Carta enviada a Ricardo Boechat, pelos comentários na Bandnews hoje pela manhã (01.02.2013)
Blog Na Mira: Pela manhã do dia 01.02.2013, durante as críticas aos resíduos de agrotóxicos de alimentos no Brasil, fiquei extremamente desolada com a iniquidade que ouvi sobre a pecuária brasileira. (Segue a carta enviada ao jornalista.). Por Roberta Züge
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Acompanho, como milhões de outros brasileiros, seu programa na rádio Bandnews. Gosto muito de seus comentários e críticas, de modo geral, construtivas.
No entanto, hoje pela manhã, durante as críticas aos resíduos de agrotóxicos de alimentos no Brasil, fiquei extremamente desolada com a iniquidade que ouvi de sua parte. Acredito que desconheça a realidade da agropecuária séria que existe no território nacional. Não vou me ater aos vegetais, pois minha formação é na área pecuária, apesar de conhecer o amplo trabalho que é realizado com a produção integrada de frutas (PI Brasil), que contempla a sustentabilidade da produção em todas as suas esferas, entre elas a segurança do alimento, ponto da sua crítica.
Mas, sinto-me capacitada para argumentar sobre a produção pecuária de produtores e agroindústrias sérias.
Primeiro ponto: a questão de litros de hormônios no frango. Isto está mais do que comprovado que não há viabilidade para se utilizar tal recurso. Os hormônios, como os com efeitos tireostáticos, androgênicos, estrogênicos ou gestagênicos e ß-agonistas, demandam tempo de utilização para iniciar sua ação no organismo. Nosso frango é abatido com 45 dias, o que não seria suficiente para conseguir qualquer efeito. Aliado a estes fatores, o custo do hormônio inviabilizaria a produção, o preço seria muito alto do frango para o consumidor!
Citando informações técnicas:
“O Ministério da Agricultura, por meio de Instruções Normativas, regulamenta o uso de substâncias que podem ser administradas na alimentação animal, algo que para aves acontece desde 2004 e para bovinos é feito desde 2001.”
Quando se refere à proibição desses produtos na alimentação de aves a norma é bem clara quando diz que é proibida a administração, por qualquer meio, na alimentação e produção de aves, de substâncias com efeitos tireostáticos, androgênicos, estrogênicos ou gestagênicos, bem como de substâncias ß-agonistas, com a finalidade de estimular o crescimento e a eficiência alimentar. É assim que está definido na Instrução Normativa nº 17 de 18 de julho de 2004.
Cláudio Bellaver, pesquisador da Embrapa Aves e Suínos de Concórdia, em Santa Catarina, já explicou aos autores, editores de revistas, jornalistas, profissionais liberais formadores de opinião e leitores em geral, “que é um mito errado assumir que os frangos necessitam de hormônio exógeno (externo e adicional ao fisiológico) para apresentarem a boa performance produtiva que apresentam”.
Veja também a reportagem da TV Cultura, no Roda Viva.
http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/roda-viva-recebe-antonio-gilberto-bertechini
Outro ponto, de cruel desconhecimento, é sobre sua citação da “carne com quilos de remédios”, convidou-o a visitar o trabalho que realizamos com os produtores rurais, aqui na Região Oeste do Paraná . Neste caso com suínos, onde todos os medicamentos (quando aplicados) são realizados por prescrição técnica e cumpridos seus respectivos períodos de carência. Possuímos procedimentos para a aplicação e registros das atividades, que somente é realizada depois do funcionário ser treinado. Tudo feito com muita seriedade. Além dos requisitos para a garantia da segurança do alimento, trabalhamos com foco na sustentabilidade da produção, da proteção ambiental, na saúde e segurança dos envolvidos e na garantia do bem estar animal.
Neste mesmo sentido de produção leiteira, há, por parte de um grande número de produtores e laticínios, um rigoroso controle de resíduos no leite. Existem produtores que mantém salas de ordenhas separadas para animais em tratamento, para que não ocorra nenhuma contaminação no leite que é comercializado.
Por favor, busque mais informações nos organismos que possuem competência para afirmar tais questões de produção. Nosso país é amplamente dependente das pessoas que trabalham na agropecuária e, a maioria delas, não merece tais adjetivos citados pela manhã dos alimentos que produzem.
Material escrito por:
Roberta Züge
Membro do CCAS. Consultora técnica em fazendas e industrias de alimentos com foco no atendimento a requisitos legais e normas de qualidade. Coordenou o projeto da norma Brasileira de Certificação de Leite (MAPA/Inmetro). .
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SÃO PAULO - SÃO PAULO
EM 06/02/2015
Voce e DEZ . Voce diz no Jornal Band , a respeito da Briga : Aecio/ Renan
que os dois estavam errados . Voce não acha que Aecio tinha direito de
revendicar ( e nao levou ) o lugar que e de direito do PSDB na Mesa ,
conforme o regimento . O Renan , primeiro ate provoco o PSDB , escolhendo ele mesmo a pessoa do PSDB ( suspeita de ter votada em ele )
para o tal Lugar . O Renan que não recebeu e provavelmente nunca vai
receber 52 Milhoes de votos . Malandragem ele tem . E teve que abandonar
no passado a Presidencia do Senado , para não arriscar de perder o mandato . Não e um sujeito que se confie , de jeito nenhum ..
Obrigado pela atenção . ( ele debocho da derrota de Aecio . 1,5 % )
NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 08/04/2013
CURITIBA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 15/02/2013
Agradeço todos os comentários.
Sabemos das lacunas que ainda existem no setor. Temos muito trabalho ainda, em especial na garantia da qualidade. No entanto, também possuímos algumas ilhas de excelência em produção. Elas devem ser valorizadas e difundidas.
Minha indignação (e acredito de muitos outros) surgiu efeitos, pois houve retratações por parte do apresentador, foi pelos mitos amplamente difundidos e sem embasamentos, como o caso do hormônio em frangos, que foram mencionados enfaticamente naquele dia.
No momento que estava ouvindo a notícia, parei o caro e escrevi para a rádio, reclamando das informações inadequadas. No mesmo dia, enviei esta carta à rádio, ao apresentador e para várias outras instituições do setor, incluindo os órgãos de fiscalização. Não obtive respostas, mas melhor que uma mensagem é verificar a retratação, no rádio, do próprio apresentador.
Penso que devemos, além de fazer corretamente, conseguir evidenciar isto e, sempre que possível, combater propagandas negativas da nossa atividade.
Agradeço novamente os comentários e seguirei combatendo estas iniquidades, além de continuar me dedicando a difusão das boas práticas agropecuárias no campo.
Abraços

