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Produção de leite a pasto: custos de produção versus produção de leite

VÁRIOS AUTORES

MARCO AURÉLIO FACTORI

EM 11/07/2017

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É fundamental que saibamos que na produção de leite a pasto se preconiza os baixos custos. Segundo alguns cálculos feitos por professores da área, nos dias de hoje, se optarmos por produção de leite em pastagem, teremos um lucro ao redor R$ 2.000,00 em uma área de quatro hectares (considerando um sistema intensivo de produção a pasto e suplementação no inverno com cana mais ureia e concentrado durante todo o ano, de acordo com a produção de cada animal).

No entanto, em algumas propriedades vemos um antagonismo entre a produção e o lucro. Sim, sempre queremos mais produção e com isso, maiores lucros. Desde os primórdios do ensino econômico, com certeza teremos sempre o conceito de que ao produzirmos mais teremos mais lucros. Contudo, na produção leiteira a pasto, em alguns momentos, este fator parece não ser tão expressivo.

Na produção leiteira em pastagem, como mencionei acima, temos um sistema que se utiliza de um pasto de baixo custo quando comparado aos outros volumosos. Para efeito de exemplificação, atualmente, o custo de uma silagem de planta inteira (considerando o custo de matéria seca) está por volta de R$ 0,36/kg. A cana de açúcar com ureia posta no cocho incluindo picagem e outros processos está em torno de R$ 0,21/kg. Já o pasto, possui um valor ao redor de R$ 0,12/kg. Fica evidente que o sistema em pasto já se diferencia dos demais pelo seu baixo custo.

Em segundo plano, pensaremos em suplementação de ração proporcionalmente à produção de leite de cada animal. Considerando a literatura, o animal em pastagem, desde que este tenha potencial, possui condições de produzir por volta de 10 litros de leite/dia, somente com a pastagem. Se calcularmos as quantidades de energia e proteína bruta ingeridas por uma vaca em um pasto bem manejado, temos nutrientes suficientes para isso.

A partir dos 10 litros por vaca/dia pensaremos então em uma suplementação que varia em média nos sistemas produtivos, como por exemplo, a utilização de 1 kg de concentrado para cada 2 a 3 litros de leite produzidos acima dos 10 litros (esses, fornecidos pela energia e proteína da pastagem). Para refrescarmos a memória, se uma vaca produz 25 kg de leite/dia, ela irá ingerir por volta de 5 a 7,5 kg de concentrado por dia, considerando a relação de 1 kg de concentrado para cada 2 a 3 kg de leite acima dos 10 litros, respectivamente.

Será que é mais viável uma vaca produzir 10 kg de leite/dia sem o acréscimo de concentrado ou 25 kg de leite/dia consumindo 7,5 kg de concentrado? Para essa resposta, as contas são imprescindíveis.

Calculando a rentabilidade da primeira situação, considerando os custos mencionados anteriormente, teremos as seguintes situações:

a) uma vaca de 450 kg de peso vivo, com 3% de ingestão, que produz 10 kg de leite/dia, somente se alimentando de pasto. Ela irá ingerir por volta de 13 kg de massa seca de pasto por dia. Calculando-se os custos, teremos R$ 0,12 * 13 = R$ 1,56/dia (custos de alimentação, sem considerarmos o sal mineral);

b) na outra situação, uma vaca que produz 25 kg de leite/dia, irá ingerir por volta de 7,5 kg de ração e o restante do consumo será composto por aproximadamente 7 kg de massa seca de pasto. Há um ligeiro aumento na ingestão pelo menor espaço físico ocupado pelo concentrado e isso aumenta o consumo do pasto também. Se considerarmos os custos totais e a ração feita na propriedade com baixo custo de R$ 0,70, teremos (7*0,12) + (7,5*0,70) = 0,84 + 5,25 = R$ 6,09/dia.


Pois bem, se dividirmos os custos pela produção, teremos o custo alimentar pelo litro de leite. Aquela vaca que produz 10 litros de leite só em pasto, tem um custo do litro de leite de R$ 0,15, por outro lado, aquela que produz 25 kg tem um custo de R$ 0,24. Vale esclarecer que podemos diminuir os custos totais da ração por meio da compra de insumos corretos no momento certo. O valor por kg de ração pode chegar até R$ 0,40, situação a qual já presenciei em sistemas produtivos.

