ação desse hormônio pancreático. Logo, esse comportamento alterado da insulina, predispõe os animais a uma maior mobilização lipídica, com efeitos positivos no percentual de gordura do leite. No entanto, o aumento da entrada de ácidos graxos não esterificados (AGNE) no fígado, aumenta o risco de cetose metabólica e esteatose hepática, tanto clínica quanto subclínica. Bobe et al., (2004) reportaram que 50% das vacas leiteiras podem sofrer esteatose hepática moderada ou severa.

Além disso, as vacas de potencial genético elevado (PGE), possuem um nível de hormônio do crescimento superior quando comparado a um animal menos selecionado. Entre os múltiplos efeitos desse hormônio hipofisário está o aumento do fluxo sanguíneo e, portanto, o suprimento de nutrientes à glândula mamária. Além disso, o suprimento sanguíneo hepático aumenta e, com ele, a liberação de estrogênio e progesterona, um aspecto que explica parcialmente a redução da fertilidade típica dos animais PGE. Para se entender a estrutura hormonal e metabólica dos ruminantes de PGE, pode-se citar, ilustrativamente, o que acontece no metabolismo de um ser humano diabético, identificando alguns aspectos bem conhecidos por Nutricionistas e Veterinários (Figura 1).

Deficiência de insulina primária (diabetes tipo 1) ou secundária (diabetes tipo 2)

Figura 1. Deficiência de insulina primária (diabetes tipo 1) ou secundária (diabetes tipo 2)

A subtração primária de aminoácidos, tanto essenciais como não essenciais, devido à síntese de proteínas e outros nutrientes na glândula mamária, muito frequentemente induz a deficiências secundárias de aminoácidos. Isso pode conduzir a repercussões negativas na saúde das vacas, agindo na exportação de triglicerídeos desde o fígado, na produção (especialmente hepática) do hormônio IGF-1 e na eficiência total do sistema imunológico, tanto humoral quanto mediado por células. 

Vacas com rendimento de 45 kg de leite/d e 3,2% de proteína, produzem 1440 g de proteína (1100 g de caseína). Precisa-se de 1,5 g de proteína metabolizável para se produzir cada grama de proteína láctea, de modo que a vaca necessita 2160 g de proteína metabolizável (PM) só para a produção diária de leite. Estima-se que, entre 2 semanas antes do parto e as 5 primeiras semanas de lactação, as vacas PGE percam até 115 kg de tecido muscular, o que corresponde a cerca de 21 kg de proteína muscular. Dados bibliográficos indicam que mais de 25% das vacas Holandesas produzam 2,9% de proteína a menos durante os primeiros 75 dias de lactação. Ainda que sejam vacas de PGE, elas produzem menos proteína láctea que a esperada. Isso comprova que, embora o úbere e a síntese de proteína sejam prioridades, as vacas recém paridas possuem deficiência de aminoácidos (Fantini, 2019).

A metionina (Met), um dos aminoácidos essenciais (AAE) mais estudados, totaliza 5,5% do total de AAE no leite bovino, constituindo entre 2,48 e 3,32% da caseína. As vacas extraem Met da PM e da proteína muscular mobilizada. Metade do total da Met utilizada é proveniente da remetilação de homocisteína. A SAM, molécula sintetizada a partir da metionina, é envolvida em processos de metilação (doação de grupos metil) de outras moléculas, tais como DNA, RNA, lipídeos e proteínas. Os grupos metil têm um papel importante na expressão genética. Certos genes são silenciados através da metilação da citosina. Esses processos são influenciados também pelo ambiente (epigenética) e tornam os organismos, e sua prole diferentes, sem a modificação do DNA.

Mais do 30% da metionina total é usada para produzir a colina e, consequentemente, a Met também tem um papel central na síntese de apolipopotrína B e fosfatidilcolina. As necessidades de Met são estreitamente ligadas à quantidade absorvida de folato, vitamina B12, colina e betaína. Todos esses nutrientes podem ser suplementados de forma protegida da ação ruminal na dieta de vacas leiteiras.

É óbvio que essas características hormonais e metabólicas, voltadas principalmente para o desempenho produtivo, têm impactos negativos na saúde e na fertilidade das vacas leiteiras. Animais PGE precisam de dietas, controle de doenças infecciosas, manejo e ambiente muito “caprichados” para que não se adicione fatores de risco a estas particularidades metabólicas potencialmente negativas na imunidade, fertilidade, longevidade e até, no desempenho produtivo. Muitos dos problemas que afetam os ruminantes leiteiros são resultado do manejo deficiente durante a transição. Ambientes superlotados, estressantes, não controlados climaticamente, pobre manejo de dietas, falta de atenção da vaca, e talvez no futuro, o fotoperíodo, criam uma combinação de fatores etiológicos de risco que podem condicionar a prevalência de doenças metabólicas, que se concentram tipicamente durante a fase de transição. 

As doenças experimentadas durante o período de transição, representam 70-75% do total que podem afetar uma vaca leiteira, sendo todas intimamente ligadas. Consequentemente, se quisermos reduzir a prevalência excessiva de uma delas, devemos cuidar de todas as outras. A Figura 2 destaca as interconexões do metabolismo e as doenças, sendo todas elas são fatores de risco para as demais, afetando o desempenho animal.

Interconexões de patologias metabólicas

Figura 2: Interconexões de patologias metabólicas (Fantini, 2005)

O profundo conhecimento das mudanças do metabolismo dos animais sujeitos à seleção genética e genômica pode direcionar melhor a atenção dos produtores e técnicos sobre determinadas patologias e como preveni-las ou tratá-las. Os balanços negativos de energia, proteína e doadores de metil, bem como as patologias metabólicas, estão estreitamente relacionados durante o período de transição das vacas leiteiras. Essa coincidência temporal impacta negativamente a longevidade, a reprodução e a produção dos animais. Os antibióticos e as terapias hormonais devem ser reduzidos ao indispensável, tendo a nutrição clínica e funcional, um papel cada vez mais importante para a manutenção ou aumento do desempenho animal.

O Ruprocol® e o Timet®, marcas da Vetagro, são fontes microencapsuladas* de colina e metionina, respectivamente. Devido a sua qualidade e a sua relação custo-benefício, ambos produtos são amplamente utilizados em América do Norte, Ásia e Europa. De recente introdução no país, a distribuição de Ruprocol e Timet pela Farmabase já os tornou insumos de produção em várias fazendas brasileiras.

Quer saber mais? Fale conosco!

 

*Certificados de Bypass e digestibildiade intestinal emitidos pela Universidade de Cornell

 

Bibliografia

 

Adaptado do artigo original da língua italiana disponível aqui

Fantini, A.

Este é um conteúdo de Vetagro.

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MilkPoint AgriPoint