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Ora bolas... pasto não precisa adubar?

MARCO AURÉLIO FACTORI

EM 14/07/2015

6 MIN DE LEITURA

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Nas diversas localidades que passei, são inúmeras as vezes que ouvi este trecho que aqui quero repetir... “ora bolas... pasto não precisa adubar”. Motivo para mim, de risada e ao mesmo tempo uma vontade imensa de chorar. Dar risada, porque a maioria dos produtores, pecuaristas, ou extensionistas, precisam ser extrovertidos para suportar a pressão de se produzir ou se fazer produzir. A vontade de chorar vem pelo motivo de que se tudo nesta vida precisa de incentivo para crescer, reproduzir ou simplesmente viver, o pasto também precisa disto para produzir.

Mais uma vez venho tentar ressaltar algum ponto interessante na produção de pastagem. Um carro para andar precisa de uma partida e ainda depois de ligado, para se manter funcionando precisa de combustível. Para se manter no que chamamos de marcha lenta, precisa de uma quantidade mínima de combustível e com certeza não irá a lugar nenhum se nós não engatarmos a marcha e ainda ACELERARMOS.

Opa, o acelerar vai gastar combustível, não podemos acelerar se não o carro gasta.... Mas se não gasta não anda? Não mesmo.

Como já havia comentado por aqui em outra oportunidade, “tudo que começa bem .. termina bem, ou ainda, começando bem tudo corre bem...”. O investimento na implantação e manutenção de pastagem pode ser considerado uma das atividades mais importantes, sob o ponto de vista econômico. Infelizmente poucos o fazem. Esta prática é tão importante que deve ser considerada como um plantio semelhante a outras culturas, e, como tal, o produtor deve procurar, da melhor maneira possível, as técnicas mais recomendadas à formação da pastagem em sua propriedade. Sabe-se que a produtividade do pasto está intimamente relacionada com a escolha do local para implantação da pastagem, escolha das espécies forrageiras (não existe forrageira milagrosa e sim a mais adequada para cada caso), época de plantio e preparo do solo. Ainda, plantar no momento certo é uma importante ferramenta para o sucesso.

Para o plantio, as quantidades de adubo já devem estar preparadas para que seja feita a aplicação e, ainda, o calcário, se necessário, já deve ter sido aplicado há pelo menos 30 dias antes deste plantio. No plantio, geralmente é colocado somente o adubo fosfatado (adubo para crescimento da raiz), deixando o adubo potássico (se necessário) e nitrogênio para serem aplicados em cobertura nos ciclos de pastejos, sendo estes os que chamamos de combustível para o crescimento rápido e eficiente da forrageira.

No caso de plantio de pastagem por semente, utiliza-se um valor conhecido para calcular a quantidade de semente, que leva em consideração o valor cultural (VC) da mesma. Depois de feito isso, as sementes devem ser distribuídas na superfície do solo e, utilizando-se rolos leves feitos de pneu ou tambores, compactadas, ou promover o contato da semente com o solo através do mesmo método. Lembrando que, se necessário, o adubo aplicado no plantio é somente o adubo fosfatado que pode ser misturado a semente no dia de plantio.

Depois de tudo isso, passamos para a fase de mantença. Engraçado como ouvimos por aí... “EU NÃO ADUBO PASTO, SÓ GASTA DINHEIRO ADUBANDO PASTO... NUM PRECISA...” Quando ouvimos isso pensamos: de que maneira o pasto produzirá sem receber alimento para ele? Nos trabalhos conduzidos pelas universidades e meios de pesquisa, fica evidente a necessidade da correta adubação de mantença das pastagens. Como comentei no início deste texto, para que o carro ande é preciso acelerar e consequentemente “gastar combustível”. Logicamente que, se quisermos que ele corra mais, aceleramos mais e com isso o consumo de combustível aumenta.