O que devemos fazer então: produzir somente 10 ou 25 kg de leite por vaca/dia neste sistema? Quanto custa para trazer uma vaca de 10 litros ou 25 litros para dentro do curral? E o funcionário que irá ordenhá-la, quanto ele vai custar para cada vaca? As instalações irão mudar? Os cochos, utensílios, medicamentos e outros? Claro que em resumo não irão mudar. Mas, existem mais custos de produção, não é mesmo?

Para exemplificar, o trator ou a carroça que trará o alimento é diferente para tratar 10 ou 100 vacas. O que transporta o concentrado também. O cocho é diferente, pois nele terá que caber mais alimentos; na sala de ordenha o custo com energia é diferente e o resfriador para guardar o leite também. O tempo de ordenha é diferente e o comportamento animal e o bem-estar animal são diferentes também. Algumas coisas mudarão. Mudar de animal dentro destes dois sistemas é um pouco complicado.

O que queremos salientar é que o sistema não é engessado e por isso pode ser diferente a cada momento e a cada lugar. O animal da fazenda A talvez não sirva para a B e assim em diante. A alimentação da A não servirá para a B e assim em diante também. Cada sistema é único. A produção sempre deve ser maior, desde que os custos sejam menores também. O segredo é sempre maximizar a produção e a viabilidade do sistema.

Para encerrar: aquele produtor que tem suas vacas somente a pasto - desde que proporcionais aos custos que comentei - é mais eficiente do que aquele que produz mais com um custo maior. Em suma, SEMPRE iremos ganhar mais se tivermos baixos custos.

Em busca de mais informações sobre Pastagens? Acesse o Educapoint e confira o curso 'Sistema de lotação rotacionada', ministrado por Marco Aurélio Factori. 

MARCO AURÉLIO FACTORI

Professor na UNOESTE - Presidente Prudente
Zootecnista, Dr. em Zootecnia pela FMVZ/UNESP - Botucatu SP. Manejo de Pastagens, Conservação de Forragens e Nutrição Animal com foco em nutrição de Ruminantes.

ELCIO RICARDO JOSÉ DE SOUSA VICENTE

Professor na UNOESTE Presidente Prudente/SP. Zootecnista, Me em Agronomia pela UNOESTE - Presidente Prudente/SP. Produção Vegetal.

JULIANA APARECIDA MARTINS FACTORI

Técnica Contábil - Assistente Financeiro

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EDUARDO NABUCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS

EM 31/12/2017

Muito bom o artigo publicado. Realmente há que se ter plena noção da realidade de cada um. Quem possui terra boa e ótimos pastos, pode optar por um sistema produtivo mais barato, e terá lucratividade na ordenha. Contudo, em topografia montanhosa e terra não tão fértil, não tem como escapar da silagem e do concentrado. Enfim, "cada um no seu quadrado". Abraços em todos e um produtivo 2018.
EMPRATER ACEGUÁ

EM 09/11/2017

Julio César Rodrigues Gonçalves Júnior - Técnico Agrícola

Bagé - Rio Grande do Sul



Boa Noite!



Parabéns pelo artigo. Muito importante para que os produtores reflitam sobre a eficiência do seu sistema produtivo. Evidenciando que cada propriedade deve montar o seu sistema. Ressaltando a importância de um trabalho técnico  baseando-se em estudos já realizados com sucesso. Além do uso de parâmetros já estabelecidos pelos pesquisadores.

Ou seja, o desenvolvimento da atividade leiteira necessita obrigatoriamente da implantação e execução constantes de tecnologias modernas e eficientes.

