FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Manejo de ordenha melhora a qualidade do leite

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 24/09/2009

12
0
Um dos maiores desafios para o aumento da competitividade do setor leiteiro nacional é garantir mercados e a boa remuneração para a crescente produção. Para tanto é indispensável e urgente melhorar a qualidade do leite. Os resultados de avaliações de composição, CCS e CBT feitos pelos laboratórios credenciados da Rede Brasileira de Laboratórios de Qualidade do Leite indicam que o ritmo de melhoria da qualidade é ainda lento, altamente dependente de fatores regionais e de programas de pagamento por qualidade.

É praticamente um consenso entre os especialistas que os pontos críticos que atualmente demandam maior necessidade de melhoria são a alta CBT e o extrato seco desengordurado. Dependendo da região, o percentual de amostras que não atendem o padrão mínimo de < 1.000.000 ufc/ml varia entre 15 e 20% (Veja em: Situação da contagem de células somáticas de rebanhos brasileiros e americanos - Parte 1).

A CBT é indicativa das condições de higiene e armazenamento do leite. São bem conhecidas as fontes de contaminação do leite, entre as quais destaco: a glândula mamária de vacas com mastite, a superfície dos tetos, equipamentos e utensílios usados na ordenha e o uso de água de baixa qualidade. Após a ordenha, a manutenção do padrão microbiológico do leite é feita pelo resfriamento imediato em tanques de expansão.

Os resultados de pesquisa desenvolvidos nos EUA ainda na década de 80, e mais recentemente no Brasil, confirmam que a produção de leite com baixa contaminação é viável tanto para produtores com ordenha manual, quando aqueles utilizando a ordenha mecânica, independentemente do tamanho da propriedade. As medidas básicas que garantem a redução da CBT do leite são: a desinfecção dos tetos antes da ordenha (pré-dipping), a limpeza completa e rigorosa dos equipamentos, baldes, latões e mãos de ordenhadores e o resfriamento imediato.

Para quantificar a eficiência da aplicação de práticas de higiene na ordenha sobre a qualidade do leite, foi desenvolvido um estudo, com duração de dois anos, por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e EMATER-PR, os quais avaliaram um total de 46 propriedades, distribuídas em 19 municípios da região Central do PR. O objetivo foi monitorar a CCS e a CBT antes e após a aplicação do seguinte manejo de ordenha: descarte dos três primeiros jatos, desinfecção dos tetos com solução 750 ppm de cloro, higienização completa dos utensílios, tanques, baldes e equipamentos.

Das propriedades estudadas, 32 (70%) usavam ordenha manual e 14 (30%) a ordenha mecânica. Segundo os autores, após a aplicação das medidas de higiene de ordenha houve redução de 88% na CBT das propriedades com ordenha manual e 87% para as de ordenha mecânica (Tabela 1). Com referência a CCS, as reduções foram de 34% para ordenha manual e 52% para a ordenha mecânica (Tabela 2).

Tabela 1. Resultado das médias da CBT antes e após a aplicação das práticas de higiene nas 46 propriedades leiteiras com ordenha manual e mecânica de 19 municípios da região central do Paraná, entre 2005 e 2006.



Tabela 2. Resultado das médias da CCS antes e após a aplicação das práticas de higiene nas 46 propriedades leiteiras com ordenha manual e mecânica de 19 municípios da região central do Paraná, entre 2005 e 2006.



A despeito da evidente melhoria, alguns resultados merecem destaque. Por exemplo, em cerca de 47% das amostras analisadas a CBT foi superior a 1.000.000 ufc/ml, sendo que nas propriedades com ordenha mecânica a CBT foi cerca de 3 vezes maior que naquelas com ordenha manual. Este resultado indica que o equipamento de ordenha, quando não usado de forma adequada e sem a devida higienização, pode representar uma importante fonte de contaminação do leite.
Finalmente, os dados encontrados neste estudo indicam, com segurança, que a aplicação de medidas simples e de baixo custo tem alto impacto sobre a qualidade do leite e devem ser usadas em benefício dos produtores.

