Estresse térmico na bovinocultura leiteira

Estresse térmico é desafio constante na pecuária leiteira. Veja soluções práticas de resfriamento e suplementação que reduzem suas perdas.

Publicado por: MilkPoint

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O estresse térmico é uma das maiores limitações da pecuária leiteira moderna. Além de reduzir diretamente a produção de leite, esse desafio afeta a saúde, a reprodução e a longevidade de todo rebanho.

Do ponto de vista fisiológico, o estresse térmico ocorre quando a vaca não consegue dissipar o calor corporal acumulado, ultrapassando sua zona de conforto térmico. Nesse cenário, a ativação dos mecanismos de termorregulação leva a um aumento da frequência respiratória (intensa eliminação de CO2), aumento da sudorese e maior fluxo sanguíneo periférico, que alteram o equilíbrio acidobásico do sangue. 

O desequilíbrio acidobásico logo repercute no metabolismo: alteração no equilíbrio iônico do sangue, o que afeta a atividade enzimática e o funcionamento ruminal. Somado a isso, a vaca reduz a ingestão de matéria seca já nos estágios iniciais do estresse e, paralelamente, respostas como redução do tempo de ruminação e o consumo mais seletivo de partículas concentradas favorecem a queda do pH ruminal, criando um ambiente propício ao surgimento de distúrbios metabólicos.

 

Experimente negociar com o estresse térmico

Talvez devêssemos falar menos de “combater o estresse térmico” e mais de “negociar com ele”. A vaca não deixará de produzir calor, o ambiente não deixará de ser quente em certas épocas do ano. O desafio real está em como criamos espaços onde o animal possa continuar em equilíbrio sem precisar abrir mão de tanta eficiência. Isso envolve, sim, sombra, ventilação e água, mas também envolve estratégias de resfriamento que considerem o comportamento do lote, horários de fornecimento dos alimentos, desenho das rotinas de manejo e até mesmo a dieta ajustada para menor incremento calórico.

Além disso, ao pensar em estratégias para lidar com o estresse térmico, devemos reconhecer que: os efeitos não se limitam ao momento imediato da exposição, mas se estendem de forma silenciosa para fases críticas do ciclo produtivo. Isso é especialmente relevante em fases-chave, como o período seco, no qual ajustes ambientais e nutricionais têm peso ainda maior. Um estudo realizado em vacas no período seco mostra de forma clara que o impacto do calor vai além da queda de consumo ou da redução momentânea na produção.

 

Detalhes invisíveis e impactos silenciosos

O estudo avaliou o impacto do estresse térmico, durante o período seco, sobre os alvéolos da glândula mamária de vacas multíparas (Figura 1). Dado-Senn et al. (2019) observaram alterações significativas na morfologia, com redução no número de alvéolos e aumento da concentração de tecido conjuntivo em comparação às vacas que não sofreram estresse. Esses resultados reforçam a relevância dos cuidados nesse estágio, uma vez que as mudanças estruturais repercutem diretamente na produção da lactação seguinte (confira também nossa última publicação no MilkPoint – Suplementação de vacas leiteiras no período seco).

Figura 1. Avaliação histológica da glândula mamária em lactação. Vacas holandesas multíparas foram submetidas a estresse térmico (HT, acesso apenas à sombra) ou resfriadas (CL, acesso à sombra, ventiladores e bebedouros) durante todo o período seco (~46 dias antes do parto). Biópsias mamárias foram coletadas aos 14, 42 e 84 dias de lactação (DEL). O número de alvéolos foi menor nas mães HT em comparação com as mães CL. A área dos alvéolos não diferiu entre os tratamentos. A proporção de tecido conjuntivo foi maior nas mães HT em comparação com as mães CL e maior no 14º DEL em comparação com o 42º e o 84º DEL.

Figura 1

 

O estudo também demonstrou que na lactação subsequente (Figura 2), as vacas expostas ao estresse térmico durante o período seco apresentaram menor produção de leite em comparação àquelas mantidas em condições sem estresse.

Figura 2. Produção semanal de leite ao longo de 280 dias em lactação. Vacas multíparas da raça Holandesa foram submetidas a estresse térmico (HT, acesso apenas à sombra) ou resfriadas (CL, acesso à sombra, ventiladores e bebedouros) durante todo o período seco (~46 dias antes do parto). A produção de leite foi menor nas vacas HT em comparação às vacas CL.