Acho que os produtores que não tem retorno financeiro com a atividade leiteira, persistem no mesmo erro, não buscam assistência técnica de qualidade.
ALDAIR BETTA

EM 06/11/2017

primeiro precisamos descobrir o milagre de produzir 25 litros com 7 kilos de materia seca e 7,5 kilos de ração !!!!!!
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/07/2017

Senhores



Primeiramente muito obrigado por ler nosso artigo e obrigado pela contribuição nas resposta e comentários. É com grande satisfação que leio todas e fico grato, de verdade por aprender mais com todos vocês. Em segundo lugar, devo aqui, neste momento fazer algumas considerações.  O intuito desta artigo não foi imprimir uma receita e sim imprimir uma reflexão sobre o sistema. Os custos que mencionamos e as perguntas que deixamos no final do texto são para refletirmos para o que estamos fazendo se está certo ou não. Pois bem. No incio do texto coloco alguns pontos da literatura que mencionam que a margem de lucro média dos sistemas é bem diferente, seja o pasto e confinamento. Pois bem. Quando mencionamos esta margem de lucro já engloba outros custos como remédios, utensílios e outros...Desta forma, trabalhamos no texto apenas dados referentes a alimentação de uma forma geral e ainda o custo beneficio. mencionamos também a ideia que praticamente são os mesmos custos levar uma vaca para a ordenha, produzindo 10 ou 25 kg de leite. Sendo assim, peço desculpas por não abordar todos este pontos pois não caberiam aqui e ao mesmo tempo agradeço a todos que estão trazendo os custos aqui nos comentários para nós discutirmos. Mais uma vez o intuito do texto foi, é e será a discussão mesmo e despertar no técnico e produtor o instinto discursivo, comparador e avaliador. Somente com este pontos iremos obter o sucesso. Obrigado mais uma vez pela discussão, mas lembrem... falta muita coisa para concluirmos os sistemas... O sistema não é engessado e por isso cabe a utilização de tudo por todos, sempre adequando ao sistema de utilização. Estamos a disposição. Att. Marco Aurélio Factori
DUARTE VILELA

PESQUISA/ENSINO

EM 17/07/2017

recentemente escrevi um artigo no BB que alertava o que o Sr. Claudio Martins coloca sobre tamanho de vaca. Vejam: "Outro componente que deve ser considerado na definição do sistema a ser adotado para conseguir melhor eficiência alimentar é o tipo adequado de vaca. Animais mais pesados têm gastos maiores com manutenção e, consequentemente, custo com alimentação mais elevado, além de maior dificuldade para caminhar em pastagens. Neste particular o relevo e a característica do solo assumem papel importante nesta consideração. Por outro lado, vacas menores podem ter melhor eficiência alimentar e proporcionar maior produção por área pastejada. Pesquisas citam estas vantagens, como também as vacas de menor peso adulto tendem a ter vida produtiva mais longa, melhor eficiência reprodutiva e menos problemas de casco e de parto. Pode-se concluir que os programas de melhoramento voltados para vacas muito produtivas e pesadas, com pouca longevidade pode ter sido um erro do passado e agora a discussão fica por conta de geneticistas e nutricionistas na busca de vacas fortes, longevas e mais eficientes.
CLAUDIO NERY MARTINS

BAGÉ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/07/2017

Importante não esquecer das vacas a serem utilizadas no sistema a pasto. A genética é importante nos resultados obtidos a longo prazo. Atualmente estou incrementando o uso de semem de touros da raça Jersey provenientes da Nova Zelândia. O aproveitamento da massa seca ingerida para produção de leite é, comprovadamente superior nessa raça, alem dos sólidos totais ( gordura, proteina, sais minerais), que ,hoje, são fatores de maior remuneração em alguns laticínios. Como o sistema de exploração lá ( na NZ) , é por safra ( normalmente 10,5 meses), vacas que não empreem e não produzam bem, são rapidamente retiradas do sistema. Isso além de ter melhorada as qualidades reprodutivas dos rebanhos locais, tambem consolidou a eficiência no aproveitamento das pastagens.
FERNANDO ALMEIDA ARAUJO

BARBACENA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/07/2017

Bom dia

Já trabalhei nos dois sistemas primeiro a pasto ( Mombaça irrigado) agora forneço silagem o ano todo .

O primeiro ponto é o preço pois quando se tira muito leite o valor recebido também é maior .

E  fica difícil manter uma estabilidade na produção a pasto.

Mas o custo do Mombaça irrigado e adubado é baixo.

