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"Mottainai" na fazenda de leite: o caso do milho

ESALQLAB

EM 20/02/2018

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Autores do artigo:

Laerte Cassoli, ESALQLab - Dep. Zootecnia – ESALQ/USP
Willian Santos,  Eng. Agrônomo do QCF  – Dep. Zootecnia – ESALQ/USP
Gustavo Salvatti, Zootecnista do QCF – Dep. Zootecnia – ESALQ/USP

Já sei! A primeira pergunta seria: mas o que é esse tal de “Mottainai”? Mottainai é um termo japonês que transmite a sensação de “dor” e “pesar” frente ao desperdício de recursos valiosos. Como você já pode imaginar, numa fazenda de leite não é incomum esse sentimento. Nesse artigo, iremos abordar o exemplo do milho. Vamos juntos?

O milho é uma das principais fontes de carboidrato não fibroso (amido) na dieta de vacas em lactação. Pode ser utilizado diretamente na dieta (por exemplo, moído) ou então por meio da silagem de milho. Vamos tratar aqui do desperdício de grãos (amido) proveniente principalmente da silagem de milho, uma das principais fontes de forragem.

Seria ótimo se todo o amido fornecido ao animal pudesse ser digerido, mas sabemos que isso não ocorre. Parte dele acaba indo para as fezes, sendo, portanto um “mottainai” importante numa fazenda de leite. Considera-se aceitável um teor de amido fecal abaixo de 3%.

Levantamentos publicados por grandes laboratórios americanos apontam que 50% das fazendas que monitoram o amido fecal periodicamente, apresentavam teores acima do ideal (3%). Já acima de 5%, foram mais de 30% das fazendas.

Mas e no Brasil? Iniciamos recentemente o monitoramento de amido fecal via NIRS (análise infravermelho) e os números iniciais não são muito diferentes. Ainda nesse primeiro semestre, iremos compartilhar mais informações com base num extenso diagnóstico que estamos conduzindo.

Que tal fazermos alguns cálculos para entender o nosso “mottainai”? Abaixo apresentamos um infográfico comparando dois cenários de amido fecal num rebanho de 50 vacas em lactação. Um deles com 2% e outro com 6% de amido fecal. Cada animal perde por dia 540 g de grãos de milho a mais nas fezes quando comparamos 2% ou 6%. No final do ano são quase 9 toneladas de grãos perdidos!

 

Certo, mas o que fazer para reduzir esse desperdício? Que fatores interferem na perda de grãos via fezes?

No infográfico abaixo são apresentados os três principais fatores que foram identificados em estudos realizados em fazendas americanas e que são apresentados no infográfico a seguir. Sim, aqui no Brasil não é diferente.


O primeiro deles é o índice de processamento dos grãos, conhecido como KPS (Kernel processing score). Vacas alimentadas com silagens cujo grão não foi devidamente processado/quebrado (KPS abaixo de 50%) tiveram amido fecal muito superior aos rebanhos que recebiam silagens com KPS acima de 60%. Vale ressaltar aqui, que o KPS ideal é acima de 70%.

Outro fator identificado como crítico é o teor de matéria seca da silagem. Em rebanhos alimentados com silagem de teores de matéria seca acima de 36%, o amido fecal é o dobro em relação a silagens com MS menor de 36.

Por fim, o tempo de estocagem. A digestibilidade do amido aumenta com o período de estocagem, e rebanhos alimentados com silagem consumida antes de 4 meses também apresentaram maior teores de amido fecal.

O que fazer afinal para evitarmos esse “mottainai”? Os dois fatores iniciais (KPS e MS) estão ligados diretamente ao processo de ensilagem. Colher o material no ponto certo, e garantir o seu correto processamento são fundamentais. Se errarmos durante o período de colheita, que em alguns casos não dura mais que poucos dias, todo o período seguinte estará comprometido e o desperdício será certo.

Já no caso do tempo de estocagem, é necessário um bom planejamento alimentar para que seja possível se respeitar o período mínimo de armazenamento. Abrir uma silagem em menos de 30 dias de estocagem, é desperdício.

Dica final?  Avalie os principais indicadores (MS, KPS, amido fecal) para identificar problemas e corrigi-los “Medir para gerenciar”, esse deve ser o lema daqueles que buscam o sucesso em qualquer atividade.

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TIAGO FRANÇA

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/03/2018

Bom dia, Srs. Essa situação de milho nas fezes, na grande maioria é milho quase inteiro, acredito eu que seja da silagem. A pergunta é: O que fazer nessa situação, quando o Kps da Silagem está baixo o Amido está alto ?

