FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Situação da contagem de células somáticas de rebanhos brasileiros e americanos - Parte 1

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 28/07/2009

2
0
A contagem de células somáticas (CCS) do leite consolidou-se como um dos mais importantes indicadores de saúde da glândula mamária e de qualidade nos principais países produtores de leite. Os limites legais para a CCS do leite de consumo variam entre os países, como por exemplo: 400.000 cél./ml para a Comunidade Europeia, Austrália e Nova Zelândia, 500.00 cél./ml para o Canadá e 750.000 cél./ml para os EUA. Em relação ao Brasil, a partir de julho/2008 passou a vigorar o limite de 750.000 cél./ml para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e de 1.000.000 cél./ml para o Norte e Nordeste.


Os dados mais recentes sobre a situação atual da CCS de rebanhos brasileiros foram apresentados no III Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, realizado em Recife-PE, em setembro de 2008. Na Tabela 1 é apresentada a análise descritiva dos resultados de qualidade do leite analisados pela Clínica do Leite (ESALQ-USP), as quais totalizam amostras de 272 empresas com SIF e SISP. Pode-se verificar que de um total de 530 mil amostras analisadas entre jun/07 e jul/08, a média aritmética foi de 489.000 cél/ml e a média aritmética de 349.000 cél./ml. A análise dos resultados da CCS em relação aos anos de 2005 e 2008 indica estabilidade deste indicador.

Tabela 1. Análise descritiva de resultados de análise de leite da região Sudeste - Clínica do Leite (Fonte: Cassoli, et al. Diagnóstico da qualidade do leite na região sudeste entre 2005 e 2008, Anais do III Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, 2008).

Clique na imagem para ampliá-la.

Um indicador importante sobre os resultados de CCS é a porcentagem de rebanhos que se encontra fora do limite legal. Pode-se perceber pela Figura 1 que a porcentagem de amostras não conformes para a região Sudeste (amostras analisadas pela Clínica do Leite) foi de cerca de 10%, passando para 16% no mês de julho/2008, quando foi considerado o limite de 750.000 cél./ml.


Figura 1. Porcentagem de amostras não conformes para CCS e CBT para a região sudeste - Clínica do Leite (Fonte: Cassoli, et al. Diagnóstico da qualidade do leite na região sudeste entre 2005 e 2008, Anais do III Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, 2008).

Considerando os dados relativos ao Laboratório de Qualidade do Leite da Embrapa Gado de Leite (LQL), os quais avaliaram rebanhos localizados nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, a média geométrica para a CCS no período de janeiro/2007 a junho/2008 foi 372.000 cél./ml (variação entre 279 e 430 mil cél./ml). Foi analisado neste período um total de 270 mil amostras de leite para CCS e componentes, das quais 50% foram oriundas do Estado de Minas Gerais, e 35% e 15% dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, respectivamente. Considerando o limite de 750.000 cél./ml, o total de amostras não conformes para CCS foi de 20%. A variação média da CCS dos rebanhos analisados pelo Laboratório de Qualidade do Leite da Embrapa Gado de Leite (LQL) está apresentada na Figura 2.


Figura 2. Variação média da contagem de células somáticas de acordo com os meses do ano (janeiro/2007 a junho/2008) - Laboratório de Qualidade do Leite da Embrapa Gado de Leite (LQL) - Fonte: Souza et al. Qualidade do leite de rebanhos bovinos localizados na região sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro,janeiro/2007 a junho/2008, Anais do III Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, 2008.

Fonte: 1) Anais do III Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, Recife-PE, 2008.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

EDUARDO MESQUITA FREIRE

BARRA DO GARÇAS - MATO GROSSO

EM 08/08/2009

Caro Walter, os três principais fatores que determinam a contagem microbiana do leite ou CBT são: Higiene de ordenha, limpeza do(s) equipamento(s) que entram en contato com o leite pós ordenha e o resfriamento do leite e manutenção deste à temperaturas inferiores a 4ºC. As bactérias provenientes do úbere (causadoras de mastite) são minoria na Contagem Bacteriana Total.

No seu caso eu diria que tua condição em termos de ordenha e resfriamento do leite é excelente e a condição de mastite do seu rebanho é satisfatória, uma vez que estes valores (300 a 400) não são "tão altos" assim, lógico, podse-se melhorar, trabalhar na faixa de 200.000 CCS deve ser o objetivo.

WALTER JARK FLHO

SANTO ANTÔNIO DA PLATINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/07/2009

Prezado Marcos. Embora já tenha ouvido várias explicações não entendo porque não há uma correlação entre CCS e CBT. Uma alta CCS está associada principalmente a mastite sub-clinica (é o que ouço). A mastite por sua vez depende de uma infecção. Infecção sugere presença de bactérias. Certo? Na minha propriedade tenho uma CCS que varia de 300 a 400 que é alto para os padrões que o laticinio exige. Por outro lado a CBT tem valores extremamente baixos. Com raras exceções, é inferior a 20 UFC. (Isto como média de 12 meses). O que eu não entendo e é a razão da minha pergunta é o seguinte: Porque as bactérias que estão provocando mastite não aparecem na análise da CBT? No meu entendimento, se o úbere está infectado estas bactérias vão para o leite e deveriam aparecer na análise da CBT.

Agradeço desde já.
Walter

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Walter Jark Filho,

De forma geral, não existe uma alta correlação entre CBT e CCS. A maioria das bactérias causadoras de mastite, com exceção dos estreptococos (S. agalactiae), não apresenta como característica a eliminação de altas concentrações de bactérias causadoras de mastite no leite produzido.

Sendo assim, nem sempre quando ocorre mastite, principalmente na forma subclínica, há alta contagem de bactérias no leite. Além disso, as bactérias causadoras de mastite não se desenvolvem bem em temperaturas de refrigeração, o que reduz a sua presença no leite.

Na maioria das situações, a alta CBT tem origem da pele dos tetos e de uma higienização ou limpeza deficiente do equipamento de ordenha. Somente em algumas situações específicas a mastite é causa de alta CBT no leite.

Atenciosamente, Marcos Veiga