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Avaliando a temperatura corporal de animais na sala de espera

POR COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

COWTECH

EM 22/06/2001

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João Paulo V. Alves dos Santos

A preocupação com o conforto térmico dos animais, principalmente em países tropicais como o nosso, cujos índices de temperatura e umidade são elevados, são sempre pertinentes.

A produção de leite é maximizada quando os animais permanecem na chamada zona de conforto térmico. Segundo LABEN (1963), tal zona é referente ao intervalo de temperatura entre 5oC e 22oC. Quedas na produção de leite são relatadas quando temos situações extremas, ou seja, condições inferiores a 5oC ou superiores a 22oC. MÜLLER (1989) constatou queda na produção de leite de vacas holandesas a partir de 24oC e 27oC para vacas da raça pardo-suiço e jersey. De acordo com este mesmo autor, a elevação da temperatura atua sobre o sistema endócrino, afetando a tireóide, provoca alterações no crescimento, diminui a eficiência do sistema reprodutivo, além de interferir na conversão alimentar, com conseqüente queda na produção de leite.

Nesta mesma coluna, um artigo anterior abordou especificações no uso de ventiladores em sistemas confinados. Sabemos que devemos seguir uma ordem prioritária no momento de realizarmos um projeto de climatização. A recomendação técnica é que devemos começar sempre pela sala de espera. O objetivo deste artigo é elucidar conceitos referentes à climatização de salas de espera, baseado em dados de uma pesquisa nacional.

De acordo com FANGER (1970), a sensação de conforto térmico é função de variáveis sensoriais percebidas pelo animal, sendo a mais importante, a temperatura da pele. Num trabalho realizado no Núcleo de Pesquisa Zootécnica Nordeste do Instituto de Zootecnia (Ribeirão Preto-SP), foram avaliados os efeitos do emprego de chuveiros e ventiladores sobre a temperatura da pele de vacas da raça Jersey, durante o verão. Neste experimento foram avaliadas 29 vacas da raça Jersey (PO), submetidas a duas ordenhas diárias, que foram divididas em dois grupos. Um grupo permaneceu na sala de espera climatizada (resfriada), enquanto que outro grupo permaneceu sem acesso à climatização (controle). A avaliação foi realizada durante 23 dias entre janeiro e fevereiro de 1999. Foi realizado controle leiteiro cinco dias por semana. A temperatura da pele dos animais foi medida uma vez ao dia, após a segunda ordenha, por volta das 16:00 hs, em locais diferentes: cabeça, dorso, canela e úbere. Para a composição da média ponderada da temperatura, foram atribuídos pesos para as diferentes regiões do corpo: cabeça (10%), dorso (70%), canela (12%) e úbere (8%). Os resultados obtidos são expressos na tabela a seguir:

Tabela


As condições climáticas, tanto internamente como externamente à sala de espera foram medidas diariamente, sendo que os dados externos foram os mesmos do obtidos pelo Instituto Agronômico, situado a 3 km do local.

As médias de produção de leite obtidas foram de 12,24 litros (sala de espera com climatização) e 11,68 litros (sala de espera sem climatização), sendo indiferentes de acordo com a análise estatística feita pelos autores.

Durante o período de avaliação a temperatura máxima variou entre 27,5oC e 35,1oC, com umidade relativa do ar variando entre 53% a 94% e precipitação pluviométrica de 170,7 mm.

Comentário MilkPoint: podemos perceber que a climatização da sala de espera foi benéfica aos animais, diminuindo a temperatura corporal dos mesmos. Não houve benefícios diretos em relação à produção de leite. Isto não quer dizer que a instalação de ventiladores e chuveiros (ou aspersores) no curral de espera sejam ineficientes. O espaço amostral (29 vacas) e o período de avaliação (23 dias) dificultam maiores resultados conclusivos. Sabemos que animais da raça Jersey apresentam maior rusticidade quando comparados com animais de porte maior, como vacas holandesas (mais sensíveis ao estresse térmico). O nível de produção dos animais também deve ter limitado a resposta: quanto maior a produção, maior o efeito do estresse térmico e maiores as respostas da climatização.

Logo, são esperados maiores benefícios em termos de produção, quanto maior for o potencial produtivo do animal e menor for a sua capacidade de adaptação a condições climáticas adversas. Iniciativas experimentais como esta, no Brasil, devem ser sempre estimuladas e realizadas cada vez mais, envolvendo maior número de animais (diferentes rebanhos e regiões), e maior período de avaliação. Sendo assim, certamente obteremos maiores esclarecimentos, possibilitando a apresentação de novos conceitos relacionados à reação dos animais em condições ambientais desfavoráveis, bem como possíveis benefícios gerados por projetos de climatização.


Fonte: Pinheiro, M.G.; Junior, L.C.R; Lima, M.L.P.; Nogueira, J.R.; Macari, M.; Santos, A.L.; Leme, P.R.; Nääs, I.A.; Lima, N.C.; Laloni, L.A.; Simili, F.F. "Efeito do Ambiente da Sala de Espera sobre a Temperatura da Pele de Vacas da Raça Jersey", SBZ

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