Estabilidade, Perdas, Valor Nutricional, Digestibilidade, Fermentação e Contagem microbiológica de Silagem de Cana de Açúcar com uso deInoculantes Químicos e Biológicos

O presente trabalho avaliou o efeito de diversos aditivos na qualidade final da silagem de cana de açúcar. Confira os resultados!

Publicado por: MilkPoint

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Por:

Dr. Jefferson Gandra, Professor Adjunto A de Fisiologia e Nutrição Animal, Faculdade de Zootecnia da Universidade Federal da Grande Dourados - MS

Natyaro D. Orbach, Andrei Z. Escobar e Luis A. A. Júnior, Zootecnias da Faculdade de Ciências Agrárias, Universidade Federal da Grande Dourados - MS


O presente trabalho avaliou o efeito de diversos aditivos na qualidade final da silagem de cana de açúcar. Foi utilizado o inoculante Kerasil Cana (KSC) numa contagem de 160.000 UFC/g Lactobacillus Plantarum e 150.000 UFC/g de Proprionibacterium Acidiciproprionici/g de silagem, também 1% de ureia, 1% de CaO (cal virgem micro polarizado) 1% de sal comum (NaCl), associados ou não ao inoculante biológico.
 
Assim, foram formados 2 grupos de teste: I – Silagem de cana sem Inoculante: controle e adicionada de CaO, ureia e NaCl. II – Silagem de cana com Kerasil Cana: controle e adicionada de CaO, ureia e NaCl.

Antes da ensilagem, e após a aplicação dos aditivos, a forragem foi amostrada para cada tratamento. Foram utilizados baldes de polietileno de 30cm de altura e 30cm de diâmetro, tampas com válvulas de Bunsen para o escape de gases. No fundo dos silos, foi colocado 2kg de areia seca separada da forragem por uma tela e tecido de náilon.

A compactação foi feita até atingir a densidade de 650kg/m³ de forragem. Após a compactação, os silos foram vedados, pesados e armazenados. Aos 15, 30 e 45 dias após o fechamento, os silos foram pesados (perdas por gases) e abertos aos 45 dias. O conjunto silo, areia, tela e náilon foi pesado para determinar o efluente produzido.

A perda por gases foi calculada pela equação:

PG = (PSI – PSF/MSI x 100)
em que:
 
PG = perda por gases (% da MS);
PSI = peso do silo no momento da ensilagem;
PSF = peso do silo no momento da abertura;
MSI = Matéria seca ensilada (Kg de forragem x % MS);

A produção de efluentes foi calculada pela equação:
 
PE = (PSAF – PSAI) / MNI x 1000 em que:

PE = produção de efluentes (kg efluente x tonelada de matéria verde ensilada); PSAF = peso do conjunto silo, areia tela e náilon após a abertura (Kg);
PSAI = peso do conjunto silo, areia, tela e náilon antes da ensilagem (Kg);
MNI = quantidade de forragem ensilada (Kg);

Recuperação de MS = (MSF / MSI)* 100 em que:

MSF =quantidade de MS final;
MSI = quantidade de MS inicial;
 
A variação nos teores de MS foi calculada como a diferença em módulo da porcentagem de MS no momento da ensilagem e da % de MS na abertura.

Na abertura dos silos, após homogeneização da silagem, tomaram-se duas amostras de cada silo. Uma das amostras foi preparada segundo metodologia descrita por Kung Jr. et al. (1984) para determinação do pH (Silva e Queiroz, 2002), do nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total (N-NH3 ) (Chaney e Marbach, 1962), dos ácidos acético, propiônico, butírico e do álcool etílico (Erwin et al. 1961). A outra amostra foi pesada e mantida em estufa de ventilação forçada a 55ºC durante 72 horas.

As amostras mantidas em estufa colhidas antes e após a abertura das silos foram novamente pesadas, trituradas em moinho de faca até obtenção de partículas menores de 1mm e armazenadas em potes de plástico para determinação de MS, PB e FDN (Silva e Queiroz, 2002).

Após a abertura dos silos, as amostras foram colocadas em baldes plásticos a 28,5 ± 2ºC e umidade relativa do ar de 63,7 ± 12,6 (condições do ambiente) para avaliação da estabilidade aeróbica.

As temperaturas das silagens no período após a abertura foram obtidas a cada 8 horas durante 7 dias por meio de um termômetro inserido na massa da silagem contida nos baldes.

A estabilidade aeróbica foi calculada como o tempo gasto, em horas, para a massa da forragem elevar em 1ºC com relação à temperatura do ambiente (Driehvis et al. 2001).

As contagens totais dos micro-organismos foram realizadas tomando-se 0,1ml de cada diluição, em triplicata, cultivadas em meio MRS acrescido de 0,4% de nistatina para contagem de bactérias láticas; meio DRBC para contagem de fungos. As placas foram incubadas a 28ºC e a contagem foi feita 24-72 horas após a incubação. O mesmo para fungos filamentosos (mofos) e leveduras.

Os dados foram analisados pelo SAS e a normalidade dos resíduos e homogeneidade de variâncias, foi usado PROC UNIVARIATE. As medias foram submetidas à análise de variância pelo PROC MIXED do SAS comando, versão 9.0 com nível de significância de 5%.


 
Perda de Gases: A cana ensilada com KSC teve a menor perda de gases comparada à silagem sem inoculante e independente de outro aditivo utilizado ou não.

Perdas por Efluentes: As perdas foram menores para os materiais ensilados com KSC. A cana ensilada sem qualquer aditivo apresentou as maiores perdas.

Perdas Totais: As maiores perdas foram encontradas na cana ensilada sem qualquer aditivo. Não houve diferença entre os silos inoculados com KSC em relação à cana ensilada com aditivos químicos.

Recuperação de MS (%MS): A menor recuperação aconteceu na cana ensilada sem nenhum aditivo. Não houve diferença entre os silos inoculados com KSC e os silos ensilados com aditivos químicos.

Estabilidade Aeróbica: Os silos inoculados KSC, KSC + CaO + NaCl demoraram mais tempo para perder a estabilidade aeróbica.




 
Bactérias láticas: As maiores contagens apareceram nos silos inoculados com KSC.

Mofos e leveduras: As menores contagens apareceram nos silos inoculados com KSC.

Bactérias totais: A maior contagem apareceu no silo inoculado com KSC mais ureia, seguido do silo inoculado com KSC.



Conclusão: O inoculante Kerasil Cana apresentou melhores resultados, associados ou não aos aditivos químicos utilizados.
 


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