Fonte: Vallin, et al. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 30, n. 1, p. 181-188, 2009.

Leia o artigo completo:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/viewFile/2661/2313

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

12

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/09/2015

Obrigado, Roberto
ROBERTO DE ANDRADE BORDIN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/09/2015

Olá boa tarde...



Como ainda vejo em muitas unidades produtoras de leite dados elevados de CBT e CCS, quando relacionados as práticas básicas de ordenha, sendo estas práticas básicas sem execução.



Com certeza uma excelente exposição e clara sobre a simplicidade de conceitos para redução de CBT e CCS e melhorias na qualidade do leite.



Parabéns e abs.
ANDREIA MACHADO

BELA VISTA DE GOIÁS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/01/2013

Cloro ou iodo no pré dipping? Qual tem melhor resultado?
ANDRIA SEDREZ

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 30/11/2012

a ordenha manual tem alguma diferença em produtividade em relação a mecanizada?
ANDRÉ GONÇALVES ANDRADE

ROLIM DE MOURA - RONDÔNIA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/12/2009

Prof. Marcos. Muito bom o artigo. Mas tenho observado problemas que não tenho conseguido resposta. Segue algumas informações:
Trabalho com indústria de laticínio em Rondônia. Na região onde atuamos temos observado vários problemas com leite fora dos padrões físicos de qualidade. Em inspeções foram verificados todos os pontos de que temos conhecimento que interferem nesses resultados, e infelizmente não encontramos nenhuma resposta.
Vou resumir o que temos, pra iniciarmos:
- O leite é produzido com animais de baixa produção, média de 6 a 8 litros por dia em uma ordenha, geralmente efetuada pela manhã. Os bezerros permanecem com as vacas até às 14:00 horas e depois são apartados. A base da alimentação é pasto (nessa época de boa qualidade) na maioria brachiária brizantha e como suplementação apenas sal mineral.
- A ordenha é manual e em acompanhamento in loco se verificou que é completa.
- Os resultados das análises seguem:
Gordura: 2,68 - Proteína: 2,90 - EST: 10,99 - Densidade: 1,030 - Acidez: 15°D - Álcool: 79°GL negativo - Índ. crioscópico: -0,518°H - Pesquisas de antibióticos, neutralizantes de acidez e reconstituintes de dens: negativo - CCS: 230 - CBT: 335.
Dados adcionais: As vacas não apresentam estresse térmico a ponto de afetar seu metabolismo, estão ruminando normalmente, as fezes estão com boa consistência o que indica boa ingestão de matéria seca de fibra longa, o que descartamos como possíveis causas. Interessante é que não respeita uma regra. Esse fatos acontecem com inúmeros produtores em nossa região. Nessa propriedade específicamente existe uma grande quantidade de "cafezinho" como infestação de pastagens, mas não apresenta cortes pelos animais. Nas áreas onde os animais bebem água existe samambaia (pouca) mas apresenta algumas plantas cortadas.
Acho que dá pra começar. Se tiver mais alguma dúvida ou pergunta.
Tenho a impressão de que as causas do problema são as mesmas ou pelo menos semelhantes em todas as propriedade, tendo em vista que a maioria utiliza o mesmo "sistema de produção".
Certos de poder contar com a atenção, aguardamos resposta.

Obs. resultados analíticos do LQL-UFGO com informações adicionais de acompanhamento do laboratório interno de nossa indústria.
DIAN MATIAS NARDINO

ITAPIRANGA - SANTA CATARINA - ESTUDANTE

EM 07/12/2009

Achei muito interesante o artigo publicado.
A qualidade do leite esta sendo cada vez mais exigida, dessa forma é bom manter todos atentos sobre formas de aumantar essa qualidade.

para~béns pelo artigo

muito bom
ROGERIO LIMA

SANTA MARIA DE JETIBÁ - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/10/2009

Boa noite,
Alta CCS predispõe para alta CBT? não entendi essa colocação!

