FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Leandro Pacheco, produtor de leite em Portugal: fim das quotas leiteiras selecionou os produtores

POR MAYSA SERPA

LEITE NO MUNDO

EM 22/01/2020

2
9

O primeiro registro sobre produção de leite no Brasil data de 1532, quando as primeiras vacas leiteiras desceram das caravelas, vindas de Portugal. Atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor de leite do mundo, atrás somente dos EUA e Índia (FAO, 2017). Mas e Portugal? Será que nossos colonizadores têm uma cadeia láctea forte e bem estruturada?

Para saber um pouco mais sobre isso, conversamos com Leandro Miguel Pacheco de Oliveira, produtor de leite no País. Ele é sócio na Sociedade Agrícola Quinta de Cadeade - com sede em Paço de Sousa, distrito do Porto -, uma propriedade que nasceu na década de 70, pelas mãos de seus pais. Na época, a produção iniciou-se com um animal, ordenhado à mão. Atualmente, possui 75 animais em lactação, em sistema semi-intensivo, produzindo 2.200 litros de leite por dia.

Produção de leite em Portugal

Segundo o último levantamento disponibilizado pela FAO, Portugal produziu, em 2017, 1.962.494 toneladas de litros de leite bovino, ocupando a 16º posição entre os países da União Europeia (UE). Essa produção equivale à uma média de 190 litros por habitante do País, o que é bastante expressivo, se compararmos com a do Brasil, que seria de 160 litros.

Fazendo uma avaliação histórica, desde de 1962, o Portugal teve sua produção recorde em 2002, com 2.102.959 toneladas (Gráfico 1). Desde então, os valores vêm oscilando e, em 2015, a produção se aproximou da quantia recorde, atingindo 2.049.809 toneladas. A partir de 2016, observa-se uma diminuição (aproximadamente 85 mil toneladas) na quantidade de leite produzida, que se manteve em 2017.

Gráfico 1. Evolução da produção de leite bovino em Portugal, 1962 a 2017, em toneladas.

produção de leite Portugal
Fonte: FAO, 2017.

“Esta redução deve-se ao fim das quotas leiteiras, que entrou em vigor a partir de março de 2015 e que determinou o encerramento de centenas de explorações. Como consequência, o preço pago ao produtor também baixou e mantém-se baixo, obrigando a que sejamos resistentes e ainda mais eficientes”, comentou Leandro. O que fez com que a produção não caísse tanto, segundo Leandro, é que o número médio de animais por propriedade tem crescido. Isso leva a crer que os produtores que permaneceram na atividade estão aumentando seus rebanhos e que, possivelmente, a produção voltará a crescer. “Nesta atividade só resiste quem for um ‘lutador nato’, é um setor que pede muita dedicação, muita polivalência, muitas horas de trabalho.”

Com relação a tecnificação das fazendas, o produtor comentou: “Posso dizer que as explorações em Portugal estão em pé de igualdade com qualquer outro país em termos de desenvolvimento e modernização. A bovinocultura de leite é um setor que tem seguido os critérios de inovação, com rigor sanitário, nutricional e condicionamento ambiental, por meio de um maneio de excelência, em crescimento, com pessoas mais bem formadas e informadas.”

Qualidade do leite

Os produtores de leite em Portugal devem seguir padrões bastante rígidos, como acontece nos demais países da UE. O leite produzido, para não perder bonificações, terá de cumprir os seguintes parâmetros: contagem de células somáticas (CCs) inferior à 200 mil céls/mL e contagem bacteriana total (CBT) inferior à 30 mil UFC/mL (muito menores que os limites previstos na legislação brasileira, que são de 500 mil cél/mL e 300 mil UFC/mL, respectivamente). As bonificações são dadas por qualidade e por cumprimento de normas de bem-estar animal. Por outro lado, podem ocorrer penalizações quando há detecção de inibidores ou outras substâncias no leite.

“No que tange o bem-estar animal, cada propriedade deverá acatar os critérios impostos pelo comprador do leite. Caso não sejam cumpridos, haverá uma penalização no preço. Além disso, se, após algumas auditorias, a situação não estiver regularizada, é motivo para rescisão de contrato”, explicou Leandro.

