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Interpretando resultados de cultura microbiológica de casos de mastite

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 17/05/2002

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O uso de culturas microbiológicas como ferramenta para o diagnóstico dos agentes causadores de casos de mastite é uma etapa bastante importante em um programa de controle de mastite. No entanto, muitas vezes não interpretamos de forma adequada os resultados e, assim, as informações que poderiam ser extraídas de forma mais completa são desperdiçadas. De maneira geral, considera-se como prova padrão para identificação de casos de mastite, que seja isolado, através de cultura microbiológica, um agente causador na amostra de leite. Como qualquer outro teste diagnóstico, a cultura microbiológica é passível de erros, o que discutiremos a seguir.

Os resultados de cultura microbiológica de leite podem se apresentar como uma das seguintes opções: a) ausência de crescimento microbiano, b) crescimento de um agente isoladamente, c) crescimento de mais de um tipo de agente microbiano. Qualquer um destes resultados pode não necessariamente significar o verdadeiro estado da glândula mamária. É fundamental, para que os resultados sejam confiáveis, que sejam seguidas todas as recomendações de higiene e antissepsia para a coleta, armazenamento e processamento da amostra. Consequentemente, os diagnósticos feitos com mais de uma amostragem do animal são muito mais confiáveis do que com apenas uma única amostra.

Resultados falso-positivos: Considera-se um resultado falso-positivo quando é feito o isolamento de um agente na cultura microbiológica, porém, o quarto não está realmente infectado. Isto se deve, na grande maioria das vezes, pela contaminação da amostra em algum momento, desde a coleta do leite até mesmo dentro do laboratório. Nesta situação, quando o diagnóstico é baseado em apenas uma amostra, as decisões tomadas com base nestes resultados são equivocadas.

O isolamento de agentes contagiosos, como Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae de amostras de leite de casos de mastite, é normalmente considerado diagnóstico de casos destes agentes no rebanho. Ainda que não sejam comuns, podem ocorrer resultados falso-positivos com estes agentes, sendo que, à medida que aumentam os casos reais com estes patógenos, aumenta-se o risco potencial de contaminação de amostras durante a coleta de leite. De forma semelhante, quanto maior a contaminação ambiental durante a coleta, maiores as chances de ocorrer contaminação, gerando resultados falso-positivos para agentes ambientais.

Resultados falso-negativos: Esta situação ocorre quando não é detectado crescimento microbiano na cultura microbiológica de um quarto verdadeiramente infectado. Diversas razões podem ocasionar resultados falso-negativos:

a) O número de unidades formadoras de colônias para o agente está abaixo do limite de detecção do método. Por exemplo, o número de microrganismos necessários para um isolamento é de, no mínimo, 100 unidades formadoras de colônias/ml, visto que o volume de leite usado é geralmente de 0,1 ml. Alguns microrganismos como S. Aureus, podem variar a sua concentração no leite conforme progride a infecção, resultando em falso-negativo.

b) Necessidade de meios especiais para o crescimento de um agente causador específico de mastite,

c) Ocorrência de inibidores na amostra de leite, como resíduos de antibióticos ou de desinfetantes,

d) Armazenamento inadequado da amostra, resultando em morte do agente antes da chegada da amostra no laboratório,

e) O microrganismo pode esta dentro das células somáticas e não consegue crescer no meio de cultura.

Geralmente, os resultados falso-negativos são mais prováveis de ocorrer em casos de mastite causada por coliformes e por S. aureus que em casos de S. agalactiae. Mesmo em amostras de leite de casos clínicos de mastite, não existe a certeza de isolamento do agente em apenas uma amostra. Existem relatos de que cerca de 20-30% das amostras de casos clínicos não resultam em crescimento. Neste caso, uma possibilidade é de que os sinais clínicos de alteração no leite ainda estão presentes, mas o agente causador do caso talvez não esteja mais na glândula mamária.

Não se recomenda que sejam feitas técnicas de enriquecimento para reduzir a ocorrência de falso-negativos. Outras tentativas, como o uso de maiores volumes da amostra de leite (normalmente usa-se 0,1 ml) também não têm tido sucesso, pois resultam em maior ocorrência de contaminações, principalmente se não forem seguidos estritos padrões de assepsia.

Amostras contaminadas: Quando o resultado de uma amostra de cultura microbiológica indica o isolamento de mais de 3 agentes diferentes, uma grande probabilidade é de que a amostra tenha sido contaminada, o que deve constar no resultado. Deve-se ressaltar que todos os agentes causadores de mastite podem estar presentes numa amostra devido a uma contaminação, mesmo agentes contagiosos como Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae.

Pode-se observar, porém, dois tipos distintos de contaminação. Um primeiro nível seria uma contaminação baixa, no qual poucos tipos de colônias são observadas no local de semeadura do leite na placa. Neste caso, pode ser possível identificar o agente causador de mastite e a contaminação, que deve ser anotada no resultado. Em casos de contaminação mais severa, observa-se três ou mais tipos de agentes isolados no local de semeadura e com expressivo crescimento do número de colônias. Nesta situação, os resultados devem ser desconsiderados em termos de identificação do agente causador e o resultado deve vir como contaminação, para que seja feita nova coleta de amostra. As fontes mais comuns de contaminação são: extremidades de tetos com acúmulo de sujeira, toque com os dedos na amostra de leite que está sendo coletada nos tubos, coleta de leite em tubos não esterilizados, manuseio da coleta com as mãos úmidas e uso excessivo de álcool para desinfecção dos tetos para a coleta.

Fonte: Laboratory Handbook on Bovine Mastitis (1999).

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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