Desde já agradeço.
NILTON BORGES

PERIQUITO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/02/2018

Muitíssimo interessante os dados apresentados. Não tinha atentado para o detalhes. Tenho observados grãos inteiros nas Silagem adquiridas. O fornecedor disse ser normal. Mas é perda com certeza.
ESALQLAB

PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/02/2018

Olá, Nilton! Certamente esse amido acaba indo para as fazes! Voce tem o KPS dessa silagem? Desenvolvemos recentemente um indicador (IQS - Indice de qualidade da silagem) para classificar a qualidade da silagem de milho e que leva em consideração 5 variáveis: MS, KPS, FDN, Amido e Digestibilidade da FDN. Temos um artigo que fala sobre isso aqui na nossa coluna. Talvez possa te ajudar!

Seguimos à disposição,

Laerte
FERNANDO COLDEBELLA

CONCÓRDIA - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/02/2018

Bom dia e parabéns pela publicação, gostaria de perguntar sobre o uso de alguns aditivos como leveduras e ensimas para melhorar o aproveitamento dos grãos mal processados, qual a opinião de vocês sobre este uso.
DIOGO FERREIRA

SERRA DO SALITRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/02/2018

Onde posso realizar este tipo de análise laboratorial?
ESALQLAB

PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/02/2018

Olá, Diogo.

A ESALQLab (www.esalqlab.com.br) poderá te ajudar.

Entre em contato com o nosso time de suporte, ele está somente a um email ou whats de distância :-)
atendimento@esalqlab.com.br e (19) 97151-9898.

Abraços,

Laerte
JHONATAN PAZINATTO BOITO

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - ESTUDANTE

EM 23/02/2018

Artigo muito bom.. Parabéns pela ideia e claro pelo texto.
São coisas muito importantes mas que na maioria das vezes passam despercebidas tanto pelo produtor quando pelo técnico, mas que no final devem ser muito bem gerenciadas.
Mais uma vez parabéns pelo trabalho, Abraço
ESALQLAB

PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/02/2018

Obrigado pelo comentário Jhonatan e seguimos juntos.

Abraços,

Laerte
RODRIGO DE ALMEIDA

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 22/02/2018

Prezados Laerte, Willian e Gustavo

Parabéns pelo artigo; muito didático, sucinto, claro e direto ao ponto!

Somente gostaria de perguntar algo... No artigo vcs enfatizaram a importância da silagem de milho (MS, KPS e tempo de ensilagem). Obviamente todos estes fatores são muito importantes e vcs o abordaram com exatidão. Mas na minha experiência em nutrição de rebanhos leiteiros confinados e de alta produção, particularmente aqui no sul do país, percebo que do total de amido fornecido às vacas, aproximadamente metade vem dos grãos de milho da silagem e a outra metade vem do milho (ou de outros grãos de cereais) presentes no concentrado. E esta segunda fração não foi abordada no artigo de vcs. Independente se este milho é somente moído (finamente ou grosseiramente), se é milho grão úmido ou ainda reidratado, em todos estes casos, parte do amido fecal vem do concentrado e não da silagem!

Por isto faço esta pergunta; ao fazer uma análise de amido fecal há alguma forma de diferenciar qual proporção deste amido veio da silagem e qual veio do concentrado? Alguma sugestão de como diferenciar estas duas frações?

Abraços e novamente parabéns pelo artigo.

Prof. Dr. Rodrigo de Almeida, UFPR, Curitiba
ESALQLAB

PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/02/2018

Prezado Rodrigo,

Agradecemos pelo seu comentário! Você está correto, o nosso foco foi nos fatores que afetam a digestibilidade do amido vindo da silagem de milho. Sabemos que a outra parte de amido, fornecida por meio de concentrados, sofre influência de outros fatores (granulometria, p ex) que por sua vez, também poderá influenciar o teor de amido fecal.

Estamos com um amplo estudo se iniciando em que iremos monitorar tanto a silagem de milho quanto a dieta total fornecida aos animais e sua relação com o amido fecal. Com isso, esperamos ter um melhor entendimento dos fatores associados ao aproveitamento do amido.

Quanto a questão da metodologia analítica, da forma como é realizada hoje (via infravermelho NIRS), estimamos o amido total, não sendo possível diferenciarmos a origem do mesmo.

Abraços,

Laerte
DANIEL HENRIQUE DINIZ E SILVA

BETIM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/02/2018

Texto bem sucinto, direto e muito bom. Passou a mensagem
ESALQLAB

PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/02/2018

Olá, Daniel. Agradecemos pelo feedback, seguimos juntos. Abraços