Para os agricultores o fato de se adubar uma cultura é corriqueiro, pois ele sabe que sem adubo a cultura pode até produzir, mas não produz o suficiente para ter eficiência - ou em outras palavras o lucro. Para o pecuarista este pensamento não é tão claro. O agricultor sabe também que existe extração de nutrientes pela planta e ao longo prazo, qualquer hipótese de que a cultura se reconstituirá sem adubação e correção do solo, é mero engano, pois este processo leva muitos anos e ele não pode esperar tudo isso para ficar inserido dentro do mercado produtivo. Um exemplo disso é o que se fazia antigamente (de forma legal) ao derrubar a mata, plantar o pasto de qualquer jeito, usufruir de toda aquela fertilidade e depois abandonar a terra. Infelizmente isto ainda acontece e ainda temos mentes que pensam como extrativistas (retirar e explorar tudo que a área tem, sem se preocupar com o que isto pode gerar). Devo salientar que até mesmo neste ponto, a mantença desta fertilidade que mencionei em função do material orgânico vindo da antiga floresta é necessária para a continuidade do sistema. Logicamente e evidentemente que não precisamos mais derrubar nenhuma área de floresta para produzir em pasto - que fique aqui registrado que temos total capacidade de duplicarmos a nossa produção pecuária sem derrubar nenhuma árvore.

Obviamente que procuramos o bônus e não o ônus, ou traduzindo, queremos o benefício e não o trabalho para tal. Adubar pasto não é gastar dinheiro e sim INVESTIR. Qualquer que seja o sistema é preciso que retorne para ele o que retiramos dele. Sim, parece um pouco contraditório falar assim, pois podemos pensar que tudo que ganhamos voltaria para ele. Não, justamente neste ponto é que utilizamos a pesquisa juntamente com a prática em criar técnicas para que isto seja eficiente. Podemos utilizar adubos orgânicos, adubos minerais, restos de culturas e ainda subprodutos da indústria alimentícia. Podemos colocar adubos secos, úmidos e até mesmo mesclar com o uso da irrigação. Podemos fazer piquetes no pasto, adubar vários piquetes juntos, trabalhar com reuso de água... Dá para ficar muito tempo aqui descrevendo de que forma e o que poderíamos utilizar...

Voltando a falar de carro, antigamente um carro de aproximadamente 80 cavalos consumia por volta de 1 litro para percorrer 5 km. Hoje, aumentou-se a potência e diminui-se o consumo podendo fazer com o dobro da potência talvez o dobro da distância percorrida para o mesmo litro de combustível. É o que devemos fazer. Devemos sempre produzir mais gastando menos, ou ainda, investindo menos. Hoje devemos saber a hora de aplicar e o quanto aplicar. Devemos saber qual adubo aplicar e ainda de onde comprar e quanto comprar.

Adubar pasto é preciso, assim como respeitar os limites de velocidade, obedecer às leis de trânsito, parar nas faixas de pedestres e não beber ao dirigir. Acelerar até o limite permitido, para que possamos voltar da viagem e continuar produzindo sem perder dinheiro no uso abusivo ou insatisfatório de uma brilhante e simples ferramenta que é a adubação de pastagem.

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Como anda seu pasto? Você está tendo sucesso em acelerar seu pasto visando obter o melhor retorno possível? O artigo é de Marco Aurélio Factori, professor da UNOESTE, que é também um dos instrutores da plataforma de cursos on-line, EducaPoint. Confira abaixo os cursos ministrados por ele:

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MARCO AURÉLIO FACTORI

Consultor, Factori Treinamentos e Assessoria Zootécnica.

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MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 24/09/2015

Olá pessoal,



Para quem quiser saber mais sobre o assunto, estamos com inscrições abertas para o Curso Online"Correção e adubação do solo da pastagem", com os professores Adilson Aguiar e Mateus Conttato.



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CELSO DE ALMEIDA GAUDENCIO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/07/2015

Caso tenha tópico sobre o ajuste: Pastoreio Racional Intensivo PRI

Capacidade de suporte ajustado pela densidade de pastoreio da área total

Tenho interesse.
MARIA BEATRIZ TASSINARI ORTOLANI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/07/2015

Olá!

Para quem tiver interesse, estamos com curso online sobre "Intensificando o Uso das Pastagens: da formação ao manejo"

Saiba mais em: http://www.agripoint.com.br/curso/uso-pastagens/

Abraço
CELSO DE ALMEIDA GAUDENCIO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/07/2015

Prezado Ulisses, Quando referi 20 kg de P2O5 seria para adubação do campo nativo sem inclusão de outras forrageiras para clima temperado.
ULISSES DE ARRUDA CÓRDOVA

LAGES - SANTA CATARINA

EM 16/07/2015

Atualmente na tecnologia melhoramento de campo nativo se aplica em torno de 100 kg/ha de P2O5 na implantação e anualmente mais 40 kg/ha. Somente com adubação mais alta se conseguiu sucesso na implantação dessa tecnologia, principalmente estabelecimento e persistência de leguminosas.
VALDENIR GAIO