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 15/02/2013
Gerson Karpstein
Curitiba - Pr

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/02/2013
VOTUPORANGA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/02/2013
Sou produtor de leite a mais de 12 anos, e a postura do produtor mudou muito nestes anos, e hoje a grande maioria se preocupa com a qualidade do leite que produz, e também com os degetos desta produção, bem como a grande maioria dos laticinios estão dando assistência para os produtores para que os mesmo possa produzir seus produtos com qualidade e seguraça, pensando no consumidor final e também dando conforto para seus animais. Mais como em todos os seguimentos da sociedade existe os maus produtores como os maus jornalistas ou mal informados não é Boechat?
Abraços
João Luis Cavallari / (www.estanciajoaoluis.com.br)

PIRACEMA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS
EM 13/02/2013
Seu protesto tem meu total apoio, mas pergunto:
Quanto a produção de leite, sei que tem muitos controles na indústria de laticinios para recusar leite com problemas, mas tenho visto muitos (mas muitos mesmo) produtores injetando Ocitocina nas vacas para que produzam mais leite.
Esta ocitocina injetada ao organismo da vaca, pode de alguma forma passar pro leite e assim ser ingerida pelo homem? e mais, causar algum problema de médio longo prazo?
Ah, nem vou falar da contagem alta de CCS, que 95% dos laticinios não tem condições de fazer esta analise.
Técnico em laticinios e Biotecnologo

