Com uma programação voltada para a realidade e necessidades da região, a segunda edição do Interleite Sul - Simpósio sobre Produção Competitiva do Leite-Região Sul - reuniu 650 pessoas em Chapecó-SC, durante os dias 27 a 29 de outubro. Foram 19 palestras de especialistas do setor lácteo nacional e também de renomados palestrantes internacionais, além de debates e sessões de perguntas abertas aos participantes do evento.
O tema amplamente discutido no evento foi a competitividade do leite brasileiro - e em especial da região Sul - frente a outros países produtores. Glauco Rodrigues Carvalho, pesquisador e economista da Embrapa Gado de Leite, falou sobre custos de produção e competitividade do leite no mundo. "Os países mais competitivos em custo são os da Oceania, Índia e Argentina. Também existem fazendas muito competitivas em alguns países africanos, mas com estrutura fundiária muito pequena. É o mesmo caso da Índia, Paquistão, etc. Em termos de comércio de leite, os países da Oceania e a Argentina são bem competitivos, pois conseguem custos baixos e escala de produção empresarial", explica Glauco. Ao falar sobre o leite brasileiro, o pesquisador da Embrapa afirmou que a questão cambial vem prejudicando a competitividade do Brasil nos últimos anos. Em relação à Argentina, Alejandro Galetto, assessor de Política Leiteira da SanCor, expôs as vantagens comparativas do país frente ao Brasil. "Nossas fazendas são maiores, possuímos maiores ganhos em economia de escala, a produtividade por animal, por área e por homem também são maiores. A indústria argentina possui mais experiência em colocar o produto no mercado externo e, também por essa razão, a qualidade do leite é melhor". Mas o país vizinho também tem desvantagens em relação ao Brasil, e na opinião de Galetto, a maior delas refere-se ao fato da agricultura competir com a pecuária leiteira na Argentina, o que torna a oferta de leite instável.
Em se tratando da região Sul e, especificamente, do Rio Grande do Sul, Wagner Beskow, da CCGL Tec, afirmou que a importância da região deve continuar crescendo já que possui um potencial produtivo distante do limite: "o produtor gaúcho tem um rebanho em suas mãos geneticamente capaz de produzir 100% mais leite do que produz hoje. Outro fator ocioso é a terra. Os produtores retiram 5.000 L/ha/ano com alto custo por litro quando poderiam já estar colhendo 17.000 L/ha/ano com baixo custo, ainda sem irrigação. Ou seja, temos recursos já instalados nas propriedades para três vezes mais leite e de cinco a oito vezes mais renda líquida". Sobre o Estado de Santa Catarina, Airton Spies, diretor geral da Secretaria de Agricultura de SC, defendeu o avanço na pecuária leiteira baseada no modelo de sucesso de produção animal, como ocorreu na criação de suínos e aves. "Nosso grande desafio está em ter uma produção com custos baixos, baseados em pastagem, e um modelo organizacional como em cadeias já desenvolvidas no Estado", explicou Spies, que adicionou que Santa Catarina é um dos Estados que mais cresce em produção de leite.
Questões como manejo sanitário do rebanho, produção de forragens, nutrição e bem-estar animal também fizeram parte das discussões do evento. O pesquisador da ESALQ-USP, Alexandre Pedroso, abordou a questão do aumento do teor de sólidos do leite através da formulação da dieta e manejo. Segundo Pedroso, "a questão dos sólidos do leite torna-se mais importante a cada dia. Mesmo com sistemas de pagamento por qualidade ainda tímidos no Brasil, é importante que o produtor tenha em mente que produzir leite com maior teor de sólidos é fundamental para aumentar a lucratividade da fazenda", enfatizou Pedroso.
Seguindo a trajetória de sucesso, a segunda edição do Interleite Sul trouxe informação de qualidade e novos conhecimentos aos participantes, em especial aos produtores da região Sul do país, caracterizando mais um passo para o crescimento do setor lácteo nacional.
O evento teve o patrocínio master da DPA e o patrocínio da Bayer Health Care, da Sulinox, da Novus e da Agência de Desenvolvimento do Ceará, bem como o apoio do Sebrae/SC, FAESC, Prefeitura de Chapecó, Epagri/SC, PGG Wrightson, Udesc, revistas Balde Branco, Inforleite, Leite Integral, Leite e Derivados e Leite Sustentável, Convention Bureau de Chapecó, Sindicato Rural de Chapecó, FAEP, Emater/PR, Emater/RS e FARSUL. A Casale, a Novartis e a Kera Nutrição Animal também tiveram ações no evento.
Interleite Sul 2010 debate competitividade em estados brasileiros e Argentina
Com uma programação voltada para a realidade e necessidades da região, a segunda edição do Interleite Sul - Simpósio sobre Produção Competitiva do Leite-Região Sul - reuniu 650 pessoas em Chapecó-SC, durante os dias 27 a 29 de outubro. Foram 19 palestras de especialistas do setor lácteo nacional e também de renomados palestrantes internacionais, além de debates e sessões de perguntas abertas aos participantes do evento.
Publicado por: MilkPoint
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