Sociedade Agrícola Quinta de Cadeade

Atualmente a propriedade em que Leandro é sócio produz 2.200 litros de leite por dia, em sistema semi-intensivo. A área total para produção de alimento para os animais é de 50 ha, dos quais 20 ha são arrendados. “Produzimos culturas de outono/inverno, como erva para silagem (misturas de: azevém, aveia, ervilha forrageira e trevos) e na primavera/verão é produzido milho para silagem. Temos também uma pequena parcela a luzerna (1ha)”, disse.

O rebanho total conta com 180 animais, estando 75 em lactação, com o objetivo de chegar a 130 até julho deste ano. Trabalham quatro colaboradores, dos quais três ficam em tempo integral e um meio período. Os sistema de ordenha utilizado é voluntário. Em relação a qualidade do leite, a propriedade tem tido valores médios de CCS em torno de 180 mil cél/mL, CBT de 6 mil UFC/mL, gordura (não valorizada no preço) de 4,12 e proteína de 3,46.

Diminuição do consumo e desafios da cadeia láctea

De acordo com Leandro, o consumo de lácteos tem diminuído muito, sobretudo de leite UHT. Ele atribui essa diminuição à onda vegana, que, muitas vezes, pode ser extremista e levar informações equivocadas aos consumidores. “Os produtores, juntamente com a indústria, têm o grande desafio de fazer chegar uma mensagem ao consumidor: o leite é e sempre foi um produto de excelência para uma vida saudável. Atualmente a falta de conhecimento da população, principalmente a urbana, tem sido aproveitada para colocar a sociedade contra os agricultores. Nós, produtores, queremos apenas cultivar a terra, cuidar dos animais e alimentar a população de forma responsável, ecológica, amiga do clima e proporcionando o máximo de bem-estar animal, baseando-se em critérios científicos”, desabafou.

Leandro disse ainda que a bovinocultura de leite é um setor muito importante para a economia de Portugal e toda a sociedade, inclusive os produtores, quer uma produção agrícola favorável ao ambiente. Contudo, para que isso aconteça, é necessário que o Governo esteja junto, dando suporte aos produtores. “Não podem ser só os agricultores a pagar a fatura e as vacas a ficar com a culpa do aquecimento global. Como já mencionei, o produtor é um lutador nato e está sempre tendo que se adaptar às tendências do mercado, do ambiente, dos governantes, da Europa, do mundo, para poder sobreviver."

Você é produtor de leite ou trabalha em alguma fazenda fora do Brasil? Conte sua experiência para nós! Envie um e-mail para contato@milkpoint.com.br.

MAYSA SERPA

Médica Veterinária e mestranda em Sanidade Animal pela UFLA, Editora Assistente de Conteúdo MilkPoint.

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MANUEL ISMAEL CRUZ MACHADO

MONTEMOR-O-VELHO - COIMBRA

EM 23/01/2020

o SR LEANDRO ESTA EQUIVOCADO SOBRE OS PARAMETROS DA QUALIDADE EXIGIDA PELA LACTOGAL(PORTUGAL),MAIOR EMPRESA RECOLHEDORA,PENSO EU ,DA PENINSULA IBERICA.ASSIM TABELA SAIDA EM JANEIRO 2020. GORDURA 3,7 PROTEINA 3,2 TMT 50 D.CELULAR300,INIBIDORES NEGATIVO .INDICE CRIOSCOPIO 0,518.BONIFICA-SE A PROTEINA EM 0,0003 POR CENTESIMO até maximo de3,50 , E GORDURA 0,0002 até maximo de 4,00 TAMBEM.abaixo tem a mesma penalização.PARA QUE CONSTE.
LEANDRO OLIVEIRA

PENAFIEL - PORTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/01/2020

Boa noite Manuel Machado,

Os parâmetros que mencionei, não são da lactogal, são os exigidos por quem me compra o leite e aos quais estou sujeito a cumprir afim de poder obter a melhor bonificação em relação a preço qualidade.

Obrigado
Cpts,
Leandro Oliveira