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Rogerio Lima",

Em algumas situações, a presença de vacas com mastite causada principalmente por Streptococcus agalactiae e Escherichia coli pode ser uma das fontes de contaminação do leite do tanque. Sendo assim, quando um rebanho é acomentido por um grande número de vacas com mastite subclínica causada por esses agentes mencionados, podemos ter uma situação em que a alta CBT do leite é de origem da mastite.

Esta situação não é o que acontece na maioria das vezes, já que a principal fonte de contaminação do leite ainda é a deficiência de higiene e limpeza dos equipamentos de ordenha.

Atenciosamente, Marcos Veiga
ADRIANO MARCELO RIGON

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/10/2009

Muito interessante a abordagem, mas gostaria de saber como foram os procedimentos de limpeza dos equipamentos (ordenha canalizada) após a ordenha, e se este último não precisa de ações para contribuir com uma CBT abaixo de 50 mil. Esta é nossa meta, hoje temos uma CBT de 79 mil.
Abraços e parabéns pelo esforço e dedicação para busca de melhorias para o setor leiteiro nacional.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado adriano marcelo rigon",

Em relação ao trabalho de pesquisa que foi o tema do nosso radar técnico, infelizmente não temos alguns detalhes, como o que você questiona. A descrição detalhada dos procedimentos pode ser obtida no artigo completo que está disponível:

http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/viewFile/2661/2313

A descrição literal dos procedimentos feita pelos autores é:

"Foram utilizadas práticas de higiene na ordenha testadas e recomendadas pelo Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal - LIPOA

- da Universidade Estadual de Londrina (Figura 1): desprezo dos três primeiros jatos de leite, predipping direto com solução clorada 750 ppm em

caneca sem refluxo, higienização manual vigorosa de baldes, latões e refrigeradores com detergente alcalino clorado 2% e fibra macia LT Scotch-brite

ou similar e inversão dos latões e baldes e inclinação de refrigeradores para escoamento da água residual (Fagan et al, 2005)."

Atenciosamente, Marcos Veiga
LUCIANO DI CARLO BOTELHO DIAS

OURO PRETO DO OESTE - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/10/2009

Os laticinios não valorizam um leite de boa qualidade, o produtor que tira um leite com ordenha mecanica recebe o mesmo que a manual, e quem conhece o setor sabe que leite manual não tem aceio algum na epoca das aguas o leite é de pessima qualidade,o leite com ordenha mecanica é um leite mais higienizado e não tem contato com quem o tira, ele sai direto do teto para o tambor ou resfriador. Se as industrias querem um leite de melhor qualidade eles tem que valorizar o produtor que investiu em melhoramento de ordenha.
JOÃO PAULO MARIANO

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/09/2009

Belo trabalho,
Trabalho diariamente com esse tema, vejo que os parâmetros da IN-51/2002 só são alcançados quando a iniciativa parte do produtor. Infelizmente a maioria não esta interessada, ai entra outro ponto, as penalizações que nem sempre causam uma perda que leve os produtores a repensarem seus atos.
MILTON MINORU OGSUKO CHUI

VILHENA - RONDÔNIA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 29/09/2009

Artigo muito interessante, meus parabéns.
O que me deixou um tanto surpreso foi a concentraçao de cloro para promover a desinfecção dos tetos, a quantidade 750 ppm de cloro. (750 litros de cloro em 1 milhão de litros de água). É isso mesmo?

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Milton Minoru Ogsuko Chui,

A concentração de 750 ppm de cloro foi a descrita no artigo e não é a que temos recomendado. Geralmente para pré e pós-dipping a nossa recomendação é usar entre 1 e 2% de hipoclorito.

Atenciosamente, Marcos Veiga
DANIEL SOMENSI

LAGES - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/09/2009

Parabéns pelo artigo.

A partir deste estudo pode-se perceber que com instrução do pessoal responsável pela ordenha, e a aplicação correta de algumas medidas higiênicas são o primeiro passo para se produzir um leite de melhor qualidade.