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É possível nutrir com precisão as vacas leiteiras?

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 14/09/2021

6 MIN DE LEITURA

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Uma frase que não é nova, mas que soa interessante, é “a nutrição de precisão das vacas leiteiras”. Ela é definida como o conjunto de práticas que visam melhorar a eficiência produtiva dos animais, mas encara múltiplos desafios para que o consumo de nutrientes seja o mais próximo das exigências do animal, reduzindo assim a excreção de elementos não utilizados, a poluição ambiental, as ineficiências do sistema e as perdas econômicas (Pedroso, 2014).

Portanto, nutrir com precisão as vacas leiteiras se encaixa perfeitamente com a tendência mundial atual de consumo de produtos originários de sistemas ecologicamente corretos, socialmente justos e economicamente viáveis. A nutrição de precisão (NP) não é um caminho simples, mas os resultados positivos acontecem. Para fazer NP na indústria leiteira é necessário o planejamento operacional, o treinamento do componente humano, a medição de muitas variáveis e a análise de informações em tempo real, pois o que se mede e analisa, se controla; e o que se controla, pode ser preciso. 

A NP só é possível quando pode-se controlar, na maior medida possível, o que o animal consume. A prática precisa do detalhamento criterioso das exigências dos animais e dos ingredientes que se utiliza na dieta. Por esse motivo, sem tirar o grandioso mérito da pecuária a pasto no mundo, é muito difícil aplicar o conceito NP no gado sob pastejo pela “imprecisão” na estimativa do consumo da forragem (quantidade e qualidade). Não obstante, essa dificuldade não tira a necessidade desse tipo de sistemas no mundo inteiro, nem limita o sucesso deles quando o manejo e a nutrição são adequados.

Mesmo em sistemas confinados, os desafios aparecem em todas as etapas da NP das vacas leiteiras: desde a formulação da dieta (análise de ingredientes, exigências animais, software-modelo utilizado), a mistura dos ingredientes (ordem de carregamento, pesagem, tempo de mistura), o fornecimento da dieta (refeições/dia, segregação de ingredientes durante o transporte, dieta afastada da linha de cocho) até o consumo da dieta (seleção de dieta, divisão de lotes, espaço no cocho, fornecimento de água, THI) (Tomich et al., 2015).

No entanto, existem diferentes meios para controlar cada etapa do processo, e cada um ou vários deles se correspondem às particularidades (manejo, clima, instalações) de cada fazenda. Para citar um exemplo, o peso corporal médio das vacas é extremadamente importante para a estimativa das exigências nutricionais dos animais. Mas como o objetivo das fazendas leiteiras (mesmo sendo de grande porte) é produção de leite e não de carne, em algumas oportunidades, não se usam as balanças, recorrendo-se ao “olhômetro” para a estimativa do peso. Porém,  essa prática conduz a erros até para a pessoa mais treinada. A utilização de fitas métricas calibradas para estimar o peso poderia ser um paliativo para esse problema e, com isso, diminuir também a subjetividade na medida.

As exigências nutricionais das vacas leiteiras possuem alguma margem de erro pois foram geradas sob condições de produção diferentes (Tomich et al., 2015). Não obstante, a evolução  das pesquisas permite, a cada dia, mais exatidão no cálculo, existindo modelos nutricionais que as ajustam considerando as particularidades de cada sistema de produção (por ex. as condições climáticas e a distância percorrida pelo animal diariamente, que afetam o consumo ou a necessidade de energia de mantença, respectivamente). Mas infelizmente, variações na resposta animal podem aparecer, porque os desafios sanitários, a variação inter e intra raças e todas as particularidades do manejo das fazendas ainda não são consideradas no cálculo das exigências nutricionais. 

Outro desafio é a variabilidade dos animais. Na fazenda, existem vacas de diferentes estados de lactação, número de partos e potencial de produção, e, portanto, suas exigências serão bem diferentes. A nutrição de precisão necessita suprir nutrientes, o mais próximo das necessidades de cada animal. Mas na prática, isso é impossível ao nível individual. Para tanto, deve-se dividir o total de vacas em grupos, onde seus indivíduos devem ser o mais semelhantes possíveis. Contudo, o total de grupos de vacas a serem criados, deve guardar um equilíbrio com a infraestrutura da fazenda, com o número de animais que integrará cada grupo e com a praticidade do manejo.  

