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Métodos diagnósticos de resíduos de antibióticos no leite

PDPL/PCEPL-UFV

EM 26/09/2017

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*Por Marina Horta, Estudante de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Viçosa

Resíduos de antibióticos no leite têm sido, nos últimos anos, um dos maiores desafios impostos à indústria de alimentos lácteos. Eles possuem a capacidade de interferir no rendimento de alguns produtos, podem causar hipersensibilidade em humanos e resistência à antibioticoterapia, além de serem considerados indesejáveis pelos consumidores.

Os limites máximos de resíduos (LMR) permitidos para drogas de uso veterinário em alimentos são determinados pelo Codex Alimentarius, da FAO (Food and Agriculture Organization) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (FONSECA E SANTOS, 2000).

Esses limites têm importância fundamental por estabelecer segurança na concentração de resíduos que não apresente risco à saúde do consumidor. Para o leite, o LMR é baseado na dose diária de ingestão da droga que é aceitável (IDA) e que, se ingerida durante toda a vida do indivíduo, não apresenta riscos à sua saúde.

Tabela 1
- Limites máximos de antimicrobianos no leite. *ND – Não definido. Fonte: Programa Nacional de Análise de Resíduos de Medicamentos Veterinários em Alimentos Expostos ao Consumo - PAMVet.

Métodos diagnósticos de resíduos de antibióticos no leite

Diversos tipos de testes já foram desenvolvidos para detectar resíduos de antibióticos no leite. No mercado brasileiro estão disponíveis vários kits nos quais são classificados conforme seu modo de ação: “testes rápidos” e “testes lentos”. O princípio analítico deste último se baseia na inibição do crescimento bacteriano e o tempo necessário até a obtenção de seu resultado é caracterizado por demorar mais em relação àquele, cujo resultado é obtido em poucos minutos e pode se basear em reações enzimáticas ou imunológicas. No que se refere ao tipo de teste, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) não estabelece um teste padrão nem “aprova” qualquer um dos disponíveis no mercado (CASTANHEIRA, A.C.G.).

Os testes de inibição do crescimento microbiano se baseiam na incubação de um microorganismo conhecido com uma amostra de leite e, caso haja concentrações de antibiótico suficiente, o crescimento microbiano será reduzido ou eliminado, o que pode ser observado através de um halo de inibição (possível de ser percebido no método de disco em placas).

Nos testes Charm de inibição de crescimento usa-se um indicador ácido-base que indica se houve ou não crescimento bacteriano. Quando houver multiplicação bacteriana, o pH da amostra se torna ácido e consequentemente o indicador tem sua coloração alterada. No entanto, se a amostra tiver uma concentração de antibiótico superior ao limite de detecção do teste, o crescimento microbiano será inibido e consequentemente não haverá a produção de ácido e a coloração do indicador não será alterada (FONSECA E SANTOS, 2000).

É importante salientar que resultados falso-positivos podem ocorrer em amostras de leite com mastite devido o sistema de defesa do úbere produzir substâncias para combater os microorganismos invasores. Essas substâncias produzidas são capazes de inibir o crescimento bacteriano e assim fazer com que a amostra seja interpretada erroneamente como positiva. A principal desvantagem dos testes de inibição do crescimento, é que eles não são muito específicos para a identificação do antibiótico presente, além de necessitarem de algumas horas para sua detecção.

O Delvotest é um outro teste de inibição do crescimento onde a amostra de leite é combinada com uma mistura de nutrientes e bacilos. Ela é aquecida por duas horas e meia à 64°C. A mudança de cor também ocorre pela alteração de pH no meio, sendo que a cor amarela indica reação negativa, e a cor púrpura indica reação positiva. Resultados falso-negativos também podem ocorrer pois a lactoferrina e a lisozima, substâncias antimicrobianas naturais do leite que estão em maior quantidade no colostro e no leite com mastite, possuem efeito inibitório no crescimento dos bacilos.

Figura 1 - Utilização do Devoltest na identificação de resíduos de antibiótico no leite. 

Métodos diagnósticos de resíduos de antibióticos no leite

Já o Indexx Snap é um teste enzimático (teste rápido) que detecta além de beta-lactâmicos, aminoglicosídeos, sulfonamidas e tetraciclinas. Neste, o antibiótico é capturado por uma proteína ligante em uma matriz com suporte sólido absorvente localizado em uma unidade plástica moldada. A presença de antibióticos beta-lactâmicos na amostra resulta no desenvolvimento de um spot colorido, que é comparado a um spot controle, sendo este oriundo de uma concentração conhecida de beta-lactâmicos. A comparação entre as cores pode ser feita visualmente e, para a obtenção do resultado, gasta-se um tempo total de dez minutos por amostra.

