A qualidade do leite é questão primordial para assegurar uma maior inserção do setor leiteiro brasileiro no mercado internacional. Também é importante para ampliar as possibilidades de desenvolvimento do setor e das atividades comerciais ligadas ao produto no mercado interno, beneficiando todos os elos da cadeia produtiva.
Para a professora da Universidade Federal de Santa Maria, da Usina Escola de Laticínios, Neila Richards, os produtores devem ficar atentos para a gestão da propriedade rural, priorizando pontos importantes como: profissionalismo, competência administrativa e gerencial e, principalmente, a capacitação. “A obtenção de leite inócuo e de boa qualidade higiênica e sanitária deve ser alcançada mediante práticas que combinem a sustentabilidade econômica com a responsabilidade da proteção da saúde humana, animal e do meio ambiente. É imprescindível que sejam aplicadas as boas práticas agrícolas na produção leiteira por sua relação direta com a qualidade e a inocuidade do leite e dos produtos lácteos”, afirma.
Para obter um leite com qualidade é essencial ter higiene completa em todas as fases de produção. A manutenção da qualidade envolve aspectos como higiene física, química e microbiológica. A higiene física envolve aspectos como densidade, acidez e ponto de congelamento; a química gira em torno dos teores de gordura e proteína, e a higiene microbiológica envolve a contaminação do leite com microrganismos.
Trabalhar com boas práticas implica formar uma equipe entre produtores, colaboradores e técnicos fornecendo e gerando conhecimentos para alcançar objetivos comuns. Nas boas práticas agrícolas de produção são considerados aspectos de: sanidade animal, higiene de ordenha, alimentação e fornecimento de água, bem-estar animal, meio ambiente e capacitação, ressaltando que a capacitação não se restringe à transferência tecnológica ou ao simples treinamento, mas abrange uma preparação mais completa, incluindo a consciência profissional, em busca do discernimento e da consciência crítica de suas necessidades, tanto do ponto de vista da subsistência quanto da expansão do agronegócio e mercado, é uma estratégia que visa atingir a formação e atualização contínua da equipe encarregada nas mais variadas tarefas da cadeia do leite.
O produtor deve ter conhecimento que a contagem de CCS é um indicador geral da saúde do úbere sendo utilizado como um indicador universal da qualidade do leite. O aumento na CCS provoca uma redução na atividade de síntese das células secretoras da glândula mamária - evidenciada por uma diminuição na concentração de lactose e um aumento da proteólise – indicada pelo aumento do conteúdo de protease peptona e da atividade da plasmina e aumento, também, da lipólise. Portanto, a composição do leite é alterada, sendo a caseína drasticamente reduzida. Como resultado da reação inflamatória, há um aumento do número de neutrófilos e das proteínas sanguíneas (albuminas do soro e imunoglobulinas).
Neila Richards acrescenta que estas mudanças afetam significativamente a qualidade e rendimento dos derivados lácteos, especialmente de queijos, em virtude da redução do tempo de coagulação e da firmeza da coalhada e, pela perda da caseína e gordura no soro. “Queijos maturados podem apresentar maior umidade, aumento de proteólise e do tempo de coagulação e perda de rendimento. Quase todos os derivados lácteos apresentam problemas de estabilidade durante a vida de prateleira e perda das características organolépticas. A redução da CCS no leite pode ser conseguida com o correto manejo dos animais e da ordenha, a manutenção dos equipamentos, medidas preventivas e corretivas. Porém, a meta de CCS deve ser definida para cada propriedade (tanque de resfriamento) com base nas prioridades e possibilidades de gestão. A produção de leite com valores de CCS inferiores a 200.000/mL é um objetivo desejável e alcançável e praticado em muitas regiões produtoras de leite. É pesquisar com o auxílio dos técnicos, descobrir onde está o problema e, eliminá-lo”, explica.
Para saber mais sobre o assunto participe do Interleite Sul 2015, que acontecerá nos dias 18 e 19 de junho, em Foz do Iguaçu/PR, no Recanto das Cataratas.
O Interleite Sul 2015 é organizado pelo MilkPoint, com a co-realização da Ceres Qualidade e do programa Oeste em Desenvolvimento. Conta também com o patrocínio diamante especial do Sebrae e da Itaipu Binacional; com o patrocínio diamante da Vallee; com o patrocínio platina da Adisseo, Agroceres Multimix, Bayer, Itambé, Casale e Vetoquinol; e com a participação da Inabor e CRV Lagoa. Possui ainda o apoio da FAEP/Senar, Cooperideal, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), UDC Centro Universitário, Parque Tecnológico Itaipu, FIEP, AMOP, Caciopar, APCBRH, Embrapa, Emater, Sindvet, dos jornais Folha Agrícola e O Presente Rural e das Revistas Feed & Food, Leite Integral, Mundo do Leite, Inforleite, Balde Branco e da Revista SindRural.
Para conhecer a programação completa do evento e fazer sua inscrição acesse www.interleite.com.br/sul. Inscreva-se já!