O sucesso do manejo reprodutivo do rebanho leiteiro não começa no dia da inseminação

Nos últimos 30 anos a produção das vacas de leite vem crescendo continuamente, enquanto a taxa de concepção das mesma vem caindo. A questão que os produtores precisam que seja respondida é como aumentar a concepção sem sacrificar a produção de leite. Mas essa resposta parece que já existe, pois pesquisas mostraram que 96% da variação da concepção vem de fatores do manejo como detecção de cio, nutrição, manipulação do sêmen, e ambiente ao qual a vaca é exposta.

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Nos últimos 30 anos a produção das vacas de leite vem crescendo continuamente, enquanto a taxa de concepção das mesma vem caindo. A questão que os produtores precisam que seja respondida é como aumentar a concepção sem sacrificar a produção de leite. Mas essa resposta parece que já existe, pois pesquisas mostraram que 96% da variação da concepção vem de fatores do manejo como detecção de cio, nutrição, manipulação do sêmen, e ambiente ao qual a vaca é exposta. E apenas os 4% restantes são relacionados a vaca e ao touro. Portanto não adianta ficarmos colocando a culpa na vaca por ela não ficar gestante, pois na maioria das vezes a culpa é nossa!

Um estudo realizado com vacas leiterias mantidas a pasto na Florida, EUA mostrou o efeito da saúde da vaca do parto até 30 dias após a primeira inseminação sobre a eficiência reprodutiva (Ribeiro et al., 2013). Apenas 27% das vacas não apresentaram nenhuma doença clínica (definida como: problema ao parto, metrite, endometrite clínica, mastite, problema de casco, doença respiratória ou digestiva) ou subclínica (alta concentração de ácidos graxos não esterificados, cetose subclínica, hipocalcemia subclínica) do parto até 30 dias após a primeira IA, e essas vacas tiveram boa eficiência reprodutiva. Vacas sadias que não apresentavam nenhum epsódio de doença clínica ou subclínica apresentaram 66,2% de prenhez/IA aos 60 dias após a primeira IA; as vacas que apresentaram apenas problemas subclínicos tiveram 57,1% de prenhez/IA; as vacas com apenas doença clínica 46,3% de prenhez/IA e as vacas com doença clínica e subclínica tiveram 42,1% de prenhez/IA.. Infelizmente não temos esses dados para as nossas fazendas, mas provavelmente essas redução da eficiência reprodutiva devido a ocorrência de doenças também esta acontecendo nos nossos rebanhos.

Avaliando os resultados de trabalhos realizados no Brasil tanto com vacas puras quando com vacas mestiças encontramos resultados inferiores ao reportados na maioria dos estudos realizados nos EUA. Será que estamos nos acostumando com as coisas erradas que acontecem em nossas fazendas? É comum encontrarmos fazendas nas quais o rebanho apresenta alta porcentagem de vacas com retenção de placenta, mastite, problema de casco, entre outras doenças e parece que tanto os técnicos quanto os proprietarios estão assumindo que isso é normal para um rebanho leiteiro. Temos que reverte esse pensamento.

Tanto para a vaca leiteira mestiça e quanto para a vaca pura expressarem seu potencial de produção elas precisam ter saúde, e a saúde de um rebanho é o reflexo de todo o manejo da fazenda. Portanto não adianta queremos que a vaca fique gestante após a primeira inseminação se não dermos as condições para que isso ocorra. O manejo reprodutivo da vaca de leite deve ser entendido como o conjunto de todas as ações desde o nascimento da bezerra, ou melhor, desde sua concepção até a última lactação da vaca dentro do rebanho.

Aproximadamente 75% de todas as doenças da vaca leiteria são diagnosticadas no primeiro mês de lactação. A redução da ocorrência dessas doenças é fundamental para que a vaca de leite possa expressar seu potencial de produção.

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Além da profa. Ricarda Maria dos Santos, o curso conta com um time de instrutores, especialistas no assunto: Prof. Dr. José Luiz Moraes Vasconcelos e os médicos veterinários Lucas Furtado Barbosa e Marcos Henrique Colombo Pereira.

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Material escrito por:

Ricarda Maria dos Santos

Ricarda Maria dos Santos

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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