Para a realização do teste deve-se coletar uma amostra de leite resfriada e homogênea. Com uma pipeta, coloca-se 450 a 500 microlitros de leite no tubo (até a linha indicadora). Agita-se o tubo suavemente para dissolver a pastilha de enzima. Em seguida, coloca-se a amostra na cavidade do dispositivo. Quando o círculo azul começar a desaparecer, pressiona-se o ativador para baixo ouvindo o som “snap” claro. Aguarda-se por seis minutos e realiza-se a leitura do resultado.

No resultado negativo, o ponto da amostra adquire coloração idêntica ou mais escura que o ponto de controle. Já no resultado positivo, o ponto da amostra adquire coloração mais clara que o ponto controle.

Figura 2 - Possíveis resultados utilizando o teste SNAP Beta-Lactam ST Plus Test. Fonte: Indexx Snap ST. Disponível em: https://www.idexx.com
Métodos diagnósticos de resíduos de antibióticos no leite
Uma questão que deve ser discutida refere-se à concentração de antibióticos na qual estes testes qualitativos são capazes de detectar. Ainda que a concentração de determinado antibiótico detectado no leite esteja dentro dos limites aceitáveis pela legislação, o resultado pode ser expresso como positivo no SNAP, CHARM II ou Delvoltest, utilizados em métodos de triagem nas indústrias. Por isso, a detecção de concentrações abaixo do LMR pelos testes qualitativos pode ser uma desvantagem ao produtor pois pode levá-lo à uma penalização e ao descarte do leite, quando na verdade, as concentrações estão dentro dos padrões legais. Neste caso, a realização de testes quantitativos confirmatórios deve ser executada quando a triagem for positiva e assim evitar o descarte de leite próprio para consumo humano.

Outra questão polêmica relacionada no que diz respeito à presença de resíduos de antibióticos em leite, refere-se à administração de medicamentos veterinários definidos como “descarte zero”. É importante ressaltar que não existe medicamento que seja inteiramente absorvido pelo organismo do animal, ou seja, qualquer droga ministrada a um animal terá parte da dosagem eliminada no leite. Neste caso, esta denominação deve-se ao fato de que as quantidades eliminadas no leite são inferiores aos LMR’s.

Sabe-se que a mastite é a principal doença do gado leiteiro que requer antibioticoterapia e portanto, uma das principais origens de resíduos de antibióticos no leite. O período de carência depende de fatores como a dose e esquema de tratamento utilizado, via de administração, produção leiteira do animal, além da formulação do produto. O período de carência dos antibióticos para uso em animais de produção deve constar na bula.

As principais razões para o aparecimento de resíduos de antibiótico no leite são: a não observância do período de carência; erro na identificação dos animais tratados; uso de drogas em diferentes dosagens; descarte do leite apenas do quarto tratado; uso de produtos de vaca seca em vacas em lactação; ordenha de vacas que abortaram antes de completar o tempo de gestação; e erro durante a ordenha com mistura de leite com e sem resíduos.

Portanto, é importante prevenir a presença de resíduos no leite através da implantação de um programa de controle de mastite que se baseie em medidas preventivas visando reduzir sua ocorrência no rebanho e, dessa forma, reduzir o uso de tratamentos para mastite.

Além disso, é importante identificar os animais que estão em tratamento e separá-los dos demais, respeitar o período de carência dos medicamentos, evitar o uso de antibióticos em doses ou esquemas de tratamento não recomendados na bula, bem como instruir funcionários e ordenhadores sobre o correto uso de antibióticos nos animais em lactação (FONSECA E SANTOS, 2000).

Referências bibliográficas:

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Programa Nacional de Análise
de Resíduos de Medicamentos Veterinários em Alimentos Expostos ao Consumo - PAMVet. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/alimentos/pamvet/index.htm.

FONSECA, L.F.L. da; SANTOS, M.V.dos.Qualidade do Leite e Controle de mastite. São Paulo, Lemos Editorial, 2000.

CASTANHEIRA, A.C.G.; Manual Básico Controle de Qualidade de Leite e Derivados. São Paulo, Edição Cap-Lab Indústria e Comércio Ltda, 2012.

BOLETIM ZOOTÉCNICO Zoetis: Resíduo de produtos antimicrobianos.

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