GnRH no Dia 0 do Protocolo de IATF - O Pontapé Inicial para a Sincronização Eficiente

A reprodução em rebanhos leiteiros de alta performance é um jogo de detalhes. Se você busca superar os gargalos da baixa concepção, a resposta pode não estar no final do processo, mas no exato momento do "play". Descubra como a escolha de Maxrelin para a ovulação e luteinização está redefinindo os índices de fertilidade no campo.

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1. A fertilidade é afetada de forma multifatorial – Um dos fatores é a escolha de um programa de IATF otimizado

Dentre os principais gargalos das fazendas leiteiras, ainda se destacam as baixas taxas de concepção, o que é desafiador, uma vez que a fertilidade é afetada por múltiplos fatores. Entre eles destacam-se: problemas de saúde e mudanças de escore de condição corporal durante o período de transição e início da lactação, nutrição, estresse térmico, condições de conforto e alojamento, genética, efeito do sêmen ou do touro, além do próprio programa de IATF utilizado. Diante desse cenário, é fundamental que a fazenda e os técnicos adotem uma visão holística do sistema de produção, buscando compreender e controlar os diversos fatores que impactam a fertilidade, para além do manejo reprodutivo em si. Apesar desse desafio, existe uma janela de oportunidade para melhorar a fertilidade, que está relacionada à IATF. Atualmente, existem otimizações estabelecidas nos protocolos que aumentam a fertilidade, sendo uma delas relacionada ao início do protocolo de IATF, a qual será discutida nesse texto.

2. Pontapé inicial da sincronização: Dia 0 do protocolo de IATF

Independente da base farmacológica do protocolo utilizado, os princípios fisiológicos que fundamentam a IATF são: sincronizar a emergência de uma nova onda folicular, controlar o ambiente endócrino durante o desenvolvimento do folículo pré-ovulatório e induzir a ovulação sincronizada de um folículo ao final do protocolo, permitindo a IATF sem a necessidade de observação de cio.

A indução de uma nova onda folicular no início do protocolo é fundamental para controlar a idade do folículo ovulatório ao final, uma vez que a ovulação de folículos persistentes (“velhos”) está associada à redução da fertilidade. Além disso, a presença de corpo lúteo (CL) e concentrações adequadas de progesterona (P4) durante o desenvolvimento do folículo pré-ovulatório são determinantes para o sucesso do protocolo. Altas concentrações de P4 estão associadas a menor taxa de múltipla ovulação, melhor qualidade oocitária, maior sincronização e, consequentemente, maior fertilidade.

Existem 2 principais estratégias para induzir a emergência de uma nova onda folicular: promover a atresia dos folículos presentes ou induzir a ovulação do folículo dominante. A atresia folicular é obtida pela combinação de estradiol (E2) e progesterona (P4), que suprime a secreção de hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH), os quais são responsáveis pelo crescimento folicular. Na prática, esse mecanismo é alcançado pela aplicação de benzoato de estradiol (BE) associada à inserção de um dispositivo de P4 no Dia 0 do protocolo. No entanto, entre 20 e 35% das vacas não apresentam emergência de nova onda folicular em resposta a essa estratégia. Além disso, a aplicação de BE em vacas em dias aleatórios do ciclo estral pode resultar em 40% ou mais de regressão dos CL presentes, ma vez que o E2 pode ativar o mecanismo de luteólise em uma parcela das vacas. Esse efeito é indesejável, pois reduz as concentrações de P4 durante o protocolo.

Com relação à emergência de onda em resposta à uma ovulação, entra no jogo o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). A aplicação de GnRH no Dia 0 tem o objetivo de induzir um pico de LH e subsequente ovulação nas vacas. Como consequência, ocorre a emergência de uma nova onda folicular e formação de um CL durante o protocolo. As vacas que ovulam apresentam melhor perfil de progesterona durante o protocolo, maior sincronização e maior fertilidade. A Figura 1 ilustra o racional fisiológico da utilização do GnRH no Dia 0 de protocolos de IATF em vacas leiteiras.

 

Figura 1. Esquema de um protocolo de IATF com o racional fisiológico da adição de GnRH no Dia 0. Abreviações: GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), CL (corpo lúteo), P4 (progesterona), PGF (prostaglandina F2α), CE (cipionato de estradiol), IATF (inseminação artificial em tempo fixo). Adaptado de Consentini et al. 2021.

Uma série de estudos comparou a fertilidade de vacas leiteiras de média a alta produção submetidas a protocolos de IATF iniciados apenas com benzoato de estradiol (BE) ou com a inclusão de GnRH, associado ou não ao BE. A Tabela 1 apresenta um compilado desses estudos, evidenciando um aumento médio de 27% na fertilidade quando o GnRH é utilizado no Dia 0 do protocolo de IATF. Dessa forma, a escolha do princípio ativo correto e da dose adequada de GnRH é fator determinante para maximizar os resultados. Nesse contexto, destaca-se o uso do Maxrelin, o GnRH da GlobalGen, administrado na dose de 2 mL no Dia 0 do protocolo de IATF, o que corresponde a 16,8 µg de acetato de buserelina. A utilização do Maxrelin no Dia 0 resulta em maior controle da dinâmica ovariana e melhor ambiente endócrino ao longo do protocolo, tornando o programa de IATF ainda mais eficiente na geração de prenhez no rebanho.

Tabela 1. Fertilidade de vacas leiteiras submetidas a protocolos de IATF iniciados apenas com benzoato de estradiol (BE), ou com a inclusão de hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) associado ou não ao BE.

Estudo

N de vacas

BE

GnRH1

Diferença, em %

P

Pereira (2015)

1.199

29,3

36,8

25,6

<0,05

Melo (2016)

1.035

33,7

38,2

13,3

0,07

Consentini (2021)

830

30,5

34,6

13,4

NS

30,5

40,7

33,4

<0,05

Consentini (2020)

943

37,5

42,8

14,1

NS

37,5

44,3

18,1

<0,05

37,5

42,0

12,0

NS

Consentini (2021)

916

35,5

43,2

21,7

<0,05

35,5

41,9

18,0

0,08

35,5

44,4

25,1

<0,05

Total

4.923

31,3

39,8

27,2

<0,01

1Os grupos experimentais com GnRH receberam somente GnRH ou GnRH + BE no Dia 0 do protocolo.

 

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Carlos E. C. Consentini1, Alexandre Prata1, Lucas Oliveira e Silva2, Rodrigo Alves3, Tiago Carneiro4, Rodrigo Belli5, Leonardo Melo6, Milo Wiltbank7, Roberto Sartori2.

1GlobalGen vet Science, 2Universidade de São Paulo, 3CRV Lagoa, 4Fazenda Bela Vista, 5Fazenda Canto Porto, 6Universidade Federal de Goiás, 7University of Wisconsin-Madison.

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Material escrito por:

Carlos Eduardo Cardoso Consentini

Carlos Eduardo Cardoso Consentini

Gerente Técnico da GlobalGen Vet Science, Doutor pela ESALQ/USP e University of Wisconsin-Madison, Mestre pela ESALQ/USP e Médico Veterinário pela FMVZ/USP

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