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Consumo de lácteos na pandemia, estudo da Embrapa

KENNYA SIQUEIRA

EM 06/05/2020

3 MIN DE LEITURA

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Estudo realizado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, sob coordenação da pesquisadora Kennya B. Siqueira.

1. Mudanças no consumo de lácteos no Brasil durante a pandemia

Entre os dias 23 de abril e 03 de maio, a Embrapa Gado de Leite/Centro de Inteligência do Leite realizou, por meio das redes sociais, uma pesquisa para acompanhar o comportamento do consumidor brasileiro de leite e derivados durante a pandemia, considerando o consumo domiciliar. Participaram da pesquisa 5.105 consumidores distribuídos em todo o território brasileiro, sendo que os seguintes locais tiveram maior representatividade na pesquisa: Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Goiás.

A pesquisa mostrou que o derivado lácteo mais habitual nas compras dos brasileiros é o queijo. Apenas 3% dos participantes da pesquisa não consomem o produto. Na sequência, os consumidores têm o hábito de comprar manteiga, creme de leite, iogurte, leite condensado e leite UHT.

Figura 1. Porcentagem de consumidores brasileiros que têm o hábito de comprar os produtos lácteos

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Ao contrário do que vem ocorrendo em alguns países, no Brasil, a grande maioria dos consumidores (83%) está encontrando com facilidade os produtos lácteos no mercado, o que reflete o comprometimento dos produtores e laticínios em manter o abastecimento.

Para todos os produtos analisados, considerando os consumidores que têm o hábito de comprar os produtos lácteos, a maior porcentagem de respostas foi daqueles que continuaram comprando a mesma quantidade de lácteos antes e durante a pandemia. Considerando uma média de consumo do brasileiro, o saldo entre os consumidores que afirmaram ter aumentado o consumo e aqueles que disseram ter reduzido, sugere que os produtos que mais perderam espaço na cesta de compras dos brasileiros foram, nesta ordem: sorvete, petit suisse, doce de leite, leite fermentado, bebida láctea e leite pasteurizado. Por outro lado, queijos, manteiga, leite condensado, creme de leite, leite UHT, iogurte e leite em pó possivelmente apresentaram incrementos de consumo durante a pandemia.

Tabela 1. Porcentagem de consumidores que está mantendo o consumo de lácteos durante a pandemia

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Figura 2. Panorama da mudança de consumo de produtos lácteos durante a pandemia

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Figura 3. Saldo da variação de consumo de produtos lácteos durante a pandemia (% de domicilios ou respondentes)

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2. Fatores que afetam o consumo de lácteos

O fator apontado pelos consumidores como o mais importante na hora da compra dos derivados do leite foi a marca, seguido de perto pelo preço e depois por qualidade. Apenas petit suisse teve o preço como o fator decisivo na decisão de compra dos consumidores. Assim, para os entrevistados na pesquisa, marca, preço e qualidade respondem por mais de 80% das decisões de compra.

Figura 4. Fatores mais importantes para a tomada de decisão na hora da compra, de acordo com cada produto lácteo (em %)

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É interessante notar que, embora tenha sido citado por um número bem menor de consumidores, quando comparado com a marca, o fato de ser uma "empresa local", ganhou em importância de "atitude da empresa perante a pandemia" e "benefícios nutricionais". Essa valorização dos produtos locais vem ao encontro de tendências também verificadas em outros países, no boletim Radar Internacional, disponível no site do Centro de Inteligência do Leite. Alguns estudos sobre comportamento de consumidores têm indicado que poderá haver uma mudança na atitude dos compradores migrando de produtos de consumo global para o local.

Além disso, esses dados podem também sugerir que os consumidores não associam os benefícios nutricionais dos produtos lácteos ao fortalecimento da imunidade e, por consequência, não consideram estes benefícios na hora da compra, ainda que em um período de pandemia.

Essa situação indica que o setor lácteo deveria investir mais em marketing institucional para divulgar os benefícios dos seus produtos e conscientizar os consumidores sobre os benefícios nutricionais e funcionais dos derivados do leite. Essa percepção é reforçada pelo resultado de pesquisa da Embrapa Gado de Leite em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais que analisou o conteúdo publicado nas redes sociais no início da quarentena no Brasil e encontrou que, naquele momento, os consumidores estavam mais interessados em alimentos que promovem o prazer e bem-estar do que naqueles que fortalecem a imunidade. Isso, portanto, é uma informação relevante a ser considerada pelos órgãos de saúde, pois pode significar um desconhecimento por parte da população com relação à contaminação e controle da Covid-19.