No sistema mais intensivo também tem suas dificuldade visto o alto custo dá produção de silagem e outros problemas que surgem com intensificação .

Penso que o q vai dizer ao produtor qual sistema seguir é o tipo de gado a região e o tamanho dá area disponível.
CLEBERSOM

LINS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/07/2017

mas essa contas so refere ao custos de alimentaçao mas nao podemos esquecer os outros custos como mao de obra,combustivel,energia,deteriorizaçao da fazenda,remedios, veterinario e outros. é complicado fechar uma leitaria no azul  só com muito investimento
FLAVIO SADER CORBUCCI

PENÁPOLIS - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 14/07/2017

"Em suma, SEMPRE iremos ganhar mais se tivermos baixos custos."



Acho que algumas afirmações foram equivocadas, como o Leonardo já citou.
NICOLE ZANDONÁ

DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 13/07/2017

Olá Leonardo,



Muito interessante seu comentário. Realmente a RMCA é uma medida de eficiência econômica da vaca em um dado momento.



Não sei se você já conheceu, mas nosso aplicativo, o MilkPoint Radar, desenvolveu recentemente para seus participantes um módulo de Gestão da Fazenda, que contempla a RMCA e mostra, de maneira comparativa, como este indicador evolui em todas as regiões e estados do Brasil. O acesso é gratuito!



Se você tiver interesse, pode conhecer melhor essa funcionalidade, clicando no link:

https://milkpointradar.com.br/rmca-apresentacao/
FERNANDO PIMONT POSSAS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/07/2017

Perfeita a sua obervação, caro Leonardo Barros! Essa é a conta que a maioria dos produtores tem dificuldade de compreender. Os produtores não vivem de custos, vivem de lucro!! E neste caso, como na maioria das vezes, as vacas que produzem mais, apesar de serem mais "caras", apresentam melhor resultado financeiro! E o motivo é simples, diluição dos custos de mantença!!
CLEBERSOM

LINS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/07/2017

muito bom o texto
VANDER M ZACHE JR

ESPÍRITO SANTO - ESTUDANTE

EM 12/07/2017

Qual o preço ?
RODRIGO FERREIRA

XANXERÊ - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/07/2017

Boa tarde pessoal!



Não sei se entendi bem, e me corrijam se eu estiver errado, mas na minha interpretação os cálculos não suportam a conclusão dada. Vamos à matemática:



a) 10 litros/dia a um preço teórico de R$1,25/litro = R$ 12,50 de receita/vaca/dia. Custos com alimentação R$ 1,56. RMCA: 12,50 - 1,56 = R$10,94 para cobrir outros custos e ter lucro. Numa situação hipotética de um rebanho de 30 vacas temos a seguinte situação: R$ 11.400,00 de receita no mês e custos de R$ 1422,72.  RMCA= R$ 9977,28 no mês.



b) 25 litros/dia a um preço de R$ 1,25/litros = R$ 31,25 de receita/vaca/dia. Custos com alimentação R$ 6,09. RMCA: 31,35 - 6,09 = R$ 25,16 para cobrir outros custos e ter lucro. Na mesma situação de 30 vacas teremos o seguinte: R$ 28.500,00 de receita no mês e custos de R$ 5.554,08. RMCA= R$ 22.945,92 no mês.



Ou seja, um incremento na ordem de 130% de sobra em dinheiro após pagar a alimentação, mesmo esta sendo de valor mais alto. Outro ponto importante, com redução na área utilizada já que o pastejo, com a ração, nesta simulação corresponde a 53,8% comparado à situação só pasto. Teoricamente seria necessário apenas metade da área de pastagem aproximadamente.



À disposição para discussão!



Um abraço.  
LEANDRO EBERT

VERANÓPOLIS - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/07/2017

Olá. primeiramente, gostaria de parabenizar pelo artigo e pela abordagem.



Entretanto, gostaria de acrescentar que, nos exemplos acima, se calcularmos a Receita menos o custo de alimentação (RMCA), fixando, a título de exemplo, preço recebido de 1 real pelo leite, teremos que:



A vaca da situação A (somente pasto) terá uma receita de 10 L x R$ 1,00 = R$ 10,00.