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 12/02/2013
Tá faltando Lobby.
Tá faltando propaganda.
Eu pago o sindicato, ele tem que cumprir o papel dele. As associações de raça, tambem. As de produtores e outras, também. Temos que eleger políticos comprometidos (é dificil, mas deve ter por aí...). Tem que influenciar a mídia? Tem também. Tem out-door falando "beba refri-cola", não vejo beba leite. E por aí vai...
RIO PRETO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 12/02/2013
LONDRINA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 12/02/2013
Também fico desolado com as besteiras ditas por pessoas que deveriam serem melhores informadas. Não são só os jornalistas, também participam deste "clube" médicos e nutricionistas, que não perdem oportunidades de duvidar da qualidade e do valor nutricional dos alimentos de origem animal.
Lamento também a falta da manifestação dos órgãos fiscalizadores, pois a eles caberia dizer sobre a qualidade dos alimentos que a população brasileira consome (ou pelo menos se manifestar...). Vigilância Sanitária e os serviços de fiscalização (só não me pergunte se são os municipais, estaduais ou federal).
Mas enfim, parece que você, como muitos de nós ainda de importa...

SALVADOR DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 07/02/2013
Parabéns novamente!!

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 07/02/2013
José Mauro
CÁSSIA - MINAS GERAIS
EM 07/02/2013
Concordando com o Sr. Paulo Luis Heinzmann, acho que, nesse momento, seria oportuno o nosso MAPA, que é um órgão de extrema importância e competência, se manifestasse, não em apoio a este ou aquele; mas, sim com intuito de esclarecer, de forma precisa, nossa sociedade que, infelizmente, está com várias informações equivocadas em relação ao setor agropecuário. É muita informação equivocada!

LIMOEIRO DO NORTE - CEARÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 07/02/2013
Muito oportuno e bem escrito seu comentario o que contribui para que fiquemos um pouco mais tranquilo a cerca da propagacao das informacoes verdadeiras e que contribuem para o melhoria do nosso criar.

SALVADOR DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 07/02/2013
Mas, cadê nossas representações de classe e associações??
Cadê nosso Ministério da Agricultura??
Lamentável opiniões assim, e que corroboram para o que sempre tenho dito: "toda vez que alguém fala sobre um assunto que desconhece, a chance de dizer asneiras é grande". Aí está mais uma prova.
Cabe a nós informá-lo da situação atual!!
Parabéns novamente!

ORLÂNDIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 07/02/2013
Parabéns Roberta. Fantástico artigo. Em geral os meios de comunicação adoram fazer afirmações midiáticas que não condiz com a realidade. Principalmente se ligado ao meio rural que é bastante desconhecido da população urbana, e ao escutar ou assistir reportagens muitas vezes absurdas acreditam por total falta de conhecimento. Pessoas formadoras de opinião como senhor Boechat, deveriam estudar mais antes de afirmar sobre assuntos que desconhece, prejudicando o setor mais importante e competitivo da economia brasileira.

TRÊS PALMEIRAS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/02/2013

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/02/2013
Bom dia!
Parabéns por sua contribuição cultural, técnica e social ao povo brasileiro, ao responder este jornalista "infeliz". Os profissionais de mídia, deveriam ser melhor orientados sobre o que comentar, pois as consequências de falsas informações podem gerar grandes prejuízos para profissionais e empresas sérias e regulamentadas pelo governo.
Merlin Castro - São Paulo
SÃO BORJA - RIO GRANDE DO SUL
EM 06/02/2013
O escândalo revelou alguns dos métodos empregados nas guerras pelos controles das companhias telefônicas, na qual ocorriam grampos a jornalistas, notícias plantadas e envolvimento de grupos poderosos.
Flagrado destes grampos, a situação de Boechat ficou insustentável na Globo.
Fontes:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-detalhes-do-imbroglio-que-resultou-na-demissao-de-ricardo-boechat-entao-um-jornalista-respeitado-da-globo-e-da-tv-globo/
e
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_Boechat

ARACAJU - SERGIPE - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/02/2013
Nós veterinários sabemos que não ha aplicação de hormônios, pois isto não traz nenhum resultado econômico em função da precocidade dos frangos de hoje, seria jogar dinheiro fora. A grande velocidade do ganho de peso se deve à grandes avanços na genética e na alimentação das aves.
A classe veterinária deveria se contrapor a este absurdo com mais veemência!
Já em relação ao uso indiscriminado de antibióticos, quimioterápicos, inseticidas etc. e a não observância do período de carência, principalmente em vacas de leitei, é uma realidade ainda para ser trabalhada e corrigida. Muito temos que fazer para ensinar e orientar os produtores em Boas Práticas de Produção e muitos deles só vão aprender, se isto pesar no bolso através de pagamento por qualidade.