Efeito da duração do período seco na produção e na eficiência reprodutiva na lactação subsequente de vacas leiteiras mestiças

Este período, que representa a transição entre duas fases produtivas, requer uma atenção rigorosa para com as condições fisiológicas e metabólicas das vacas para assegurar uma recuperação apropriada antes do começo da próxima lactação.

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O período seco (PS) é crucial para a saúde e produção de vacas leiteiras, influenciando a recuperação antes da lactação. Um estudo com 70 vacas leiteiras mestiças não encontrou efeito significativo da duração do PS sobre a produção de leite e eficiência reprodutiva, apesar de variações categóricas. As análises sugerem que fatores multifatoriais, como sanidade e manejo, podem impactar o desempenho, e a baixa sensibilidade estatística pode ter influenciado os resultados.
O período seco (PS) da vaca leiteira é um fator muito importante tanto na questão financeira da fazenda quanto na questão de sanidade animal. O manejo correto do PS se torna um aliado para maximizar a produção do rebanho, além de trazer uma melhora para a sanidade geral do rebanho.

Este período, que representa a transição entre duas fases produtivas, requer uma atenção rigorosa para com as condições fisiológicas e metabólicas das vacas para assegurar uma recuperação apropriada antes do começo da próxima lactação (Khazanehei et al., 2015). A forma como o PS é manejado pode afetar diretamente o início da nova lactação, a qualidade do colostro, a saúde e a eficiência reprodutiva da vaca, além de interferir na capacidade da vaca em atingir o seu pico de produção de leite na lactação subsequente (Knegsel et al., 2013).

Kok et al. (2017) demonstraram que a produção de leite em 305 dias para vacas sem PS (0 a 2 semanas) foi a menor entre as categorias avaliadas. O PS curto (3 a 5 semanas) apresentou aumento na produção de leite, porém ainda inferior à produção detectada para o PS convencional (6 a 8 semanas) e PS longo (9 a 12 semanas).

O manejo correto do intervalo entre a secagem e o parto é fundamental para assegurar a saúde reprodutiva e a produção eficiente de leite. Procura-se o PS ideal, que não seja tão extenso a ponto de causar aumento no escore de condição corporal que possa prejudicar a eficiência reprodutiva e nem tão curto que possa comprometer a recuperação da vaca e consequentemente a produção de colostro e de leite da lactação subsequente (Knegsel et al., 2013). Portanto, interpretar e elucidar como o PS afeta essas variáveis é crucial para garantir a sanidade do rebanho e a viabilidade financeira da fazenda leiteira. Com o presente trabalho, objetivou-se avaliar o efeito da duração do período seco na produção de leite e eficiência reprodutiva na lactação subsequente de vacas leiteiras mestiças.

Foram coletados dados, de março de 2023 a fevereiro de 2026, das vacas em lactação do Setor de Bovinocultura de Leite da Fazenda Experimental do Glória da Universidade Federal de Uberlândia. O rebanho é composto por aproximadamente 80 vacas lactantes mestiças Holandês/Gir com produção média de 30,00 Kg de leite/dia/vaca, em duas ordenhas. As vacas são mantidas confinadas em barracão do tipo compost barn, recebendo silagem de milho com suplementação concentrada durante toda a lactação. diárias. 

O momento da secagem das vacas do rebanho era determinado de acordo com o período de gestação. As vacas gestantes eram secas quando atingiam 7 meses de gestação e vacas com produção diária menor que 8 Kg de leite por dia. Isso resulta em grande variação na duração do PS, por isso a duração PS foi categorizada em: menor do que 44 dias; entre 45 e 69 dias; 70 a 120 dias e maior do que 120 dias.

Foram coletados os seguintes dados: data da secagem, data do parto, pico de lactação, média de produção de leite nos primeiros 5 meses de lactação, data da inseminação fértil e número de inseminações por concepção. A partir desses dados, calculou-se o intervalo entre secagem e parto (PS) e o intervalo entre parto e concepção (período de serviço). Os dados foram analisados por análise de variância no programa MINITAB, sendo incluído no modelo o efeito da categoria da duração do período. 

No presente trabalho, dentre os 70 animais analisados, 14,28% (10/70) tiveram um PS menor que 44 dias, 52,85 tiveram um PS entre 45 a 69 dias (37/10), 14,28% tiveram um PS entre 70 a 120 dias (10/70) e 18,57% tiveram um PS maior que 121 dias (13/70). Não foi detectado efeito da duração do período seco em nenhuma das variáveis avaliadas (P > 0,10; Tabela 1). 