    -  o custo de R$ 1,56 = R$ 8,44.



A vaca da situação B (pasto + ração) terá uma receita de 25 L X R$ 1,00 = R$ 25, 00.

    - o custo de R$ 6,09 = R$ 18,91.



Assim, para chegar aos R$ 18,91 que sobram da vaca B, precisaremos de 2,2 vacas na situação.  É claro, sem considerar ainda os outros custos e mão de obra para manejar o dobro de animais, como já mencionado no texto, mas, considerando que esse valor que sobra de cada vaca, em ambos os casos, serve para pagar os demais custos e para o lucro do bovinocultor.



sds
DUARTE VILELA

PESQUISA/ENSINO

EM 12/07/2017

Nos futuros sistemas intensivos de produção de leite não haverá mais espaço para forrageiras com baixos índices de produtividade e qualidade, independentemente do tipo de sistema. As tentativas feitas no passado de se trabalhar com sistemas de produção a pasto, com baixos níveis tecnológicos, falharam, cedendo espaço ao uso de fertilizantes e outros insumos, ou seja, à medida que a tecnologia se torna mais avançada, pode-se obter maior volume de produção. Nos últimos 40 anos as pesquisas têm concentrado esforços na busca por tecnologias que comportem produtividades próximas a 3.500 e 4.500 kg/lactação e é chegado o momento de concentrar esforços para se conseguir produtividades mais elevadas em consequência da maior concorrência por terra e mão de obra. Pela teoria econômica, quando um fator de produção vai ficando mais escasso seu preço tende a subir. A competição pelo uso da terra por diferentes atividades, em especial a expansão da agroenergia, São Paulo e Goiás são exemplos, tende a incrementar seu valor afetando os custos de produção de leite. Isso, por sua vez leva a um processo de intensificação da atividade. Regiões ou estados com maior abundância de terras disponíveis para exploração pecuária, com menor custo de produção total ou custo de suplementação alimentar, tendem a ser mais atrativos em função da competitividade. A recente preocupação com os transtornos provocados ao meio ambiente decorrentes dos sistemas de produção de leite, aliada a uma busca constante por modelos economicamente mais eficientes, tem levado a reflexões sobre formas alternativas de se produzir leite em sistemas intensivos. Como o alimento proveniente do pasto reduz o custo da alimentação, pode-se ter aí a resposta de como solucionar a complicada questão do manejo dos dejetos, da sanidade dos cascos, dos gastos com os alimentos concentrados e os conservados, dos custos dos investimentos iniciais em instalações, entre outros.
LUIZ GONZAGA PEGO DE MACEDO

MARINGÁ - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 12/07/2017

Parabéns pela abordagem! Infelizmente este é um tema pouco pesquisado.
LEONARDO BARROS CORSO

APUCARANA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 12/07/2017

Bom dia, no comparativo você calculou o custo por litro de leite produzido. Mas deixamos de analisar a RMCA, que nesse caso a conta ficaria assim. Considerando um litro de leite a R$1,00 temos 25litros (R$25,00 - R$6,09 que é o custo alimentar da vaca de 25 litros. Teremos no final R$18,91) essa é a margem bruta que produtor teria para pagar todas as outras contas da fazenda. Em 20 vacas seriam R$378,20 por dia (coma a dieta das vacas em lactação paga). Quando analisamos a RMCA da vaca de 10 litros que come somente pasto temos (R$10,00 - R$1,56 = R$8,44) menos da metade dos recursos disponíveis no sistema dos 25 litros. Isso que estamos falando do mesmo pasto. A comparação da "sobra" para 20 vacas fica em R$378,20 x R$168,80por dia.
ALEX MOREIRA

NOVA INDEPENDÊNCIA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/07/2017

Bom dia

Estou com uma dúvida... caso o preço do leite seja R$ 1,00 temos uma "sobra' de R$ 0,85 para o animal de 10 L/dia e R$ 0,76 para o animal de 25 L/dia. Multiplicando a sobra pela produção temos R$ 8,5 para o animal de 10 L/dia e R$ 19,00 para o animal de 25 L/dia.... ai eu pergunto baixar o custo e ganhar menos não é estranho?