Dados divulgados pelo portal MilkPoint mostram o avanço dos sistemas confinados e a perda de espaço dos sistemas de leite a pasto. No levantamento Quem Produz o Leite Brasileiro 2026, entre 2024 e 2026 o volume captado em sistemas confinados aumentou 21,1%, enquanto os demais sistemas registraram uma redução de 15,5%.
Esse avanço pode ser explicado, em parte, pela maior produção individual das vacas no confinamento, favorecida pelo controle da alimentação e pelo aproveitamento do potencial genético dos animais. Contudo, precisamos avaliar também o resultado econômico. Em algumas situações, a margem bruta pode ser maior no sistema baseado em pastagem, como observado por Buttenbender et al. (2023). Os autores também encontraram maior lucratividade e maior retorno por hectare no sistema semi-intensivo, que combina pasto e alimentação no cocho, em comparação ao sistema intensivo (totalmente confinado).
Esses resultados se referem às condições das propriedades avaliadas e não representam todas as fazendas. Mostram, porém, que custos menores podem permitir uma margem bruta maior, mesmo com menos leite por vaca. Para o produtor que permanece a pasto, o desafio é aproveitar essa possibilidade e buscar ganhos de produção sem perder o controle dos custos.
Mas, então, como tornar a produção de leite a pasto mais eficiente e competitiva? O caminho envolve escolher a forrageira adequada, ajustar o manejo e investir na fertilidade do solo e no bem-estar dos animais.
A escolha começa pela forrageira, a base da alimentação.
Vacas em lactação tem elevada exigência nutricional. Por isso, precisam de um pasto que forneça nutrientes em quantidade e qualidade, com atenção à proteína, aos nutrientes digestíveis totais e à digestibilidade. Além disso, a forrageira deve produzir boa quantidade de folhas e apresentar boa aceitação pelos animais, favorecendo o consumo de matéria seca e, consequentemente, de nutrientes.
Os híbridos de forrageiras é a tecnologia que o produtor de leite a pasto precisava para aumentar a eficiência. A Papalotla Sementes trabalha com materiais desenvolvidos ao longo de anos de melhoramento genético, selecionados pela produção de forragem, pela qualidade nutricional, pela aceitação pelos animais e pela adaptação climática.
Com uma forrageira de qualidade e disponível em quantidade suficiente, as vacas encontram melhores condições para atender às suas necessidades nutricionais. A aceitação pelos animais e a facilidade de colher o alimento também favorece a rotina de pastejo, descanso e ruminação.
Um exemplo foi observado na Fazenda Bella Napoli, em Bela Vista de Goiás. Nessa propriedade, comparamos a produção de leite de vacas Jersey mantidas em pastagem de Camello e Tifton 85, com suplementação e sob mesmas condições de avaliação. Durante oito meses, as vaca que pastejaram o híbrido Camello apresentaram produção média diária 12% superior à das vacas mantidas no Tifton 85.
Além disso, a área do Camello suportou uma lotação três vezes maior. Naquela avaliação, o resultado reuniu dois ganhos: maior produção individual das vacas e melhor aproveitamento da área.
Esses resultados mostram o potencial da tecnologia para tornar o leite a pasto mais produtivo e competitivo. Para aproveitar esse potencial, é importante saber qual híbrido utilizar em cada situação.
Forrageira adaptada as condições climáticas aumentam o desempenho
Além de utilizar a tecnologia dos híbridos, é fundamental escolher uma forrageira adaptada ao clima, ao solo e ao manejo da fazenda. Pensando nisso, a Papalotla Sementes selecionou híbridos para diferentes condições de produção.
O Camello, já citado nesse artigo, apresenta alta tolerância a seca e adaptação a solos de baixa a média fertilidade. Essas características favorecem seu desempenho em ambientes com déficit hídrico e condições mais desafiadoras. Sua utilização prolonga o período de pastejo na seca e reduz a necessidade de suplementação com volumoso.
Para sistemas silvipastoris e áreas sombreadas, A Papalotla dispõe do Okapi, híbrido tolerante ao sombreamento. O Okapi tolera até 50% de sombreamento, permitindo combinar o conforto proporcionado pelas árvores com uma forrageira produtiva, de alta qualidade e persistente.
Para áreas com maior potencial produtivo, sem restrição hídrica e boa fertilidade, as opções incluem Cayman e Mestizo. O Mestizo é um blend, mistura física de dois híbridos: Camello e CIAT36087. A combinação busca maior estabilidade na produção de forragem, reunindo um híbrido mais produtivo nas águas e outro na seca.
Para produção de volumoso e o fornecimento de fibra longa, a opção é o Cobra. Esse híbrido de braquiária apresenta crescimento cespitoso, formando touceiras com porte ereto, característica que favorece o corte e a produção de biomassa. Também reúne boa relação folha:colmo e qualidade nutricional para a produção do seu conservado. Sua rápida rebrota permite realizar até três cortes durante o período das águas.
Solo e manejo precisam acompanhar a genética.
Assim como uma vaca de alto potencial produtivo precisa de uma boa nutrição, uma forrageira de alto potencial produtivo também precisa encontrar condições adequadas para expressar seu potencial.
A fertilidade do solo sustenta o crescimento do capim e influencia a produção e a qualidade da forragem. A análise de solo é o ponto de partida para definir a necessidade de correção e planejar a adubação da pastagem.
Outra ferramenta simples e de baixo custo é a régua de manejo. Acompanhar a altura do capim ajuda a definir o início e o fim do pastejo, respeitando as recomendações de cada cultivar. Isso favorece a oferta de folhas e o aproveitamento da forragem pelos animais.
Mais produção com margem
Voltando à pergunta inicial, é possível tornar o leite a pasto mais eficiente e competitivo. Combinando os híbridos da Papalotla, adaptados à realidade da propriedade, com o correto manejo.
Essa combinação favorece a produção de forragem em quantidade e qualidade, criando condições para aumentar a produção por vaca e sustentar um rebanho maior na mesma área, conforme a capacidade de suporte da pastagem.
O resultado esperado é mais leite produzido, melhor aproveitamento da terra e maior rentabilidade. Para que o aumento de produção se transforme em margem, é necessário acompanhar os custos e a resposta do rebanho aos investimentos.
Dessa forma, SIM, você será mais eficiente e competitivo.
Referências
Büttenbender, Pedro & Thesing, Nelson & Silva, Airton & Lima, Jesildo & Amaral, Volmir & Galli, Natália. (2023). Agricultura familiar e sistemas produtivos: produção de leite na região fronteira noroeste/RS. Guaju. 9. 119. 10.5380/guaju.v9i0.90480.