Figura 2

 

Além de o período seco influenciar diretamente a lactação subsequente, é importante reconhecer que o próprio período de lactação é também muito sensível aos efeitos do estresse térmico, podendo gerar efeitos ainda mais visíveis como claudicação e lesões podais (muito tempo em pé), queda na produção de leite (devido à baixa ingestão de matéria seca e ao aumento das exigências de manutenção; West, 2003; Rhoads et al., 2009; NRC, 2001), gerando um somatório de perdas que comprometem o desempenho produtivo de todo ciclo.

Ainda, estudos apontam que os efeitos do estresse térmico não se limitam à produção de leite. Alterações no sistema imunológico e no balanço hormonal, em especial nos níveis de progesterona, comprometem a qualidade dos oócitos e a viabilidade embrionária inicial, aumentando as perdas precoces e reduzindo a fertilidade em períodos mais quentes (Hansen, 2019; Wolfenson et al., 2000; Ortega et al., 2021).

 

Aditivos que auxiliam no equilíbrio do conforto térmico

Uma das alternativas criadas pela Vilomix Brasil é a utilização do Bovimix Fresh; aditivo composto por biotecnologias, que apoiam bovinos submetidos ao estresse térmico. Sua fórmula combina minerais, vitaminas, leveduras e extrato de pimenta (Capsicum), atuando diretamente no equilíbrio metabólico e no bem-estar do rebanho.

Nosso Bovimix Fresh:

  • Otimiza o consumo de matéria seca;

  • Melhora as condições ruminais e intestinais;

  • Fortalece a defesa do organismo;

  • Promove efeito imunomodulador;

  • Estimula o sistema anti-inflamatório; 

  • Age como protetor antioxidante.

O uso de aditivos nutricionais tem se mostrado uma estratégia importante para mitigar os efeitos do estresse térmico em vacas leiteiras, oferecendo suporte tanto ao metabolismo quanto à eficiência ruminal. Compostos como leveduras vivas e seus derivados contribuem para o aumento do consumo de matéria seca e ajudam a equilibrar a produção excessiva de calor metabólico no rúmen. Já os antioxidantes, como vitamina E e cromo orgânico, desempenham papel essencial na redução do estresse oxidativo, minimizando os danos causados pelo excesso de radicais livres produzidos nesse período. 

Além disso, a suplementação com extratos vegetais, como a pimenta, tem mostrado resultados promissores, auxiliando na redução da temperatura corporal e da frequência respiratória, ao mesmo tempo em que promove proteção intestinal e melhora a eficiência energética. Assim, a inclusão estratégica desses aditivos, quando associada a um programa de nutrição de precisão, representa uma ferramenta valiosa para manter a produção e a qualidade do leite, mesmo em condições desafiadoras impostas pelo estresse térmico.

Acesse o site da Vilomix para mais informações

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Departamento Técnico Ruminantes – Vilomix Brasil

Referências bibliográficas

Dado-Senn, B., Skibiel, A. L., Fabris, T. F., Dahl, G. E., & Laporta, J. (2019). Dry period heat stress induces microstructural changes in the lactating mammary gland. PLoS One, 14(9), e0222120.

Hansen, P. J. (2019). Reproductive physiology of the heat-stressed dairy cow: implications for fertility and assisted reproduction. Animal Reproduction.

National Research Council. (2001). Nutrient requirements of dairy cattle (7th rev. ed.). Washington, DC: National Academies Press.

Ortega, M. S., et al. (2021). Early embryo losses, progesterone and pregnancy associated glycoproteins levels during summer heat stress in dairy cows.

Rhoads, M. L., Rhoads, R. P., VanBaale, M. J., Collier, R. J., Sanders, S. R., Weber, W. J., Crooker, B. A., & Baumgard, L. H. (2009). Effects of heat stress and plane of nutrition on lactating Holstein cows: I. Production, metabolism, and aspects of circulating somatotropin. Journal of Dairy Science, 92(5), 1986–1997.

West, J. W. (2003). Effects of heat-stress on production in dairy cattle. Journal of Dairy Science, 86(6), 2131–2144.

Wolfenson, D., Roth, Z., & Meidan, R. (2000). Impairment of reproduction in dairy cattle under heat stress. Theriogenology.

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