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O que vamos selecionar em nossos rebanhos II- Características funcionais - Saúde da glândula mamária

ANDRÉ THALER NETO

EM 07/07/2015

5 MIN DE LEITURA

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No artigo anterior desta série relatamos sobre facilidade de partos. Outra característica funcional com grande impacto sobre a rentabilidade é a saúde da glândula mamária. Esta elevada importância econômica deve-se especialmente à diminuição de produção, assim como aos custos com medicamentos, maior taxa de descarte nos rebanhos, aumento da mão-de-obra e diminuição da qualidade do leite, dentre outros. Deve-se considerar ainda que a mesma apresenta correlação genética desfavorável com produção de leite, de modo que, caso não haja uma seleção dirigida diretamente para a mesma e/ou indiretamente par conformação da glândula mamária, os indicadores de resistência à mastite tendem a piorar.

Na maioria dos países exportadores de genética em raças europeias especializadas, a contagem de células somáticas (CCS) é utilizada como indicador indireto da saúde da glândula mamária. Além do impacto direto da CCS sobre a rentabilidade da atividade leiteira, o valor econômico desta característica aumenta quando a CCS é considerada na determinação do preço do leite, em programas de remuneração pela qualidade. Apesar de ser uma medida indireta e de herdabilidade relativamente baixa, sendo utilizados valores estimados de h2 = 0.12 na predição dos valores genéticos de vacas e touros nos Estados Unidos (CDCB-USA, 2014), resultados concretos podem ser esperados pela seleção para o valor genético para células somáticas, sendo que os efeitos positivos da seleção para redução de células somáticas já estão bem estabelecidos na literatura. Por exemplo, nos Estados Unidos observou-se que touros com valor genético baixo (favorável) para número de células somáticas, bons úberes anteriores, úberes rasos e com boa clivagem, assim como com vida produtiva mais longa produziram filhas com incidência menor de mastite clínica e menor número de casos por lactação (NASH et al., 2000), assim como filhas de touros melhoradores para células somáticas e para vida produtiva também apresentaram episódios mais brandos e mais curtos de mastite clínica ambiental na primeira lactação (NASH et al., 2002) e vacas filhas de touros com PTA baixo para células somáticas, alta longevidade, tetas curtas e tetas anteriores pouco espaçadas também apresentaram menor prevalência de mastite subclínica na primeira lactação (NASH et al., 2003) e no Canadá Sewalem et al. (2006) observaram que vacas Jersey e Holandês com elevadas CCS tiveram risco de descarte de 6,62 e 4,95 vezes maior do que vacas com nível médio de células somáticas.
Os valores de CCS não podem ser utilizados diretamente nas avaliações genéticas de vacas e touros, visto que os dados não apresentam distribuição normal, o que causaria erros nas estimativas dos valores genéticos. Em função disto, os valores são transformados para Escore de Células Somáticas (ECS), através de uma transformação logarítmica de base 2, utilizando a equação ECS = log2 (CCS/100.000)) + 3. A relação entre CCS e ECS está demonstrada na figura 1.


Fig. 1 – Relação entre contagem de células somáticas (CCS), em milhares/ml e o escore de células somáticas (CCS)

A seleção para redução do ECS tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, participando dos índices de seleção dos principais países exportadores de genética. Por exemplo, em 2015, nos Estados Unidos, o ECS representa 7% da pontuação final para mérito líquido vitalício (NM$), 5% para o índice de performance total (TPI) da raça Holandesa e 6% do índice de performance Jersey (JPI). No Canadá, na avaliação genética de abril de 2015, a ECS representava, respectivamente, para as raças Holandesa e Jersey, 3,0 e 4,2% do índice de lucro vitalício (LPI).

Nos Estados Unidos e Canadá o valor médio da ECS nas avaliações genéticas é fixado em 3,0, de modo que valores inferiores a 3 são indicativos de melhoria na CCS, devendo ser preferidos touros com valores genéticos que se afastam consideravelmente de 3. Nos Estados Unidos, para touros com sêmen disponível no mercado, cada desvio-padrão representa 0.16 e 0.12 pontos para as raças Holandês e Jersey, respectivamente.

