No Brasil foram constatadas suspeitas do vírus, mas não confirmadas. São casos que apresentam sintomas e em alguns deles em pacientes que teriam retornado de viagem à China, fazendo com que o Brasil entre em nível 2 de alerta (perigo iminente do vírus chegar ao país).
O CoV de 2019 é um vírus da família RNA (ácido ribonucleico) e é chamado de Coronavírus (CoV) porque sua partícula exibe uma “coroa” característica de proteínas espigadas em torno de seu envelope lipídico. As infecções por Cov são comuns em animais e humanos. Algumas cepas de CoV são zoonóticas o que significa que podem ser transmitidas entre animais e humanos, mas muitas cepas não são zoonóticas.
Em humanos, o Cov pode causar doenças que variam do resfriado comum a doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória no Oriente Médio (causada pelo MERS-CoV) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (causada pelo SARS-CoV). Sendo que nessas ocasiões investigações detalhadas demonstram que o SARS-CoV foi transmitido de civetas para humanos e o MERS-CoV de camelos dromedários para humanos.
Os primeiros dados levantados sobre o 2019-nCoV revelam que a sequência genética é de um parente próximo CoV encontrados circulando em populações de morcegos Rhinolophus (morcego-ferradura). Há suspeita que o 2019-nCoV possa ter uma fonte animal, mas se faz necessário mais pesquisas para a confirmação desse fato. Mesmo que as evidências indiquem que a introdução inicial do 2019-nCoV em humanos possa ter vindo de uma fonte animal a rota predominante de transmissão subsequente parece ser de humano para humano.
As pesquisas em andamento são extremamente importantes para identificar a fonte animal (incluindo espécies) e estabelecer o papel potencial de um reservatório animal nessa doença.
Como precaução geral a luz das evidências disponíveis e da experiência passada as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) são:
· Praticar medidas gerais de higiene como: lavagem regular das mãos com sabão e água potável após tocar em animais e produtos de origem animal. Evitando tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos.
· O consumo de produtos de origem animal crua ou malcozida deve ser evitado. Carne crua, leite ou órgãos de animais devem ser manuseados com cuidado, para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos, conforme boas práticas de segurança alimentar.
· Até um melhor entendimento do 2019-nCoV pessoas em condições de saúde debilitadas ou suscetíveis são as que possuem maior risco com a doença. Especial atenção a esse grupo de pessoas em viagem, evitar de consumir carne crua ou malcozida.
· Trabalhadores de matadouro, veterinários de inspeção de animais e de alimentos nos mercados, trabalhadores de mercado e aqueles que manipulam animais vivos e produto de origem animal devem praticar boa higiene pessoal, utilizar roupas protetoras, luvas, máscaras enquanto manipulam profissionalmente animais e produtos de animais frescos. Os equipamentos e estações de trabalho devem ser desinfetados com frequência. As roupas devem ser removidas após o trabalho e lavadas diariamente.
Entretanto não se sabe se o 2019-nCoV tem algum impacto na saúde dos animais e nenhum evento específico foi relatado em nenhuma espécie. Como recomendação geral os animais doentes nunca devem ser abatidos para consumo, os animais mortos devem ser enterrados ou destruídos com segurança e o contato com seus fluidos corporais sem roupas de proteção deve ser evitado.
Os veterinários devem manter um alto nível de vigilância e relatar imediatamente qualquer evento incomum detectado em qualquer espécie animal presente as autoridades veterinárias
No Brasil ainda não há ocorrência, apenas casos suspeitos, entretanto como já alertamos, estamos em nível 2 de atenção sendo assim, prevenir e manter como hábito os devidos cuidados e precauções, auxilia na prevenção contra o vírus.
Fontes:
OMS- Organização mundial da saúde
OIE – Organização mundial da saúde animal
Imagem:
Lissandro Stefanello Mioso-CRMV/RS 8457
Médico Veterinário/Consultor Técnico Comercial