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Tabela 1. Média do pico de produção de leite (média ± desvio padrão) e média da produção de leite nos primeiros 5 meses de lactação (média ± desvio padrão) em relação a duração do período seco.

Período Seco (n)

Pico de Produção de Leite (l)

Média de produção nos primeiros 5 meses de lactação (l)

Menor que 44 dias (10) 

37,42 ± 5,55 

30,90 ± 4,45 

45 a 69 dias (37) 

40,62 ± 5,60 

32,89 ± 4,35 

70 a 120 dias (10) 

40,56 ± 6,31 

33,07 ± 5,89 

Maior que 121 dias (13) 

40,12 ± 6,36 

32,70 ± 6,34 

Valor de P 

0,487 

0,713 

 

Na avaliação da eficiência reprodutiva, dos 70 animais avaliados anteriormente, apenas 52 tinham dados completos para a análise do efeito da duração do PS no número de IA/concepção e duração do período de serviço. Não foi detectado efeito da duração do período seco sobre as variáveis analisadas (P > 0,10; Tabela 2). 

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Tabela 2. Média do número de IA/concepção (média ± desvio padrão) e duração do período de serviço em dias (média ± desvio padrão) em relação a duração do período seco.

Período Seco (n) 

No. de IA/Concepção 

Período de Serviço (d) 

Menor que 44 dias (10) 

2,20 ± 1,14 

124,60 ± 71,10 

45 a 69 dias (21) 

2,29 ± 1,45 

134,00 ± 70,70 

70 a 120 dias (9) 

2,44 ± 1,59 

155,10 ± 93,30 

Maior que 121 dias (12) 

1,83 ± 0,94 

115,10 ± 63,80 

Valor de P 

0,653 

0,726 

 

Esperava-se encontrar diferenças entre as categorias, especialmente no PS 45 a 69 dias, visto que hoje é o mais aceito quando se prioriza a boa recuperação da glândula mamária e melhora no desempenho reprodutivo, mantendo o equilíbrio entre produção e reprodução. No entanto, os resultados presentes foram contrários aos encontrados por Sawa et al. (2012), pois eles confirmaram que tanto o encurtamento quanto o prolongamento do PS podem afetar a produção na lactação subsequente e também relataram queda no desempenho reprodutivo.

Eles reportaram que a medida em que aumentava a duração do PS, ocorria um aumento no intervalo de parto e na porcentagem de nascimentos de bezerros natimortos ou com malformações, enquanto a diminuição do PS para menos de 20 dias, também foram acompanhados de natimortos, malformações e abortos.

Sendo assim, embora haja muitos trabalhos que mostram que uma determinada duração do PS seja melhor ou pior para o próximo ciclo de lactação, no presente estudo não foi detectado efeito da duração do PS nas variáveis analisadas. Isso pode ter ocorrido em razão de alguns fatores, pois é necessário ter claro que não é apenas o PS que irá determinar o desempenho na lactação subsequente, pois tanto a lactação quanto a reprodução estão interligadas e são resultado de multifatores, como a sanidade, genética, ambiente, manejo e nutrição. Ademais, o estudo foi realizado por meio de uma análise retrospectiva de dados, de modo que não se sabe a causa real da variação da duração do PS. 

Por fim, as médias das variáveis avaliadas são bem próximas e o desvio padrão entre elas é relativamente alto, o que nos mostra que há uma grande variabilidade dentro das categorias de duração do PS, o que pode ter ocasionada baixa sensibilidade para demonstrar a diferença estatística. E ainda, o número de animais avaliados é relativamente baixo e apresentam de modo geral uma considerável diferença em relação ao PS 45 a 69 dias, sendo este o que possui maior número de animais tanto para a análise da produção quanto para a reprodução, sendo assim, se a quantidade de animais em cada categoria de PS período seco fosse igual ou próximo, poderia ter sido obtido uma melhor distribuição para a análise estatística. 

Conclui-se que ao analisar os dados de forma retrospectiva sem considerar os eventos que levaram a variação da duração de período seco não foi possível detectar efeito da duração do período seco no desempenho produtivo e reprodutivo do rebanho mestiços analisado.

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Material escrito por:

Rafhael Almeida Ramos

Rafhael Almeida Ramos

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Ricarda Maria dos Santos

Ricarda Maria dos Santos

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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