Na Holanda, utiliza-se um valor intermediário 100, sendo que valores maiores que 100 são desejáveis, com redução de CCS, sendo que 4 pontos representam um desvio-padrão.

A ênfase dada à seleção para saúde da glândula mamária começa a ter reflexos positivos nos valores genéticos nos principais países exportadores de genética de raças leiteiras especializadas. Como exemplo, são apresentados na figura 2, os valores genéticos médios para ECS de touros e vacas nas raças Holandesa e Jersey nos Estados Unidos. Observa-se que, especialmente na raça Holandesa, começa a haver uma redução substancial (melhoria) no valor genético médio da população, fruto de uma seleção mais intensa de touros para baixo ECS.


Fig. 2 – Valores genéticos médios para touros (vermelho) e vacas (azul) nas raças Holandesa e Jersy nos Estados Unidos, de acordo com o ano de nascimento.

Novos indicadores de saúde da glândula mamária começam a estar disponíveis para seleção visando a melhoria da saúde da glândula mamária. Nas avaliações genéticas da Holanda um índice de sanidade do úbere é estimado, sendo composto por características como profundidade de úbere, inserção de úbere posterior, comprimento de tetos, velocidade de ordenha e CCS. Os valores genéticos são apresentados com média 100, sendo valores desejáveis acima de 100, sendo que um valor de 104 (um desvio-padrão acima da média) representa uma expectativa de redução de 3% nos casos de mastite clínica em relação a filhas de um touro com índice 100. No Canadá um novo índice de resistência a mastite começa a ser estimado, envolvendo dados de mastite clínica na primeira lactação, mastite clínica nas demais lactações e CCS. Este indicador apresenta herdabilidade média de 12% e no índice LPI, a partir de agosto de 2015, irão ter um peso de 6,6 e 7% do índice final, nas raças Holandesas e Jersey, respectivamente. Nos países escandinavos, valores genéticos para mastite clínica já se encontram disponíveis a mais tempo.
Considerando a correlação genética desfavorável entre produção de leite e CCS, a seleção para redução de CCS e melhoria na conformação da glândula mamária são fundamentais para que se possa continuar a melhorar o potencial de produção das vacas leiteiras, com adequada saúde e rentabilidade.

Referências bibliográficas

CDCB-USA. Description of national genetic evaluation systems. Council on Dairy Cattle Production. 2014. Disponível em >.

NASH, D.L.; ROGERS, G.W.; COOPER, J.B.; HARGROVE, G.L.; KEOWN, J.F. Relationships among severity and duration of clinical mastitis and sire transmitting abilities for somatic cell score, udder type traits, productive life, and protein yield. J Dairy Sci, v. 85, p.1273-84, 2002.

NASH, D.L.; ROGERS, G.W.; COOPER, J.B.; HARGROVE, G.L.; KEOWN, J.F. Heritability of intramammary infections at first parturition and relationships with sire transmitting abilities for somatic cell score, udder type traits, productive life, and protein yield. J Dairy Sci, v. 86, p.2684-95, 2003.

NASH, D.L.; ROGERS, G.W.; COOPER, J.B.; HARGROVE, G.L.; KEOWN, J.F.; HANSEN, L.B. Heritability of clinical mastitis incidence and relationships with sire transmitting abilities for somatic cell score, udder type traits, productive life, and protein yield. J Dairy Sci, v. 83, p.2350-60, 2000.

SEWALEM, A.; MIGLIOR, F.; KISTEMAKER, G.J.; VAN DOORMAAL, B.J. Analysis of the relationship between somatic cell score and functional longevity in Canadian dairy cattle. J Dairy Sci, v. 89, p.3609-14, 2006.

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JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/07/2015

Com certeza, uma excelente ferramenta!
JOAO RICARDO PEREIRA

PONTA GROSSA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 10/07/2015

Parabéns André!
Muito técnico e esclarecedor o artigo. Ajuda a entender melhor critérios de seleção.

Grande abraço
MilkPoint AgriPoint