RIO DAS ANTAS - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2015

Falou pouco mas disse tudo, o que precisamos é ter pouca área de terra e a pouca que tem tem que ser bem adubada para termos uma boa produção de pasto. Abraços.
CELSO DE ALMEIDA GAUDENCIO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2015

Prezado Ulisses correto lavoura e depois pasto - Sistema misto lavoura pasto. Pois o pasto nativo sobrevive do fósforo orgânico nesses campos. A inclusão de espécies produtivas requer calcário como adubo e fósforo sem alterar a contribuição do fósforo orgânico.  Há muito tempo quando estive aí na EPAGRI (EMPASC) sugeriam adubação anual com 20 kg de P2O5, Penso que devido à alta adsorção do P.  As gramíneas forrageiras são tolerantes a acidez, mas a correção deve ser feita para proteger o P e manter a CTC devido a mineralização do material orgânico do solo.
ULISSES DE ARRUDA CÓRDOVA

LAGES - SANTA CATARINA

EM 15/07/2015

Caro Celso "os campos ácidos de altitude" possuem baixa fertilidade natural, principalmente fósforo e normalmente altos teores de alumínio. Dessa forma para produzir forragem com pastagens perenes de clima temperado é necessário a correção dessa baixa fertilidade natural. Isso pode ser feito com implantação de dois ou três anos de lavoura e depois implantar forrageiras perenes, ou utilizar, uma tecnologia muito comum aqui nos campos naturais de Santa Catarina, que é o melhoramento de pastagens naturais, onde de preserva as boas forrageiras nativas e se introduz espécies de alta qualidade e tolerância as baixas temperaturas.

...

Para ser um bom pecuarista, antes tem que ser um bom produtor de pasto!
CELSO DE ALMEIDA GAUDENCIO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2015

Ulisses também tenho aí propriedade nos campos ácidos de altitude. Ao substituir o pasto nativo, uma opção é o sistema misto lavoura pasto perene.
CELSO DE ALMEIDA GAUDENCIO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2015

Parabéns pelo sempre oportuno artigo. Não existe pasto degradado o que existe é solo com limitação química sob pastagem. Solo adubado e bom manejo do pasto o solo não degrada e o pasto se mantém produtivo
HIBERNON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

MACEIO - ALAGOAS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 15/07/2015

Ótima abordagem Professor. Para ser um bom criador torna-se necessário ser primeiro um bom agricultor.
JOSÉ CARLOS AZEVEDO

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2015

Uma verdade não se pode deixar de registrar, a necessidade da aplicação do adubo na contingência de uma melhor produção, por exemplo do leite, através do pasto. Não se deve deixar também de mencionar a questão do aumento de consumo dos insumos cuja tendência é tremendamente absurda: aumentos constantes. Um contraste em se equiparando com o valor pago pelo litro de leite que não acompanha a celeridade dos produtos agrícolas. Aí de nós, os pequenos produtores! Até quando esta disparidade...

José Carlos Azevedo
ULISSES DE ARRUDA CÓRDOVA

LAGES - SANTA CATARINA

EM 15/07/2015

Sou pesquisador de plantas forrageiras da Epagri/EEL e tenha escrito e dito em inúmeras ocasiões em palestras, discussões com técnicos e produtores, que a insuficiência da fertilização é uma das principais causas da baixa produtividade e persistência das pastagens. Pastagem também é uma cultura que demanda os mesmos cuidados e práticas que as demais. Não tem milagre e nada cai do céu. E não existe meia tecnologia para a produção de forragem, tem que ser completa, principalmente quando se trabalha com espécies e cultivares de clima temperado (meu caso), onde a grande maioria foram selecionadas em outros países com alto nível tecnológico. Em 2012 coordenei o livro Produção de Leite à Base de Pasto em Santa Catarina (626 páginas), onde dedicamos um capítulo somente para adubação de pastagem.
MARCOS FERNANDO HORTENCIO (TUTI)

MARINGÁ - PARANÁ - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 14/07/2015

Escuto direto esses pecuaristas de meia tijela falar que pasto Deus tem que dar, mas o milho a soja o trigo ele aduba, depois saem dizendo que  gado não da nada.  Tem mais  que sair da atividade,       
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