O agrupamento de vacas pode ser feito em função da produção de leite (corrigida ou não), número de partos, dias em lactação, produção-peso corporal, presença de doenças ou critérios mais complexos, que as agrupam de acordo com as necessidades nutricionais, usando metodologias tipo cluster. Melhoras na receita menos o custo alimentar (RMCA) de até 31 $/vaca/ano, foram obtidas com o agrupamento de animais baseando-se nas exigências nutricionais (Barrientos-Blanco et al., 2020). Embora a divisão de um lote único em 2 ou 3 grupos de vacas signifique uma melhora no RMCA de 8 ou 12 $/vaca/ano, respectivamente (Wu et al., 2019), o desejo em manter as coisas simples foi identificado como um dos principais obstáculos para que se tenha mais grupos animais com fins nutricionais dentro da fazenda (Contreras-Govea et al., 2015).

A frequência com que são ajustadas as dietas também influencia o desempenho e a nutrição de precisão. Sem a alteração no consumo de matéria seca (20,7 kg/vaca/d), o ajuste trimestral, mensal ou semanal das dietas afetou positivamente o balanço de energia e a produção leiteira (35,9, 36,2 e 36,5 kg/vaca/d, respectivamente) (White & Capper, 2014). Porém, as respostas à divisão do rebanho e frequência de ajuste alimentar, são sujeitas à baixa margem de erro no sistema de alimentação inteiro. A frequente e adequada caracterização das forragens se torna muito importante nesse sentido, devido à sua elevada variação (o CV do conteúdo de MS das silagens pode oscilar entre 8 e 15%) (White & Capper, 2014).

A capacitação mão de obra, a caracterização dos ingredientes (especialmente as forragens), a estimativa de peso corporal, a adequação do estado do maquinário, a infraestrutura da fazenda, o manejo de cocho (leitura, limpeza e reposicionamento da dieta na linha de cocho), a divisão do rebanho, o registro e análise de informação, entre outros, são pontos chaves para a nutrição de precisão das vacas leiteiras. Além disso, na NP, o uso de alguns nutrientes microencapsulados também são necessários para cobrir as deficiências e potenciar a utilização da dieta em geral.  

A metionina está entre os aminoácidos mais limitantes quando vacas leiteiras em lactação são alimentadas com dietas típicas à base de milho (Schwab et al., 1976; Lean et al., 2018). A metionina também possui propriedades que incrementam o anabolismo e,  portanto, atua simultaneamente como substrato e estimulador da síntese de proteína nas vacas leiteiras (Yoder et al., 2020). Uma extensa pesquisa evidencia os efeitos positivos da suplementação com metionina protegida da ação ruminal sobre o desempenho produtivo e reprodutivo, a saúde hepática, a função imunológica, bem como, sobre os estados inflamatório e oxidativo. A deficiência desse aminoácido ocasiona uma variação entre o desempenho real e o potencial estimado para uma condição de produção, tanto pela possível alteração da síntese de proteínas quanto pelo aumento na incidência de doenças nas vacas leiteiras.

Sob o conceito de nutrição de precisão em vacas leiteiras, a suplementação de Timet® (a metionina protegida da ação ruminal da Vetagro) durante a lactação permitiu aumentar a eficiência de uso do nitrogênio alimentar, as porcentagens de proteína e de gordura do leite,   bem como a produção de leite e seus sólidos (Fredin et al., 2015; Sáinz de la Maza et al., 2019; King et al., 2019). Esse produto, de interessante relação de preço-biodisponibilidade, é distribuído pela Farmabase para todo o território brasileiro.

Quer saber mais? Entre em contato pelo box abaixo ou clique aqui e acesse o site.

 

Referências disponíveis mediante solicitação.

Artigo original de Luis Depablos (luis.depablos@vetagro.com)

Este é um conteúdo da Vetagro.

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