Fonte: SIQUEIRA, K. B. O consumo de lácteos na pandemia. CILeite, 2020. Disponível em: <www.cileite.com.br>

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KENNYA SIQUEIRA

Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite

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PAULO F. STACCHINI

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/05/2020

O mais engraçado seria saber como as indústrias explicam essa pesquisa viu? Porque muitas junto com outros especialistas dizem que o consumo de queijos caiu muito pelo enfraquecimento na cadeia de food-service (lanchonetes, restaurantes, pizzarias), mesmo com tanto delivery bombando! E que a demanda de leite em pó usado em outras indústrias alimentícias (biscoitos, chocolates e sorvetes) também caiu. E que o pequeno aumento na demanda de leite UHT na 1a quinzena de abril, não se sustentou na 2a quinzena, não permitindo portanto que fosse compensado a perda de demanda para queijos e leite em pó, resultando em excedentes consideráveis de leite mesmo na entressafra. Curiosamente os preços não caíram no varejo e de novo a conta veio parar no colo do produtor, cujos preços chegaram a cair até 10% no leite de abril pago em maio. Segundo a pesquisa porém, poucos derivados tiveram queda de consumo, e entre eles não está o queijo, nem o leite UHT, nem iogurte, nem leite em pó (talvez os itens que respondam por 90% da demanda global). Portanto algum dado não bate. Será que restaurantes, bares e lanchonetes representam tanto assim na demanda e cadeia de lacteos? Considerando que a maior parte dos domicílios (ou respondentes) aumentou ou manteve o consumo, as importações cessaram praticamente, os estoques de UHT reduziram bastante na 1a quinzena de abril, estamos em plena entressafra com forte estiagem no sul e Sudeste (maiores regiões produtoras), como pode haver tanta oferta de leite em relação a demanda? Na minha opinião ha 2 hipóteses: comportamento oportunista no atacado/varejo ou na indústria. Como ouvi de um grande conhecedor do mercado e produtor, pressão baixista no preço ao produtor agora vai desestimular tanto a produção, que quando as "cadeias de foodservice" voltarem à normalidade mais pro fim do ano, não haverá leite e com dólar a 5,50/6,0 não vai dar pra importar. Como sempre a indústria pensa só no curto prazo e em margem média/ano do preço da matéria prima. Mas o ano não está nem na 1/2. E com preços de milho e soja altos, leite baixo, @/boi altos...vai ter muita matriz indo pro frigorífico para produtor honrar seus compromissos no curto prazo. Depois quando o leite spot subir e faltar leite terão que sair correndo disputando produtores. Esquecem que vaca não é máquina, que liga e desliga na energia, abastece de um lado com matéria prima e volta a produzir pelo outro lado o mesmo que produzia antes de desligar. Por anos quando isso acontecia, as importações contrabalançavam algum desequilíbrio entre oferta e demandas locais. Agora esse "escape" parece mais complicado com o câmbio atual. Está na hora de ambos varejo e indústria pensarem mais em estratégias de diversificar, agregar valor via qualidade e diferenciação de produto na ponta da cadeia em vez de só querer baixar custo via preço pago ao produtor. Lacteos no varejo não precisam ser vendidos como commodities, como batata, arroz, feijão, óleo de soja, etc. Esta na hora de laticínios entenderem isso e se inspirarem em cadeias em que agregar valor, via percepção de qualidade, marca e outros atributos como saúde, alimento funcional etc estão consolidados. Brasileiro não precisa só consumir UHT e mozarela!!! Vejam que a pesquisa mostrou curiosamente que PREÇO não é o fator mais importante na hora da escolha!!!
BRAULIO CONTI JUNIOR

SOCORRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/05/2020

Boa noite talvez vocês não saibam que nós produtores de leite estamos levando um revés de 10 centavos esse mês de maio como como sempre a corda estoura do lado mais fraco conheço muitos produtores pequenos que vão deixar atividade talvez pela abrangência que o milkpoint tem e eu lembro do milkpoint desde a época do Marcelo vocês possam nos ajudar estou a seu dispor meu nome é Bráulio Conti Júnior meu e-mail é brauliocontijunior@gmail.com MUITO OBRIGADO
RODRIGO DE ALMEIDA

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 06/05/2020

Boa tarde Kennya

Parabéns pelo seu artigo. Fiquei surpreso com os altos percentuais de consumidores brasileiros que têm o hábito de comprar produtos lácteos, tais como 97% destes compram queijos, 95% compram manteiga, 89% compram iogurte, etc. Me parece que estes percentuais estão altos demais. Será que esta amostra de 5.105 consumidores não é um pouco "viesada" por ter sido obtida a partir das redes sociais, e talvez represente uma amostra de consumidores de maior poder aquisitivo?

Muito obrigado e novamente parabéns.

Prof. Rodrigo de Almeida (UFPR)
KENNYA SIQUEIRA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/05/2020

Oi, Rodrigo,
Muito obrigada. Esta foi uma pesquisa rápida e exploratória. Uma primeira sondagem sobre as mudanças no comportamento do consumidor durante a pandemia. Como foi difundida pelas redes sociais, nós não tivemos controle sobre a amostra e portanto os dados não podem ser extrapolados para o Brasil todo. Tivemos respostas de todos os estados do Brasil e uma boa representação nas classes sociais, o que nos dá um indicativo de tendências e comportamentos.
EM RESPOSTA A KENNYA SIQUEIRA
RODRIGO DE ALMEIDA

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 07/05/2020

Ótimo Kennya, obrigado pelos esclarecimentos.

E novamente parabéns pelo artigo!

Prof. Rodrigo de Almeida (UFPR)
MilkPoint AgriPoint